Início » Finanças » Israel testa criptomoeda estatal com tecnologia da Ethereum

Israel testa criptomoeda estatal com tecnologia da Ethereum

Banco central de Israel revelou que fez primeiro teste com versão piloto do shekel digital, a CBDC israelense

Bruno Ignacio Por

Israel é o mais novo país a seguir a tendência mundial de criação de criptomoedas estatais vinculadas a bancos centrais, as chamadas CBDCs. O governo israelense revelou nesta semana que conduziu um teste piloto com o shekel digital, hospedado no blockchain da Ethereum. Assim, a primeira moeda já foi emitida com sucesso, mas ainda está longe de ser efetivamente implementada na economia.

Israel realiza primeiro teste com CBDC (Imagem: Avital Pinnick/Flickr)

Israel realiza primeiro teste com CBDC (Imagem: Avital Pinnick/Flickr)

O anúncio foi feito pelo vice-presidente do Banco de Israel, Andrew Abir, durante uma conferência no Fórum de Valor Justo do Centro Interdisciplinar de Herzliya. Ele disse que o primeiro teste já foi realizado com o modelo piloto da moeda digital do banco central. Também foi destacado que o foco da CBDC israelense é a evolução do sistema de pagamentos do país, e não a criação de “um ativo especulativo como o bitcoin (BTC)”.

Shekel digital vai demorar pelo menos cinco anos

Abir não se mostrou muito otimista quanto ao lançamento do shekel digital em um futuro próximo. “Eu havia estimado anteriormente que a chance de termos uma CBDC dentro de cinco anos seria de 20%”, disse ele. “Minhas expectativas aumentaram um pouco no último ano, principalmente porque outros países também estão avançando em suas moedas digitais. Porém, ainda acredito que há menos de 50% de chance de conseguirmos fazê-lo nesse prazo.”

Em maio, o Banco de Israel disse pela primeira vez que estava preparando um plano de ação para oferecer uma criptomoeda. Porém, a ideia para se emitir tal moeda está em discussão desde 2017. Os esforços do banco central israelense só se intensificaram recentemente, quando o governo viu a rápida evolução da economia e dos pagamentos digitais em outros países.

“A opção de se criar uma CBDC ainda está sendo examinada, e quando fizemos nossa declaração no mês passado, não era para dizer o que a estamos desenvolvendo, mas sim para compartilhar o que ainda não sabemos e receber o feedback do público”, disse Abir.

Objetivo é a digitalização dos pagamentos

Israel vem observando mudanças muito rápidas e significativas em seu ecossistema de pagamentos digitais nos últimos anos, que segue a tendência internacional de digitalização. As criptomoedas privadas e descentralizadas vem ganhando relevância como investimento e como reserva de valor. No país, moedas digitais vem sendo usadas também para transações internacionais.

Assim, o governo identificou a necessidade de suprir a demanda por finanças digitalizadas com uma moeda que o Banco de Israel possa controlar e emitir. Assim, a CBDC surge como uma alternativa para que o país ofereça uma opção totalmente regulamentada, segura e centralizada para que sua população não fique desfalcada no processo de digitalização das finanças, enquanto reduz a procura por criptomoedas privadas.

Segundo Abir, o Banco de Israel está mais preocupado em ficar por dentro das tendências globais nas finanças. “O sistema de pagamento em Israel está pelo menos uma década atrasado em relação a outros países”, disse ele. “Mas, no ano passado, começamos a fechar essa lacuna com a distribuição de uma infraestrutura que permite pagamentos contactless e a criação de carteiras digitais”.

Mesmo com CBDC, bancos ainda são necessários

“Estamos no meio de um processo de tecnologia disruptiva e não sabemos quem serão os vencedores. Serão os bancos, empresas de cartão de crédito, fintechs ou grandes empresas de tecnologia? Haverá mudanças nos próximos anos que ainda não conhecemos. Mas é claro que o sistema de pagamentos daqui a cinco anos não será o mesmo que o de hoje”, afirmou o vice-presidente do Banco de Israel.

Abir também esclareceu que a criação e implementação de uma moeda digital do banco central em Israel não irá eliminar a necessidade de instituições financeiras e bancos. “Nenhum banco central vai introduzir uma moeda digital para esse fim. Os bancos ainda terão um papel importante em todo o sistema de pagamentos”.

Ele também ressaltou que há diferenças significativas entre qualquer criptomoeda emitida por um banco central e as moedas digitais privadas mais conhecidas, como o bitcoin (BTC). “Estamos falando de um sistema de pagamento. O bitcoin não é um sistema de pagamento e não é uma moeda. Na melhor das hipóteses, é um ativo financeiro e, no pior dos casos, é um golpe de pirâmide”, concluiu o vice-presidente.

Com informações: Bloomberg, Jerusalem Post

Comentários da Comunidade

Participe da discussão
1 usuário participando