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Tenha sua própria empresa de jogos com Game Dev Story

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7 anos e meio atrás
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Lembro-me que, na época do lançamento de SimCity 2000, a Revista do CD ROM estava rodando uma propaganda de uma página inteira com screenshots do jogo, acompanhada de dizeres mais ou menos assim: “se você reclama do seu prefeito, que tal tentar fazer o trabalho dele?” Espero que eu não seja o único a lembrar disso.

Nós gamers somos profissionais em reclamar da indústria. O jogo X precisava ter gráficos melhores, a empresa Y não entende o que os jogadores querem e continuam empurrando as mesmas porcarias que não deram certo da última vez, e por que diabos a continuação daquele jogo campeão de vendas foi cancelado? Decerto, se nós estivéssemos no lugar dos homens que tomam as decisões na indústria, nós faríamos tudo certinho e todos os nossos jogos seriam perfeitos.

Essa é a premissa de Game Dev Story.

Se a interface parecer estranha para os padrões do iOS, realmente é – o Game Dev Story original era um jogo de celulares “normais”, feito pela japonesa Kairopark. O port é relativamente preguiçoso, se você considerar que eles sequer adaptaram o aspecto do jogo à tela do iPhone/iPod Touch. Entretanto, não se engane por esse detalhe estético: Game Dev Story é merecedor de sua atenção. Confie em mim.

Em Game Dev Story você é o CEO de uma nova compania de games, e sua primeira tarefa é dar nome à empresa. Aliás, você terá que dar nomes aos seus jogos, também, e não se surpreenda se a sua imaturidade de outrora desabrochar novamente. Quem nunca se divertiu nomeando personagens de RPGs eletrônicos com vulgaridades, pelo simples prazer de ver o baixo palavreado estampado na TV?

Fazer jogos não é a sua única tarefa. Você precisa levantar capital, anunciar sua compania, comparecer às conferências de anúncio de novos consoles, às cerimônias de premiação (quem sabe concorrendo a algum dos troféus), comprar licenças de desenvolvimento para novas plataformas, contratar novos funcionários… O jogo é mais profundo do que essa imagem acima faz parecer.

Após iniciar sua empresa, você ganha uma combinação aleatória de quatro empregados – artistas, engenheiros de som, escritores, programadores. Cada funcionário tem uma ficha de personagem com suas habilidades, e elas definem quão bem cada um executará cada função. Os designers têm altos valores em gráficos, enquanto os engenheiros de som têm números altos em som, e os programadores são experts em, obviamente, programação. Conforme a sua empresa cresce, será preciso contratar mais funcionários para dar conta de projetos mais ambiciosos.

Para começar a render, sua empresa poderá fazer jogos logo de cara, ou você pode fazer projetos paralelos (filmes em CGI, traduções de jogos de outras empresas, esse tipo de coisa).

Quando você estiver pronto para realmente fazer jogos, algumas decisões precisam ser tomadas. Em primeiro lugar, pra qual plataforma? Como no mundo real, desenvolver para PC é mais barato, mas a penetração no mercado é menor (há muito mais jogadores nos consoles do que nos computadores). Em contrapartida, você precisará comprar a licença para desenvolver para consoles, o que encarece o processo ao mesmo tempo que garante que mais gamers serão seus clientes potenciais.

Ao desenvolver o jogo, há várias combinações de gênero, e como num RPG você recebe pontos para distribuir entre critérios como simplicidade, inovação, realismo ou apelo de nicho. Em seguida, você deverá escolher  um funcionário pra escrever a proposta do jogo – no caso, um escritor seria a melhor escolha.

Em qualquer momento que você queira enriquecer os valores de produção do seu título, você pode contratar especialistas de fora – profissionais com habilidades em valores bem mais altos que os seus funcionários, mas que garantirão bons resultados nos seus jogos.

Uma vez definidos os parâmetros iniciais, seus funcionários trabalharão no jogo preenchendo 4 quesitos: Diversão, Inovação, Gráficos e Música. É aí que entra aquela ficha com as habilidades dos seus funcionários. Quanto maiores os  valores em cada especialidade, melhor será sua contribuição no jogo. E no final, até remover os bugs será necessário… Isto é, se você não estiver com pressa e não lançar o jogo sem essa revisão final.

O jogo se passa durante 20 anos, ao longo dos quais você presenciará uma paródia da história dos videogames que já conhecemos. Todos os consoles com os quais estamos acostumados têm representações humorísticas no jogo, desde o Game Kid da “Intendro” – e o concorrente, o Gear Game da “Senga” – até o “Whoops”, passando pelo PlayStatus da “Sonny” e o Uranus da “Senga”. As imagens dos consoles, adoravelmente pixelizadas, fazem referência direta aos consoles parodiados.

Até os nomes dos funcionários são piadinhas com o universo gamer. Tenho um diretor no meu time chamado Shigeto Minamoto, uma clara referência ao icônico criador da franquia Super Mario, Shigeru Miyamoto.

Uma característica impressionante de Game Dev Story é que ele é essencialmente a versão digital de crack. A experiência mais reportada pelos jogadores é a completa incapacidade de sair do jogo. Sempre dá aquela vontade de ficar mais alguns minutinhos trabalhando nos gráficos ou na música de um jogo, aguardando as resenhas e os números de venda com antecipação. O humor do jogo e a forma como eles comentam as paródias dos consoles (por exemplo: ao ver o novo console portátil da Intendro, o Virtual Kid, sua secretária diz que não acha que ele dará muito certo) dão um charme raro a Game Dev Story.

Game Dev Story custa $3.99 na AppStore. Clique aqui para comprar.

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