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Magazine Luiza compra Kabum por mais de R$ 1 bilhão em aquisição recorde

Kabum é o maior e-commerce de produtos de informática e de universo gamer do Brasil e passa a ter seus produtos dentro do aplicativo do Magazine Luiza

Pedro Knoth Por

O Magazine Luiza anunciou a compra do Kabum em três fases, sendo a primeira um pagamento de R$ 1 bilhão à vista. A companhia deve ainda incorporar todas as ações da empresa de e-commerce de produtos de informática. É a maior aquisição já feita pela varejista, que também se tornou dona de outras 20 empresas no último ano e meio — incluindo a Plus Delivery, com foco em entrega de refeições.

CD do Kabum (Imagem: Kabum / Divulgação)

CD do Kabum (Imagem: Kabum / Divulgação)

Produtos do Kabum devem entrar no app do Magalu

Além de desembolsar R$ 1 bilhão à vista, o Magalu deve transferir 75 milhões de ações ordinárias para os acionistas do Kabum, ao longo de um ano e meio — atualmente elas valem cerca de R$ 1,7 bilhão. A terceira etapa da compra envolve o pagamento de outras 50 milhões de ações previsto para janeiro de 2024, condicionado ao cumprimento de metas.

O Kabum é o maior e-commerce de produtos de informática e gamer do Brasil e foi fundado em 2003. A empresa, com sede em Limeira, possui 2 milhões de clientes ativos e oferece 20 mil produtos em seu marketplace.

Com a aquisição, o Magalu expande ainda mais as categorias que passa a oferecer em seu aplicativo, que vai incluir itens do Kabum.

A varejista disse em comunicado que clientes do Kabum também terão acesso a produtos do Magalu, como smartphones e TVs, que complementam as compras no e-commerce de games e informática. Outros serviços oferecidos incluem cartões de crédito seguros.

Kabum teve faturamento bruto de R$ 3,4 bilhões em 1 ano

Em 2020, impulsionado pela pandemia, o Kabum teve um salto em vendas, que mais do que dobraram — aumento de 128%. Nos primeiros 5 meses de 2021, a tendência de alta continuou, e as compras no site cresceram mais 61%.

Nos últimos 12 meses, a empresa teve receita bruta de R$ 3,4 bilhões e obteve lucro líquido de R$ 312 milhões. Em comunicado ao mercado, o CEO do Magalu, Frederico Trajano, afirmou que esse nível de rentabilidade não é comum no e-commerce, o que demonstra a eficiência operacional do Kabum.

“Isso mostra que a empresa é muito alinhada com a filosofia do Magalu, que também apresenta crescimento acelerado com resultados sustentáveis”, completa Trajano.

Magazine Luiza (Imagem: Divulgação)

Magazine Luiza (Imagem: Divulgação)

É a 22ª aquisição feita pelo Magalu em um ano e meio. O Kabum deve, segundo a varejista, operar em conjunto com o canal Jovem Nerd, adquirido em abril, e com o site Canaltech, comprado em agosto de 2020.

Recentemente, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o Banco Central (BC) aprovaram a aquisição por R$ 290 milhões da Hub Fintech — que tem autorização para operar como uma instituição bancária pelo BC.

A compra traz mais um time de e-sports para o portfólio do Magalu. O Kabum Esports atua em jogos como Counter Strike, Free Fire, FIFA e League of Legends — nessa modalidade, o time disputa junto ao Netshoes Miners, que também pertence à varejista.

Magazine Luiza prepara follow-on de R$ 3 bilhões

Além de comunicar a compra de 100% do Kabum, o Magalu anunciou um novo follow-on — venda subsequente de ações ao mercado — liderado pelos bancos JP Morgan, Merrill Lynch, Banco do Brasil, Bradesco, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Santander e XP. Serão ofertadas 150 milhões de ações, o que deve gerar a captação de R$ 3,4 bilhões à companhia.

“Os recursos captados terão como destino a expansão do Magalu em novos mercados, investimentos em logística, com abertura de novos centros e hubs de distribuição, e o pagamento de aquisições estratégicas”, disse a varejista em nota. O fechamento da operação de compra está sujeito à aprovação do Cade e da assembleia geral de acionistas da companhia.

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@LeandroCSC

Dona Luiza Trajano é legal,gente boa, exemplo e tal…Mas não há muito o que se comemorar com isso, não. Eu como consumidor desse mercado brasileiro cada vez mais inflacionado ,não consigo. Espero que eu esteja enganado. Mas do ponto de vista que mais importa-preços-o consumidor perde nessa operação. E o Cade ficou em silêncio.

Josué Junior (@Josue.Jr)

Acho impressionante essa expansão rápida do Magazine Luiza nesses últimos anos, mas ao mesmo tempo fico preocupado com a concorrência diminuindo. Fico curioso para saber qual vai ser o novo alvo de compra deles.

Alisson Santos (@alisson)

Como vantagem vejo a introdução do Kabum na logística do Magazine Luiza. Kabum é um dos poucos grandes sites de vendas que não tem logística própria ou acordos de volume com transportadoras. Ao finalizar uma compra eles jogavam uma lista de transportadoras como quem diz “escolhe aí”. Parece algo vantajoso escolher a transportadora, mas a falta de uma parceria costuma encarecer os fretes. Muitas vezes deixei de comprar no Kabum em virtude do frete. Perdi as contas das vezes em que em outros sites o produto mais caro com “frete grátis” compensava mais que o mais barato com frete do Kabum.

Luis Carllos (@XxxStrangeManxxX)

Pessoal que me perdoe mas eu não vejo isso com bons olhos, mercado brasileiro já era carente de concorrência há anos e na última década só piorou. Agora que a Kabum vai fazer parte do Magazine Luiza é certo que irão lançar alguma marca com o “Maga não sei o que” e com o tempo a marca Kabum ir sumindo do mercado.

Dênis Corte (@denis)

Vem aí o Magabum

Eu (@Keaton)

Kabum teve faturamento bruto de R$ 3,4 bilhões em 1 ano

Vendendo placa de vídeo à preço de carro “popular” com um ano de uso é fácil. hahaha

Daniel R. Pinheiro (@DiFF7Skyns)

Pessoal falando da menor concorrência com a compra da Kabum, mas eu não vejo assim. Não me recordo da Magalu ter um setor de informática além de basicamente notebooks e impressoras. A Kabum é tipo a Netshoes, atua num segmento específico. A Kabum não “compete”, digamos assim, com a Magazine Luiza, assim como a Netshoes não competia.

Diminuição da concorrência teríamos, por exemplo, se a Magalu adquirisse a Nagem, além da Kabum.

@ksio89

Compete sim, a Magalu também vende mouses, teclados, monitores, placas de vídeo, SSDs, consoles, smartphones, licenças do Office 365 etc. Pode não competir em volume, mas ainda é um concorrente. E isso vendido diretamente por ela, por que se incluir marketplace a oferta é muito maior.

Daniel R. Pinheiro (@DiFF7Skyns)

Por isso eu usei aspas. Tem muita gente que nem sabe que a Magalu vende essas coisas. A Magalu compete com B2W, ML e Amazon no geral. Enquanto que a Kabum compete com iByte e Nagem em informática.

Claro que todos eles vendem informática, mas só os últimos são nichos, o que fazem com que a concorrência fique acentuada basicamente só neles (ok, o ML tbm).

Sérgio (@trovalds)

Pra mim diferença nenhuma. Comprei 2 vezes, numa delas tive problema e o pós-venda é nulo. Então se caparem as promoções, se diminuírem a oferta de produtos, se a loja sumir e virar magalu… já foi tarde.

Alex (@wuhkuh)

Eu acho legal ver uma empresa brasileira indo e tomando tamanho de Amazon, é importante mas é de se preocupar que eles estão comprando tudo, daqui a pouco não tem concorrência e aí como fica? Não fica né