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Amazon tem “zona de destruição” para milhares de produtos não vendidos

Reportagem de TV britânica mostra que Amazon destrói milhares de produtos não vendidos por semana no Reino Unido

Emerson Alecrim Por

Uma reportagem da TV britânica ITV News publicada nesta segunda-feira (21) revela que a Amazon mantém uma “zona de destruição” no Reino Unido para onde são enviados regularmente milhares de produtos não vendidos ou devolvidos por clientes. Os itens descartados são variados. Há relatos até de MacBooks e iPads entre eles.

Embalagem da Amazon (imagem: divulgação/Amazon)

Embalagem da Amazon (imagem: divulgação/Amazon)

Pode haver mais de um local para descarte de produtos, mas a tal zona de destruição localizada pela ITV News fica em Dunfermline, Escócia, ponto em que a Amazon mantém um centro de distribuição.

Com filmagens escondidas, o veículo registrou ali smart TVs, notebooks, drones, secadores de cabelo, fones de ouvido, talheres, livros, entre outros itens. Todos os produtos estavam dentro de caixas nas quais se lia “destruir”.

A quantidade de mercadorias descartadas não é desprezível. Um documento interno vazado do centro em Dunfermline revela que, em uma única semana de abril, 124 mil itens foram marcados com “destruir”. No mesmo período, apenas 28 mil produtos foram separados para doação.

Um ex-funcionário da Amazon que pediu anonimato disse à ITV News que, quando trabalhava no depósito, a unidade tinha como meta destruir 130 mil produtos por semana. A mesma pessoa relatou já ter visto MacBooks, iPads, ventiladores Dyson, aspiradores Hoover e até máscaras para prevenção da COVID-19 indo para caixas de destruição.

A investigação aponta que, em geral, metade dos produtos destruídos nunca foram usados e estavam em sua embalagem original. A outra metade corresponde a itens devolvidos por clientes, mas que ainda tinham condições de uso.

Produtos separados para descarte na Amazon (imagem: ITV News)

Produtos separados para descarte na Amazon (imagem: ITV News)

Por que destruir produtos novos?

Tudo se resume ao fator custo. Muitos fornecedores enviam seus produtos para os depósitos da Amazon, mas a companhia cobra para armazená-los. Isso significa que, se um produto ficar encalhado, ele gerará custos de armazenamento crescentes para o fornecedor.

No fim das contas, acaba sendo mais barato destruir os produtos do que mantê-los em estoque, especialmente quando os itens têm origem no exterior.

Amazon se defende

Procurada, a Amazon explicou que tem trabalhado para alcançar a meta de descarte zero, embora não tenha informado quando pretende chegar a isso. A empresa também declarou que prioriza revender, doar ou reciclar produtos não vendidos.

Tem mais. A reportagem da ITV News mostra o que seria uma espécie de aterro para descarte de produtos, mas a Amazon negou enviar mercadorias para esse tipo de local. De acordo com a companhia, o ponto mostrado pela reportagem consiste em uma central de reciclagem.

“Em última instância, enviamos itens para recuperação de energia [incineração], mas estamos trabalhando bastante para reduzir o número de vezes em que isso acontece para zero”, diz a Amazon na mesma resposta.

Não é a primeira vez que descartes de produtos pela Amazon são noticiados. Em 2019, um canal TV revelou que a companhia jogava fora 3 milhões de produtos por ano na França. Um ano antes, a empresa foi denunciada na Alemanha por descartar produtos devolvidos, mas em perfeitas condições de uso ou funcionamento.

Com informações: The Verge.

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² (@centauro)

E mesmo assim lucra horrores.

Poderiam reduzir um poupco esse lucro e doar parte desses milhares de produtos não vendidos?
Poderiam, claro.
Vão fazer? Claro que não. Pra que?

E só pra lembrar, doar os produtos tem um custo que provavelmente é maior do que simplesmente destruir. Os custos incluem não só o transporte, mas também os custos de logística (definir qual produto vai para quem, separar e organizar, armazenar, etc, etc, etc) e burocráticos (encontrar e definir quais instituições vão receber as doações, papeladas para fins de fiscalização, e sei lá o que mais).

Matheus Motta (@Matheus_Motta)

Eu só fico impressionado com a quantidade de lixo eletrônico que o ser humano vem produzindo de 10 anos pra cá.

Breno (@bbcbreno)

Realmente impressionante, a tendência é só piorar e, a cereja do bolo: n existe nenhuma tentativa das gigantes em resolver ou reduzir este problema. Muito pelo contrário, elas querem mais e mais lixo por aí. Quanto mais lixo eletrônico o ser humano gerar, mais lucro essas empresas terão gerado. É simplesmente bizarro!

Smartphone, por exemplo, provavelmente o lixo eletrônico que nós mais geramos. Não há justificava para lançar tantos aparelhos e atualizais anuais, mais quanto mais aparelhos são lançados, mais gatilho para trocar o povo tem.

Daria muito bem pra atualizar uma linha de 3 em 3 anos e olhe lá. Em um ano não temos avançados tecnológicos significativos que justifique uma atualização da linha. E isto se extende pra basicamente tudo: carro/tv/computador/roupa, etc, etc e etc…

Então este é o pensamento: “que se dane o mundo, quero lucrar meus bilhões que nem sei para que vou gastar.”.

Rafael Machado de Souza (@rafael.mds)

Acontece muito, ainda mais com o recente afrouxamento de leis ambientais. O pessoal descarta muita coisa de maneira incorreta.

ivanilton (@ivanilton)

Aqui, não precisa de leis, é a população que fod… tudo, só andar de carro que você ver o povo jogando lixo na rua: pedestres e motoristas.
As empresas só fazem o que a população faz

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Só porque foi lançado, não significa que precisa ser comprado. Quem vai comprar, merece ter uma alternativa atual.

Compra quem pode, porque quem não pode continua não comprando.

É só não trocar a cada ano e manter o aparelho pelo tempo que achar necessário. Os lançamentos anuais são para que o consumidor possa ter a opção de adquirir o aparelho do ano e não o de 3 anos. Lançamentos contínuos são necessários para pagar o P&D, entre outras coisas.

Fora que essa indústria fomenta todo um comércio em cadeia, que emprega milhares de pessoas. Da pequena empresa que fabrica o adesivo que vai na bateria, ao silício dos SoCs. E ao redor tem toda uma gama de empresas independentes de acessórios. Fora o varejo que por si representa boa parte das vendas, ainda mais no Brasil.

O que é ótimo, mais opção para quem for comprar no ano X. Quanto menos pessoas consomem, menos empregos são gerados. Que bom seria se mais pessoas pudessem consumir.

ivanilton (@ivanilton)

Aí não vai ter planeta para produzir tanto recurso, com o sistema atual, já não aguenta, os recursos são limitados, e o atual sistema de reciclagem ou reaproveitado é insignificante.
O que precisa é as pessoas consumir menos, bem menos, e fazer com aquelas que não consumem tanto, possa consumir de forma sustentável.
Essa história de uns dez anos para cá, o que vale é a “experiência”. Fazer isso para 7,5 bilhões de pessoas, levar “experiência para todo mundo, vai acelerar o estrago que já está sendo feito, não tem como fazer isso, nem areia para fazer vidro e uma monte de coisa o planeta não tem mais capacidade regenerar

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Não tem haver com consumir mais ou menos, e sim com o que você consome e de quem você consome. É uma questão de educação financeira e de posicionamento.

Não é porque uma empresa lança produto X, que precisa comprar. É dever do consumidor se posicionar e não comprar produto lixo, de empresa que não tem responsabilidade.

Fazendo isso ele sinaliza pro mercado que essas práticas não são toleradas e é a partir daí que a mudança acontece. Não tem a ver com desacelerar o consumo, mas saber consumir.

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

A prática da destruição ou jogar no lixo já é usada faz muitos anos, tanto que o caso do game E.T. - O Extraterreste ficou famoso:

Como @centauro disse, existem muitos custos envolvidos até para se fazer uma simples doação, principalmente aqui no Brasil, onde as empresas ainda tem o fardo da responsabilidade legal.

Mas assim como os demais fiquei surpreso com o volume mencionado, e creio que a Amazon poderia estar com uma solução melhor nesse assunto, mas não deve ter ninguém importante com olhos nisso.

Afinal, esses produtos encalhados que estão sendo descartados são dinheiro indo pro lixo, só o envio para reciclagem através de uma parceria poderia render uma grana passiva para Amazon de forma fácil.

A empresa também poderia vender esses itens encalhados como um lote, seja na própria loja ou B2B por outros meios, o que faria o estoque girar. Doar esses itens para funcionários ou caridade também é uma opção, por exemplo.

Quanto as questões de consumismo, tudo gira em torno dos consumidores, ninguém é obrigado a trocar de celular todo ano, mas se trocam é porque podem e querem, e isso gira o mercado.

O problema não está em ter inúmeros lançamentos, mas sim na reciclagem, responsável por fechar o ciclo de uso de um material. E nesse ponto estamos melhorando, porque francamente falando, destruir o planeta não é o jeito mais eficiente de ficar rico.

Luis Carllos (@XxxStrangeManxxX)

Tava pensando nisso, parece que há 20/30 anos produtos duravam bem mais. Hoje é quebrou, jogou fora e compra um novo, produzindo mais lixo eletrônico.

Breno (@bbcbreno)

É nítido, né jovem? “Compra quem quer”, “compra quem pode” e normalmente “quem não pode, n compra” (muita gente q n pode acaba comprando tb). Porém o ponto da discussão n é este. Felizmente há muitas pessoas conscientes q mesmo podendo (e às vezes até com aquela coceirinha pra trocar), acaba n trocando todos os seus equipamentos só pq saiu um novo modelo. E, infelizmente, muitos descartam produtos em perfeito estado só pq saiu algo novo que mudou uma vírgula.

E não, fabricante n lança diversas linhas e atualizações anuais pra dar opções pro usuário, isto acaba sendo consequência. O objetivo mesmo é vender o máximo que conseguir. Samsung inunda prateleiras de Samsung n é pra dar opção pro usuário, é pro usuário ver só Samsung na prateleira e acabar levando Samsung. Apple n atualiza seu iPhone pra dar opção pro usuário, Apple atualiza seu iPhone pra incentivar milhões de pessoas a trocarem seu telefone pro mais novo lançamento.

Repetindo: a fabricante atualizando um produto, acaba incentivando que milhares de pessoas troquem seus produtos sem necessidade. Do ponto de vista econômico tá errado? Não! N há problema nisso, cada um é livre pra lançar o que quiser e cada um é livre pra comprar o que quiser e puder (óbvio, né?). Porém do ponto de vista ecológico, que é o tema desse tópico, sim, tá tudo muito errado!

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Muitos países já desativaram a rede 2g, alguns estão já estudando desativar a 3g, espectro é um recurso escasso e valioso, tu pode fabricar um dumphone mas se espera que ele seja usado mais do que 2 ou 3 anos eles já tem de vim com 4g. Não vale a pena desperdiçar espectro para atender meia dúzia de clientes.