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Paquistão vai bloquear sinal de celular de quem recusar vacina da COVID-19

País enfrenta desinformação com medidas drásticas, como bloqueio de redes de telefonia e suspensão de salários para funcionários do governo

Ana Marques Por

As autoridades do Paquistão estão adotando medidas mais enérgicas para que a população do país tome a vacina contra COVID-19, dentre elas o bloqueio de sinal de celular para quem recusar a vacinação. Por lá, há uma grande onda de desinformação sobre vacinas em geral, ainda que os imunizantes tenham resultados de eficácia e segurança comprovados cientificamente.

Sem sinal de celular: Paquistão adota medidas drásticas para quem recusa vacina (Imagem: Dean Moriarty/Pixabay)

Sem sinal de celular: Paquistão adota medidas drásticas para quem recusa vacina (Imagem: Dean Moriarty/Pixabay)

Segundo uma reportagem do New York Times publicada nesta terça-feira (15), o governo pode suspender o sinal para os relutantes que habitarem as províncias de Punjab e Sindh. Entretanto, a medida ainda não tem uma data para entrar em vigor.

O ministro da Informação em Sindh, Syed Nasir Hussain Shah, afirmou que “o governo está fazendo o possível para facilitar as pessoas na obtenção da vacina”. Os detalhes sobre como a operação funcionará não foram revelados. Além dessa solução, o governo pode suspender os salários de funcionários públicos que se recusarem a tomar a vacina, começando no mês de julho.

Como resposta às medidas anunciadas, relatos de certificados de vacinação falsos dispararam no país.

Paquistão luta contra histórico de fake news sobre vacinas

Paquistaneses são vítimas de uma grande onda de desinformação sobre vacinas, em especial a que previne a poliomielite. A população adulta, movida por ceticismo, costuma recusar a vacinação em seus filhos. As fake news sobre o assunto afirmam que a vacina contra a poliomielite pode esterilizar crianças e fazem parte de uma conspiração norte-americana.

Agora, com a pandemia de COVID-19, a onda de notícias falsas vem fazendo pessoas acreditarem que após tomarem a vacina contra o coronavírus irão morrer em um período de dois anos.

A meta do governo do Paquistão é vacinar entre 45 milhões e 65 milhões de pessoas até o fim de 2021, porém menos de 2% de sua população havia se vacinado totalmente até esta terça (15). A campanha de vacinação no país começou em 3 de fevereiro.

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Matheus Motta (@Matheus_Motta)

Tinha que fazer isso no Brasil, mas os canalhas tão no governo

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

No Brasil nem celular roubado ou no presidio eles conseguem bloquear, imagina fazer isso com base na lista de não vacinados

Rodrigo Rocha (@RodrigoRodrigoR)

Espalhar baboseiras anti vacina devia ser considerado crime contra a saude publica!

Júlio César (@Potrinho)

Uma pena que no Brasil é o governo que promove os antivacinas

André Gorgen (@Banana_Phone)

Eu colocaria outras limitações mais brandas no início, como restringir acesso a aeroportos.

Quando você corta algo que grande parte da população tem acesso, a população se revolta, mas se você começa cortando o acesso aos aeroportos, depois corta o acesso a viagens de ônibus, exige a vacinação de todos da área da saúde, exige vacinação de todos os professores, dá incentivos para quem se vacina e vai criando novas restrições aos poucos, isso pode funcionar melhor sem gerar revolta na população.

Se você corta o acesso a rede de celular, isso pode até servir como viés de confirmação para a população achar que de fato o governo está escondendo algo e que as vacinas fazem mal.

Gustavo Cardoso (@Gustavo_Cardoso)

Pra quê isso gente? Quem não quiser se vacinar, merece não se vacinar mesmo! rs

² (@centauro)

Não sei se você está falando sério ou está sendo sarcástico, mas enfim.

Esse posicionamente é um problema porque a pessoa não se vacinar afeta não só o indivíduo, mas a sociedade.

Estamos falando de um vírus transmissível de humano para humano, portanto é um vírus que só se combate com imunização em massa. Quanto mais gente não se vacina, mais difícil é para a doença ser controlada.

“Ah, mas quem se vacinou está imune então azar de quem não se vacinou!”
Seria verdade se a vacina fosse 100% eficaz contra infecção, o que não é. E seria verdade também se o virus nunca mutasse, o que também não é o caso.

Além disso, quanto menos gente se vacinar, maiores as chances de o sistema de saúde ficar no limite e isso afeta não só quem pegou COVID e precisa de atendimento mas também todas as outras pessoas com outras efermidades. Não falam muito no notíciário, mas não faltam relatos de médicos com medo da quantidade de tratamentos que não estão sendo realizados para condições como câncer porque os hospitais estão praticamente todos priorizando pacientes com COVID.

Fora o fato que quando se fica doente você também afeta a econmia.Menos gente pra trabalhar, menos gente gastando, menos dinheiro circulando.

Ou seja, se estivéssemos falando de uma doença não transmissível de humano para humano, beleza, vacina quem quer e dane-se. Mas como não é o caso, quem não se vacina pode estar afetando a sociedade negativamente em uma escala bem maior do que se imagina.

André Gorgen (@Banana_Phone)

Uma vacina custa em média 10 dólares, mas a pessoa que tem complicações graves e fica dias, semanas ou até meses internada, o custo que essa pessoa gera é altíssimo para o SUS.
Um dia da pessoa internada apenas com oxigênio já é mais caro que uma vacina.

É por isso que vacinação é tão importante e compensa muito ao governo vacinar.
O mesmo vale para saneamento básico, é muito mais barato investir em saneamento do que tratar as pessoas que ficam doentes por conta da falta de saneamento, mesmo assim quase metade da população brasileira não tem saneamento básico. A mortalidade infantil cairia muito com o saneamento básico.
Mas infelizmente saneamento básico não é prioridade, pois é um serviço caro e que as pessoas não enxergam.