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Adoção de bitcoin em El Salvador deve limitar rede da criptomoeda

Após El Salvador tornar bitcoin (BTC) moeda oficial, especialistas da JPMorgan alertam sobre potencial congestionamento no blockchain da criptomoeda

Bruno Ignacio Por

El Salvador tomou os noticiários do mundo todo no início de junho, quando se tornou a primeira nação soberana a adotar o bitcoin (BTC) como uma moeda oficial. Porém, uma equipe do banco de investimentos americano JPMorgan Chase acredita que o uso da criptomoeda no país centro-americano para pequenas transações cotidianas pode congestionar seu blockchain, limitando ainda mais sua funcionalidade para pagamentos.

Nayib Bukele, presidente de El Salvador (Imagem: Reprodução/Presidencia El Salvador)

Nayib Bukele, presidente de El Salvador (Imagem: Reprodução/Presidencia El Salvador)

Um novo relatório do JPMorgan argumenta que a adoção de El Salvador ao bitcoin pode ser prejudicial para a rede do ativo e restritivo para os cidadãos salvadorenhos, que estão utilizando uma criptomoeda com pouca liquidez e mal otimizada para transações.

El Salvador congestiona blockchain do bitcoin

Diariamente, o volume negociado em bitcoin gira em torno de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões no mundo todo, sendo a maior parte desse montante concentrada em poucas transações gigantescas. Segundo os especialistas Steve Palacio, Joshua Younger e Veronica Mejia Bustamante, responsáveis pelo relatório, a maior parte das unidades da criptomoeda está trancada em carteiras digitais que não são movimentadas a pelo menos um ano. Com isso, a liquidez real da moeda digital é apenas uma pequena fração do suprimento total de BTC.

O estudo estima que o volume transacionado diariamente em El Salvador já representa cerca de 4% de todas as negociações com a criptomoeda e supera 1% do valor total movimentado em 2020. Assim, os especialistas do JPMorgan afirmam que a atividade no país deve causar uma “limitação significativa” no uso do bitcoin como moeda de troca.

Criptomoeda não é otimizada para pagamentos

Bitcoin apresenta baixa liquidez e alta volatilidade para ser usado como moeda de troca (Imagem: David McBee/Pexels)

Bitcoin apresenta baixa liquidez e alta volatilidade para ser usado como moeda de troca (Imagem: David McBee/Pexels)

No início de junho, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou e rapidamente aprovou seu plano de tornar a criptomoeda oficial no país. O principal objetivo é reduzir o custo das remessas internacionais enviadas por migrantes, que representam ainda cerca de 20% do PIB salvadorenho. Além disso, a região conta com uma baixa taxa de penetração bancária, então o bitcoin ajudaria a trazer serviços financeiros digitais acessíveis para uma maior parcela da população.

Porém, enquanto muitos apoiadores da moeda digital celebraram a decisão de El Salvador como um movimento que legitima o bitcoin, muitos outros criticaram a adoção oficial do ativo por uma série de motivos. “O bitcoin é o pior sistema de pagamento já inventado, é terrível”, disse William Quigley, cofundador da stablecoin Tether (USDT), em uma recente entrevista em vídeo. “Quase qualquer token é melhor do que bitcoin para pagamentos.”

Um desafio para a rede e para El Salvador

Enquanto o blockchain da criptomoeda é naturalmente limitado para transações em comparação com outras moedas digitais no mercado, o momento também é desafiador para a rede. Após a China intensificar a repressão ao bitcoin e a sua mineração no país, metade do mineradores do mundo pararam suas atividades, restringindo consideravelmente o poder de processamento global.

Por fim, o relatório da JPMorgan afirmou também que existem outros desafios para uma implementação nacional do bitcoin. Foi destacado que pesquisas indicam uma alta taxa de rejeição ao uso da criptomoeda como moeda de troca, enquanto sua alta volatilidade e conversão constante para o dólar americano podem trazer problemas monetários e fiscais para El Salvador.

Com informações: Bloomberg

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