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Grupos de Pix no WhatsApp viralizam, mas podem ser pirâmide

Grupo de Pix via WhatsApp promete dinheiro fácil e rápido, mas pode representar esquema de pirâmide financeira

Emerson Alecrim Por

O Pix permite que transferências sejam feitas a qualquer momento e sem taxas. Não causa surpresa que essa conveniência seja explorada por quem tenta obter dinheiro fácil. Prova disso é que, nas redes sociais, “grupos de Pix” via WhatsApp estão ganhando força. É preciso ter cuidado: esses grupos podem corresponder a pirâmides ou esquemas parecidos.

Grupo de Pix divulgado no Instagram (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grupo de Pix divulgado no Instagram (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Aparentemente, a ideia começou a ser divulgada no TikTok, mas logo chegou às demais redes sociais. Buscas rápidas por “grupo de Pix” no Twitter e no Instagram, por exemplo, retornam numerosas postagens tratando do assunto.

Embora possa haver uma variação entre um grupo e outro, todos seguem o mesmo princípio: uma pessoa cria um grupo no WhatsApp e convida participantes; porém, cada membro só é adicionado após fazer um Pix para o administrador do grupo.

A maioria dos grupos requer do participante uma transferência via Pix no valor de R$ 1. Também há grupos que fixam o Pix em R$ 2 e, com menos frequência, em valores superiores.

Depois de fazer o Pix, o participante entra no grupo como administrador e, a partir daí, pode recrutar outras pessoas. Estas devem fazer um Pix ao participante que enviou o convite, também entram como administradores após a transferência, devem recrutar mais gente na sequência para “lucrar” e assim o ciclo se repete.

Perceba que esse esquema segue a lógica das pirâmides, quando uma pessoa paga determinado valor para entrar e deve indicar uma quantidade de membros para obter o retorno esperado. Em certo momento, o número de participantes é tão grande que o esquema quebra, deixando boa parte deles com prejuízo.

No WhatsApp, participantes que atingem a meta de convidados costumam sair do grupo e partem para outros. Mesmo assim, não é difícil o esquema ruir rapidamente: o serviço só permite 256 membros em cada grupo. Via de regra, o grupo é encerrado quando esse limite é atingido.

Divulgação de grupo de Pix no Twitter (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Divulgação de grupo de Pix no Twitter (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Pirâmide é crime

Como os grupos de Pix fixam valores baixos, muita gente topa participar por acreditar que o prejuízo vai ser pequeno se o retorno esperado não for obtido. Um dos problemas desse pensamento é que, em esquemas de pirâmides, o número de pessoas que saem perdendo é maior do que o de indivíduos que ganham alguma coisa.

O detalhe mais importante: no Brasil, esquemas de pirâmides são considerados crimes contra a economia popular (lei º 1.521/51). O transgressor pode receber pena de multa e detenção.

Não é por acaso que o Banco Central se manifestou a respeito. Ao Poder360, a instituição alertou:

Desconfie sempre que uma oferta parecer boa demais para ser verdade, como ganhar muito dinheiro chamando pessoas para transferirem dinheiro sem motivo algum e ganhar uma parte desses valores. Nesse caso, não entre nessa e denuncie o esquema para a autoridade policial, que tem a competência legal para coibir esse tipo de crime.

Banco Central

É preciso mesmo ficar atento. Esquemas do tipo podem inclusive ter variações. Há, por exemplo, grupos no WhatsApp que exigem que os participantes paguem R$ 1 via Pix e prometem sortear o total arrecadado no final do dia. Obviamente, não há nenhuma garantia de que isso será feito.

Comentários da Comunidade

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LekyChan (@LekyChan)

podem ser? esse golpe ai é velho pra caramba, eu lembro dos scraps no orkut com essa mesma história, só que em vez de pix era os dados bancarios de 10 pessoas.

² (@centauro)

Então o grupo basicamente é um “me dá R$1 e você recupera esse dinheiro pedindo R$1 pra outra pessoa”?

Geralmente as pirâmides (ou MLM) “pelo menos” oferecem um “produto” junto (que basicamente vai ensinar a ganhar dinheiro vendendo o mesmo produto que acabou de comprar) e muitas oferecem um esquema de comissão multinível também, onde você recebe uma comissão menor por cada convidado que o seu convidado recrutar.

Rafael Machado de Souza (@rafael.mds)

Aí é diferente, pois quem paga todo mundo é o kwai… obviamente eles faturam com anúncios e venda dos dados.

Tio Quinzel (@Felipepperoni)

Isso mesmo. Uma esquema bem feio de pirâmide pois usa de depósitos mínimos pra não levantar suspeitas (será mesmo que ninguém da policia federal não está investigando isso?). Kwai e TikTok fazem, mesmo esquema, chame amigos, ganhe com os views deles, ganhe com a chamada dos seus amigos…porém, aos olhos da lei, o esquema desses apps pode não se enquadrar como pirâmide por não haver um pagamento

André Noia (@Andre_Noia)

Adoro como o brasileiro gosta de ser trouxa. Tem mais é que levar tombo mesmo.

Lucas M (@Lucas_M)

Não é pirâmide pq as pessoas que entram não tem que pagar nada. Não há nenhum desembolso por parte dos usuários.

Em pirâmides, o dinheiro sai de quem foi “convidado” e vai para quem convidou, sucessivamente. Quem não conseguir convidar mais gente para o esquema do que o necessário fica com prejuízo. Não ocorre isso nesse caso. Nenhum usuário tem prejuízo.

No caso do TikTok e Kwai, as empresas estão apenas pagando pela indicação de novos usuários com a intenção de que uma % deles virem usuários recorrentes e com a expectativa de que a receita futura com anúncios cubra esse custo de aquisição.

André Leonardo Heidemann (@Andre_Leonardo_Heide)

Se o dinheiro vem apenas se vc convidar outras pessoas, é pirâmide

Lucas Carvalho (@Lucas_Carvalho)

Exatamente, o crime de pirâmide definido na lei “consiste em tentar ou obter ganhos ilícitos, através de especulações ou meios fraudulentos, causando prejuízo a diversas pessoas”. Você pode até considerar o esquema do Kwai, TikTok e afins, como pirâmide, mas não é a pirâmide definida em lei como crime.