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Criptomoedas são “hipercapitalistas e de direita”, diz criador do dogecoin

Co-criador do dogecoin (DOGE), Jackson Palmer retorna ao Twitter para criticar criptomoedas, argumentando que são uma tecnologia de enriquecimento dos ricos

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Jackson Palmer, co-criador da popular criptomoeda meme dogecoin (DOGE), foi ao Twitter nesta última quarta-feira (14) para criticar não somente sua criação, mas também todas as moedas digitais. Ele argumenta que se trata de uma tecnologia “hipercapitalista”, voltada para o enriquecimento dos ricos através de “evasão fiscal, supervisão regulatória reduzida e escassez artificialmente aplicada”.

Dogecoin (Imagem: Дмитрий Шустов/Flickr)

Dogecoin (Imagem: Дмитрий Шустов/Flickr)

O engenheiro de software não é um usuário de redes sociais, ele permaneceu quase que totalmente desconectado por dois anos, voltando oficialmente esta semana ao Twitter para comentar sobre algumas perguntas constantes que recebe. Palmer é uma das mentes por trás da criação do dogecoin em 2013, criptomoeda que foi lançada como uma sátira ao bitcoin, mas que ganhou fama e apoiadores em 2021.

Ele não comentou diretamente sobre a moeda digital baseada no meme de um cachorro Shiba Inu, nem mesmo quando seu preço disparou de menos de US$ 0,01 para seu atual recorde de US$ 0,74 em maio. Porém, ele se posiciona como um crítico das criptomoedas há muitos anos.

Criptomoedas são controladas por “cartel de ricos”

Para Palmer, as moedas digitais deveriam substituir o mercado financeiro, mas elas acabaram se tornando iguais ou piores, uma vez que driblam regulamentações através da tecnologia. Ele acrescenta que as criptomoedas servem para deixar os ricos mais ricos, em detrimento de investidores pequenos.

“Depois de anos estudando isso, acredito que as criptomoedas são uma tecnologia hipercapitalista, inerentemente de direita, construída principalmente para amplificar a riqueza de seus proponentes por meio de uma combinação de evasão fiscal, supervisão regulatória reduzida e escassez artificialmente aplicada”,

disse Jackson Palmer no Twitter.

“Apesar das alegações de ‘descentralização’, a indústria de criptomoedas é controlada por um poderoso cartel de figuras ricas”, continuou o engenheiro de software.”Com o tempo, elas evoluíram para incorporar muitas das mesmas instituições vinculadas ao sistema financeiro centralizado existente, que supostamente deveriam substituir.”

Palmer argumenta que a independência das criptomoedas dos sistemas financeiros convencionais também significa que elas não têm nenhum mecanismo para proteger os menos ricos. “Ser vítima de um golpe? Sua culpa”, disse ele.

“As criptomoedas foram praticamente criadas com o propósito de tornar o sistema de lucro mais eficiente para aqueles no topo e menos protegido para os vulneráveis​​… como pegar as piores partes do sistema capitalista de hoje (por exemplo, corrupção, fraude, desigualdade) e usar software para limitar tecnicamente o uso de intervenções (por exemplo, auditorias, regulamentação, tributação) que servem como proteções ou redes de segurança para a pessoa média”,

tweetou Palmer.

Palmer chamou Elon Musk de “vigarista egocêntrico”

Montagem publicada por Elon Musk no Twitter (Imagem: Reprodução/Twitter)

Montagem publicada por Elon Musk no Twitter (Imagem: Reprodução/Twitter)

Após a polêmica sequência de postagens no Twitter, ele explicou que não quer mais se envolver ou discutir sobre criptomoedas, dizendo que até mesmo as mais leves críticas atrai a ira das multidões de investidores do varejo e das “figuras poderosas que estão no controle da indústria”. “Um debate saudável é quase impossível”, concluiu.

Palmer havia retornado brevemente à rede social em maio para criticar Elon Musk logo após a Tesla deixar de aceitar bitcoin (BTC). Na ocasião, ele disse que o magnata “é e sempre será um vigarista egocêntrico”, mas apagou a postagem depois de uma hora. Na mesma ocasião, ele também comentou que a participação do bilionário no Saturday Night Live foi “cringe”.

Com informações: Gizmodo