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OnePlus 9 Pro reduz velocidade para rodar Chrome, WhatsApp e Instagram

Mecanismo pode reduzir o desempenho de alguns apps no OnePlus 9 Pro; celular tem ficha técnica avançada com Snapdragon 888

Bruno Gall De Blasi Por

O OnePlus 9 Pro é um celular que traz especificações de ponta, como o processador Qualcomm Snapdragon 888. Ainda assim, o novo smartphone da OnePlus reduz a velocidade ao executar aplicativos como o Google Chrome, Instagram, WhatsApp, entre outros. É o que mostra um teste realizado pelo AnandTech nesta terça-feira (6).

OnePlus 9 Pro (Imagem: Divulgação/OnePlus)

OnePlus 9 Pro (Imagem: Divulgação/OnePlus)

A experiência parte de testes de benchmark feitos pelo site. O AnandTech explicou que, durante a análise, alguns aplicativos populares não conseguiram utilizar todo o poder de fogo do celular. Seria o caso do navegador Google Chrome, por exemplo.

Inicialmente, o site notou que o Google Chrome apresenta resultados inesperados para dispositivos com o mesmo processador. Neste caso, no teste Speedometer 2.0, o primeiro aplicativo alcançou 61,5 pontos. Em comparação, o Vivaldi teve 107 pontos.

Ainda assim, a observação não fica restrita somente à pontuação. Durante os testes, o Chrome só teve acesso aos núcleos Cortex-A55, dedicados às tarefas “mais leves” do dia a dia. O Vivaldi, por sua vez, chegou a utilizar o Cortex-X1. Porém, ao abrir e fechá-lo, o segundo navegador só conseguiu utilizar os recursos mais poderosos novamente depois de ser reinstalado.

Após esta análise, rastros de uma trava que impede o uso total do processamento foram encontradas no interior do sistema. Aparentemente, o mecanismo entra em ação ao executar um aplicativo que faça parte de uma espécie de “lista de bloqueio”, que o site não conseguiu encontrar. Em outras palavras: é possível que o OnePlus 9 Pro esteja restringindo a perfomance reduzida ao detectar a abertura de aplicativos específicos.

Os resultados com mais detalhes da publicação são relacionados ao Google Chrome e ao Twitter. Mas o site chegou a testar outros aplicativos que também foram afetados pela trava, como o Instagram, WhatsApp e até mesmo apps da própria OnePlus.

O AnandTech ainda afirma que o mecanismo se aplica a “praticamente tudo o que tem algum nível de popularidade na Play Store”. Por outro lado, há algumas exceções, como testes de benchmark e apps menos populares, como a Lyft, que compete com a Uber. Alguns jogos, como o Genshin Impact, também não foram limitados durante a análise.

OnePlus 9 Pro (Imagem: Divulgação/OnePlus)

OnePlus 9 Pro (Imagem: Divulgação/OnePlus)

Por que o OnePlus 9 Pro reduz a velocidade dos apps?

Ainda não está claro o motivo para a redução de performance em alguns apps. Mas a publicação sugere que o mecanismo pode servir para melhorar o consumo de energia e a prolongar a vida útil do telefone. Este comportamento, porém, tende a manter os resultados de benchmark e a experiência do usuário desalinhados, segundo o site.

Mesmo assim, é preciso considerar que esta limitação possivelmente não afeta a experiência no cotidiano, isto se não passar desapercebida. O site conta que o smartphone ainda apresenta um desempenho responsivo no dia a dia. Além disso, não há comentários em relação à problemas de perfomance do celular até o momento.

O AnandTech também informa que os testes foram executados no firmware de versão 11.2.6.6 e que não foi possível confirmar se o mecanismo também aparece em outros celulares da OnePlus.

Câmera do OnePlus 9 Pro (Imagem: Divulgação/OnePlus)

Câmera do OnePlus 9 Pro (Imagem: Divulgação/OnePlus)

OnePlus 9 Pro traz Snapdragon 888 em seu interior

O OnePlus 9 Pro compõe a nova safra de celulares da OnePlus. O telefone foi revelado ao público no final de março com o processador Qualcomm Snapdragon 888, o mesmo da linha Samsung Galaxy S21 dos Estados Unidos, em seu interior. Além disso, o smartphone está disponível em edições com até 12 GB de RAM.

Demais destaques ficam pela tela de 120 Hz. Na parte de trás, o conjunto fotográfico foi preparado em parceria com a Hasselblad e tem câmera principal de 48 megapixels. O smartphone ainda conta com uma bateria de 4.500 mAh e Android 11 de fábrica.

Na época, a opção com 8 GB de RAM e 128 GB de armazenamento chegou às lojas dos Estados Unidos por US$ 969 (cerca de R$ 5.035 em conversão direta). Já o modelo com 12 GB de RAM e 256 GB de espaço desembarcou no país por US$ 1.069 (R$ 5.555). Não há previsão de lançamento do OnePlus 9 Pro no Brasil.

Com informações: AnandTech

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Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Não é exatamente algo inusitado. Esse é justamente o princípio de se ter núcleos heterogêneos.

Uma aplicação que não demanda 8 núcleos de uma vez, vai consumir apenas o suficiente. Me parece no entanto que a solução da one+ é menos sofisticada a nível de sistema, atuando mais como uma lista pre definida e não como um sistema inteligente.

No iOS por exemplo, quando se abre um app ele dispara os núcleos, depois reduz até um nível confortável, se precisar mais, ele libera. E se for necessário ele usa todos os núcleos em simultâneo, formando um grande núcleo poderoso.

No Mac com M1 isso fica mais evidente, dada as exigências de um computador. Os núcleos de eficiência energética operam tarefas básicas e os de alto desempenho atuam em simultâneo nas tarefas pesadas. Então mesmo quando exigido ao máximo, a experiência geral não é afetada, pois tarefas banais estão sobre os núcleos de eficiência energética.

Gabriel Arruda (@gdarruda)

São casos diferentes. Mesmo que não usem o poder máximo, ainda se valem das tecnologias de uma litografia mais recente e de um ISP avançado.

Em termos, tudo isso faz sentido se bem usado. Litografia só é relevante para o usuário, se acompanhado de uma arquitetura que aproveita disso, para entregar mais desempenho ou maior eficiência. No caso, o produto final esquenta/consome muito, tanto faz se está em Samsung 5nm ou TSMC 7nm. A câmera foi muito hype para pouca diferença.

Pelos testes, outros smartphones são realmente mais rápidos para web, que é um caso de uso primordial para muitos suponho. Talvez tenha outras vantagens como GPU, mas juntando os avanços decepcionantes de câmera, preço maior e desempenho pior…não duvido que a maioria dos usuários preferisse outros smartphones mais em conta (OnePlus 8) ou com melhor uso do processador (Galaxy S21).

No iOS por exemplo, quando se abre um app ele dispara os núcleos, depois reduz até um nível confortável, se precisar mais, ele libera. E se for necessário ele usa todos os núcleos em simultâneo, formando um grande núcleo poderoso.

Tecnicamente falando não é um grande núcleo poderoso, mas ele consegue usar um em clocks altos. Muita tarefa não pode ser distribuída em vários núcleos, então uma estratégia boa é jogar tudo para um núcleo e aumentar o desempenho desse.

Por isso que, para navegar na web em Ryzen 5000, mesmo com 6 núcleos pode parecer mais rápido que um Threadripper de 64 com arquitetura mais antiga.

Em teoria, o Cortex X1 era para ser esse núcleo rápido para certas tarefas, mas não pelo jeito.

Das duas uma, a One+ fez isso para controlar alguma limitação térmica do aparelho ou não quis desenvolver uma solução mais complexa. Nos testes devem ter percebido que o usuário não notaria e optaram pela solução mais barata e rápida.

O ponto é que tem gente fazendo melhor, em teoria, cobrando pelo mesmo preço. Fazer uma blacklist é uma gambiarra, tem processos prioritários e não-prioritários dentro da aplicação, tipo uma aba em background e outra ativa.

A não ser que outros fabricantes façam o mesmo, eles estão entregando um produto melhor pelo mesmo preço, considerando que estou pagando pelo software também.