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Índia manda remover posts sobre “variante indiana” do coronavírus

Governo indiano afirmou em carta aos maiores provedores de redes sociais que apelido de “variante indiana” é completamente falso

Pedro Knoth Por

O governo da Índia ordenou que grandes redes sociais do país retirem de suas plataformas qualquer conteúdo que contenha o termo “variante indiana”; o pedido foi feito por meio de uma carta na última sexta-feira (21), de acordo com a agência Reuters. O apelido foi dado após a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontar o surgimento de uma nova mutação da COVID-19 no país asiático, identificada como B.1.617, no dia 11 de maio.

coronavirus covid-19

COVID-19 (Imagem: Trinity Care Foundation)

O braço sanitário da ONU disse que a variante era preocupante em nível mundial, devido às evidências de que essa nova cepa seria mais contagiosa. O governo indiano, na ocasião, emitiu uma nota afirmando que o apelido “variante indiana” dado pela imprensa não tinha embasamento, já que a OMS classificou a cepa apenas como B.1.617.

O Ministério da Tecnologia da Informação da Índia voltou a pedir que o nome fosse deixado de lado. Em carta, ordenou a remoção de todo conteúdo que refira à nova mutação como “variante indiana”. O comunicado não deixou claro quais eram as redes sociais que deveriam retirar o conteúdo; recentemente o governo indiano pediu para que Twitter, Facebook e Instagram apagassem conteúdos críticos ao combate à pandemia.

“Isso é completamente falso. Não existe tal variante da COVID-19 citada cientificamente pela Organização Mundial da Saúde. A OMS não associou o termo ‘variante indiana’ com a variante B.1.617 do coronavírus em nenhum de seus relatórios”, escreveu o governo indiano. A Reuters teve acesso ao documento, que não é publico.

O nome dado a novas variantes da COVID-19 pelo mundo tem se referido ao seu país de origem, como é o caso do Brasil e da África do Sul. Contudo, a OMS desencoraja nomear uma mutação de acordo com seu país de origem. Em seu guia de melhores práticas, o órgão sanitário destaca que deve ser evitado nomear doenças de acordo com regiões, nomes de pessoas ou de espécies de animais.

Variante provoca forte segunda onda na Índia

A Índia superou a marca de 300 mil mortes pela COVID-19. O país ocupa a terceira posição no mundo em fatalidades pela doença, apenas atrás de Estados Unidos e Brasil. Os dados são de um boletim divulgado pelo Ministério da Saúde e do Bem-Estar da Família indiano, divulgado nesta segunda-feira (24). Desde o começo da pandemia, o país registrou 26,7 milhões de casos do novo coronavírus.

O governo indiano tem enfrentado ondas de críticas ao seu modelo de gestão da pandemia, que falhou em prever e conter uma segunda onda da COVID-19 no país, o que inclusive pode ter causado o surgimento da nova variante – o governo ordena a derrubada de conteúdos da “variante indiana” em meio a avaliação negativa no combate à doença.

No Brasil, os primeiros casos da variante B.1.617 foram detectados no Maranhão. Após inspeção sanitária do navio MV Shandong Da Zhi, que viajou da África do Sul até São Luíz, capital do estado, autoridades de saúde detectaram uma linhagem da nova cepa, a B.1.617.2, em seis dos vinte e quatro tripulantes. Além disso, há casos suspeitos da nova variante no Pará e no Ceará.

Com informações: Reuters e The Verge

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