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China bloqueia perfis de rede social ligados a bitcoin e mais criptomoedas

Pelo menos uma dúzia de usuários populares que postavam sobre criptomoedas na Weibo foram banidos no final de semana

Bruno IgnacioPor

Múltiplas contas influentes relacionadas a criptomoedas na popular rede social chinesa Weibo (similar ao Twitter) foram bloqueadas neste último final de semana após Pequim indicar que irá intensificar a repressão à mineração e comercialização de bitcoin (BTC). Mais medidas do governo chinês são esperadas nas próximas semanas, incluindo citar as moedas digitais diretamente no código penal do país.

Usuários que postavam sobre criptomoedas são banidos da rede social chinesa Weibo (Imagem: QuoteInspector/Flickr)

Usuários que postavam sobre criptomoedas são banidos da rede social chinesa Weibo (Imagem: QuoteInspector/Flickr)

Pelo menos uma dúzia de usuários populares que postavam conteúdo sobre criptomoedas na Weibo se viram incapazes de usar suas contas na noite de sábado. Quem tentou acessar essas páginas receberam uma mensagem dizendo que elas haviam violado as diretrizes da rede social e “leis e regulamentações relevantes”.

“A conta que uso há anos desapareceu repentinamente”, postou um dos usuários banidos na plataforma com uma nova conta chamada Professor Hash. “Mas estou bem com isso. Esse dia chegaria mais cedo ou mais tarde”, concluiu.

Repressão contra criptomoedas nas redes sociais

Esta não é a primeira vez que plataformas sociais da China eliminam contas influentes relacionadas ao mercado de ativos digitais. Em 2019, a Weibo baniu as páginas do cofundador da Binance Yi He e do famoso empresário e investidor de criptomoedas Justin Sun, que ganhou as manchetes na época por ganhar um leilão de caridade para jantar com o investidor bilionário Warren Buffett.

Além disso, as exchanges Binance, Huobi e OKEx, três das mais importantes da China, tiveram suas contas oficiais suspensas em março. Essa última repressão ocorre em um momento em que Pequim promete intensificar sua luta contra as atividades de mineração de criptomoedas. O governo alertou repetidamente sobre os riscos financeiros do bitcoin e de outros ativos digitais e reiterou o aviso recentemente em meio à volatilidade dos preços.

O bitcoin já perdeu quase metade do valor desde o seu último recorde de US$ 64 mil, registrado em abril. Já o ether (ETH), segunda maior criptomoeda, chegou ao preço máximo de US$ 4 mil e hoje opera na casa dos US$ 2,8 mil. Inclusive, foi o anúncio de novas proibições sobre transações e serviços com moedas digitais na China que fizeram o mercado perder 750 bilhões da noite para o dia em maio.

Governo quer proteger população e metas energéticas

O governo também está preocupado em cumprir suas metas de energia limpa, com o objetivo de se tornar neutro em carbono até 2060. O bitcoin requer muita eletricidade para minerar devido ao funcionamento de seu blockchain, consumindo mais do que os Emirados Árabes em um ano, de acordo com uma estimativa do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index.

No mês passado, Liu He, o principal conselheiro econômico do presidente chinês Xi Jinping, disse que o governo “reprimirá a mineração e o comércio de bitcoin enquanto evitará resolutamente a transferência de riscos individuais para a sociedade”.

Por isso, os banimentos de contas relacionadas a criptomoedas é uma medida alinhada com os objetivos de Pequim. Estima-se que o número total de seguidores dessas pessoas bloqueadas na Weibo é superior a 5 milhões. Dessa maneira, essas novas ações visam frear a influência sobre a população, que muitas vezes estimula a compra de criptomoedas.

Com informações: The Guardian, South China Morning Post

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