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Após promessas, Elon Musk admite que carros autônomos são “problema difícil”

Elon Musk previa carros elétricos da Tesla que dirigem sozinhos de Los Angeles até NY e servem como robotáxis; "não esperava que fosse tão difícil", diz CEO

Felipe Ventura Por

Elon Musk vem prometendo um futuro mirabolante para seus carros elétricos da Tesla: eles poderão dirigir sozinhos de Los Angeles até Nova York, mesmo sem ninguém ao volante; e até servirão como robotáxis para renderem dinheiro aos donos. Tudo isso seria possível ao comprar um kit que custa até US$ 10 mil a mais no preço do veículo. Agora, o CEO enfim reconhece que a condução autônoma é um “problema difícil”.

Elon Musk (Imagem: Peter Tsai/Flickr)

Elon Musk (Imagem: Peter Tsai/Flickr)

O que é Full-Self Driving (FSD) da Tesla?

Na página oficial sobre o Full-Self Driving (FSD), a Tesla explica que por enquanto nenhum de seus carros é totalmente autônomo. No entanto, os clientes podem se preparar para isso ao adquirirem o FSD Computer, “capaz de fornecer desempenho e controle inteligentes para permitir um novo nível de segurança e autonomia”. Isso utiliza o radar, sensores e câmeras embutidos no veículo.

O FSD Computer custa US$ 10 mil e requer um Model S, Model X ou Model 3, cujos preços começam em US$ 34 mil (considerando benefícios para carros elétricos nos EUA). No futuro, ele deve ser oferecido mediante pagamento de assinatura mensal.

O Full-Self Driving entrou em beta no ano passado, mas ainda tem muito a evoluir – ele está longe da condução autônoma, ao contrário do que o nome pode indicar. Em março deste ano, um motorista testou o FSD na versão 8.2 em um Model 3: o sistema cometeu uma série de erros, violando algumas leis de trânsito e quase batendo em outro carro.

Elon Musk promete carro autônomo da Tesla há anos

O lançamento do FSD acabou virando uma piada recorrente entre donos de veículos da Tesla, porque Musk sempre promete entregá-lo em breve e nunca cumpre o prazo – a ponto de um cliente alterar o nome do carro via aplicativo para “Duas Semanas”.

No Twitter, Musk deu esta resposta ao cliente:

Haha, o FSD 9 beta será lançado em breve, eu prometo! A condução autônoma generalizada é um problema difícil, pois requer a solução de grande parte da IA do mundo real. Não esperava que fosse tão difícil, mas a dificuldade é óbvia em retrospecto. Nada tem mais graus de liberdade do que a realidade.

Os “graus de liberdade” mencionados por Musk significam basicamente que há uma grande quantidade de variáveis para serem levadas em conta pela inteligência artificial.

Interior de carro da Tesla (Imagem: Divulgação)

Interior de carro da Tesla (Imagem: Divulgação)

No entanto, por muitos anos, Musk esteve confiante de que carros autônomos chegariam muito em breve. Confira a retrospectiva:

  • março de 2015: Musk afirma que a inteligência artificial de carros autônomos “é muito mais fácil do que as pessoas pensam… quase vejo isso como um problema resolvido
  • dezembro de 2015: Elon Musk prevê “autonomia completa” em carros da Tesla até 2018
  • janeiro de 2016: Musk garante que, em mais ou menos dois anos (até final de 2017), os veículos da Tesla poderão dirigir sozinhos entre duas cidades ligadas por terra e sem barreiras no caminho, “por exemplo se você estiver em Los Angeles e o carro em Nova York”
  • outubro de 2016: Tesla promete demonstrar autonomia completa até o final de 2017
  • abril de 2017: Musk prevê que, em cerca de dois anos (até 2019), motoristas poderão dormir enquanto o veículo dirige sozinho;
  • novembro de 2018: Tesla define prazo para demonstrar autonomia completa no final de 2019
  • fevereiro de 2019: Musk repete promessa de que FSD estaria “com recursos completos” até final de 2019, dizendo que “o carro conseguirá encontrar você em um estacionamento, pegar você e levar até o destino sem qualquer intervenção” do usuário
  • abril de 2019: Musk afirma que Tesla Model 3 poderá ser usado como “robotáxi”, rendendo dinheiro para os donos ao transportar passageiros de forma autônoma; o plano era ter 1 milhão de robotáxis nas ruas até 2020
  • janeiro de 2020: Musk diz que software do FSD estará “com recursos completos” até o final de 2020, explicando que isso “apenas significa que há alguma chance de poder ir da sua casa para o trabalho sem intervenção”, mas com a ressalva de que isso “não significa que os recursos vão funcionar bem”
  • outubro de 2020: Tesla lança versão beta do FSD para um pequeno grupo de usuários nos EUA, dizendo que os testes serão “extremamente lentos e cuidadosos”
  • janeiro de 2021: Musk promete que Tesla vai fornecer autonomia total (de nível 5) até o final de 2021

Será que agora vai? Lógico que é melhor o FSD demorar ainda mais se isso significar maior segurança para os motoristas, mas Musk precisa deixar isso claro. Este ano, a Tesla admitiu ao Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia que não espera avanços significativos do FSD para 2021, mesmo com o teste beta.

Com informações: The Verge.

Comentários da Comunidade

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Igor (@igor_meloil)

Não esperava que fosse tão difícil, mas a dificuldade é óbvia em retrospecto. Nada tem mais graus de liberdade do que a realidade.

É isso que dá um marketeiro ficar falando de aspectos técnicos pela empresa.

Enquanto não houver testes padronizados para homologação de sistemas autônomos esse tipo de coisa não vai ser implementada, empresa nenhuma vai querer ficar recebendo processo por sistema falho de outra empresa.

Excelente levantamento das declarações ridículos do Musk, @felipe

Aliás, pela terceira declaração dele os EUA são um país com estradas perfeitamente retar e sem nenhum trânsito né? Em que situação ele achou q isso seria viável?

² (@centauro)

Garanto que muita gente que mora em grandes metrópoles não sente prazer algum em dirigir porque, para eles, dirigir é sinônimo de ficar parado no congestionamento por horas.
É que nem quem fala que não gosta de câmbio automático porque perde a experiência ou qualquer coisa do gênero, mas muda de ideia quando experimenta um desses no vai-para-vai-para urbano.

De qualquer forma, um cenário muito possível é que carro não-autônomo vire um produto de nicho e com uso limitado (talvez até por força de lei restringindo a circuitos fechados os locais onde esses carros podem circular).