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Internet fixa no Brasil tem 100 Mb/s de velocidade média, diz Ookla

Brasil tem velocidade média de 100,4 Mb/s de download e 57,8 Mb/s de upload; Vivo fornece conexões de banda larga mais rápidas

Lucas Braga Por

A Ookla, dona do Speedtest, divulgou os dados mundiais de acesso à internet banda larga do segundo trimestre de 2021. Pela primeira vez o Brasil ultrapassou a marca de 100 Mb/s de média de download, enquanto a internet móvel tem velocidade de 32,7 Mb/s. Confira quais as operadoras tiveram melhor resultado.

Teste de velocidade no 4G e 5G DSS na rede da Claro. Foto: Paulo Higa/Tecnoblog

Brasil ultrapassa casa dos 100 Mb/s na velocidade média de banda larga (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

O Brasil subiu duas posições e conquistou o 46º lugar no ranking global de internet fixa, na frente de países como Malásia, Itália, Reino Unido, Rússia, Austrália e Argentina. A nação com a melhor colocação é Mônaco, com média de 260,7 Mb/s, seguido de Singapura e Hong Kong. O local com a menor velocidade é o Turcomenistão, cuja média é de 4,49 Mb/s.

Quando o assunto é internet móvel (4G), a situação fica menos favorável: o Brasil ocupa o 76º lugar, com velocidade média de 32,7 Mb/s e atrás de nações como Filipinas, Costa Rica e República Dominicana.

Vivo tem internet fixa mais rápida, seguida de Oi e Claro

Para avaliar a qualidade da conexão, a Ookla criou uma métrica chamada de Speed Score: 90% dos resultados do indicador são atribuídos à velocidade de download enquanto os 10% restantes se referem ao upload.

Veja os resultados do ranking do segundo trimestre. Quanto maior a pontuação, melhor a conexão de internet:

Posição Operadora Pontuação
1º lugar Vivo 93,23
2º lugar Oi 78,97
3º lugar Claro 75,88

Oi tem pior ping na banda larga fixa

Quando se trata de latência, o cenário é menos favorável para a Oi: a operadora teve ping médio maior que as concorrentes. Quanto maior o tempo de resposta, pior o resultado:

Posição Operadora Ping médio
1º lugar Vivo 14 ms
2º lugar Claro 19 ms
3º lugar Oi 21 ms

Claro tem maior consistência na banda larga

Outro indicador adotado pela Ookla é o Consistency Score, que representa a porcentagem de testes que atingem velocidade mínima de 25 Mb/s de download e 3 Mb/s de upload.

Nesse parâmetro, a Claro obteve o melhor resultado. Veja:

Posição Operadora Consistência
1º lugar Claro 77,4%
2º lugar Vivo 76,5%
3º lugar Oi 72,6%

É fácil entender o motivo da Claro ter alcançado o primeiro lugar em consistência: a operadora consegue fornecer conexões residenciais de até 500 Mb/s através do cabo coaxial, e essa é a mesma tecnologia aplicada para 94% dos seus acessos.

Por outro lado, Vivo e Oi ainda possuem muitos clientes restritos à antiga tecnologia xDSL, que possuem velocidades inferiores a 25 Mb/s devido à distância entre a casa do cliente e a central da empresa. Para entregar velocidades maiores essas teles investem na expansão da fibra óptica, que ainda não chegou a todos os locais atendidos atualmente pela rede de cobre.

Goiânia é a capital com maior velocidade de internet fixa

A Ookla também divulgou as 10 capitais brasileiras com as maiores velocidades. Goiânia possui a maior velocidade média de download e upload, enquanto São Paulo (SP) só aparece no 7º lugar:

Posição Cidade Velocidade de download Velocidade de upload Latência
Goiânia 130,15 Mb/s 76,98 Mb/s 12 ms
Brasília 115,66 Mb/s 45,58 Mb/s 15 ms
Belo Horizonte 108,18 Mb/s 42,73 Mb/s 15 ms
Manaus 105,44 Mb/s 48,17 Mb/s 18 ms
Curitiba 105,37 Mb/s 51,25 Mb/s 12 ms
Fortaleza 105,14 Mb/s 66,66 Mb/s 9 ms
São Paulo 104,29 Mb/s 53,22 Mb/s 13 ms
Rio de Janeiro 94,88 Mb/s 36,47 Mb/s 14 ms
Salvador 89,7 Mb/s 48,53 Mb/s 12 ms
10ª Recife 86,66 Mb/s 52,07 Mb/s 11 ms

A velocidade média contratada nas grandes operadoras

A Anatel possui registro de velocidade de banda larga das maiores operadoras do Brasil, mas os dados mais recentes são de dezembro de 2020. Veja:

Operadora Velocidade média contratada
TIM 128,01 Mb/s
Algar 100,43 Mb/s
Claro 97,64 Mb/s
Oi 97,35 Mb/s
Vivo 67,02 Mb/s

Com informações: Ookla

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Islan Oliveira (@Islan_Oliveira)

Se uns 5 anos atrás me dissessem que a internet do Brasil hoje estaria nesse patamar, eu diria que a pessoa era sonhadora.

undefined (@el_dust)

“Velocidade média” = se uma pessoa tiver 10 Mbps e o vizinho tiver 200 Mbps, na média eles vão ter ~100 Mbps.

O ideal seria ver os dados brutos (infelizmente a Ookla cobra por isso), já que a média é muito fácil de ser influenciada por quem usa velocidades mais altas.

² (@centauro)

Ou pelo menos a mediana junto com a média.

Douglas Amorim (@Douglas_Amorim)

Agradeçam aos pequenos provedores que se moveram e enxergaram a oportunidade.

Sou de uma cidade de 170 mil hab da RMBH e aqui as grandes nunca colocaram os pés (só Oi Velox, na verdade), apesar de ser divisa conurbada com BH. Dependíamos da via rádio, que até evoluiu para uma antena com receptor digital, mas continuava um lixo.

Em 2017 meu provedor local mudou pra fibra ótica e desde então só alegria, hoje pago R$ 80 por 80 Mbps (tem planos de até 1 Gbps) e eles entregam entre 60 e 80 Mbps na maior parte do tempo, quase nunca cai, com latência de 2 ms na própria rede e uns 15 ms pra outros provedores.

E eis que o mundo deu voltas: tenho VÁRIOS conhecidos de bairros classe média de BH que não tem fibra ótica ainda rs enquanto que Ibirité, minha cidade, é quase que totalmente atendida pelas empresas pequenas DESDE 2017.

André Noia (@Andre_Noia)

Isso dos bairros nobres não terem fibra (ou serem limitados a um serviço) tem relação com espaço físico para passar os cabos. A maioria desses locais tem redes subterrâneas que já estão entupidas de cabos antigos, mas que seguem com pessoas assinando esses serviços. A Oi não vende mais xDSL, mas também não migrou esses clientes. Sem falar que ainda tem a barreira dos prédios não comportarem mais cabos. Daí a empresa não investe na atualização da região porque sabe da barreira dos condomínios. Seria jogar dinheiro fora porque dificilmente haveria um acordo com um prédio inteiro pra que todo mundo migre de tecnologia.
Já em região metropolitana vc tem basicamente casas e uma infinidade de fios pendurados em postes.

Douglas Amorim (@Douglas_Amorim)

Hoje em dia só tem menos de 10 Mbps quem é muito pobre ou mora no mato. Qualquer cidade com o mínimo de infraestrutura já tem internet boa, muitas vezes com tecnologia fibra ótica ofertada por empresas locais.
PS: não tirei isso de nenhum estudo, mas é possível perceber que é assim.

Coqueiro (@Coqueiro)

O site Minha Conexão tem dados mais detalhados sobre a velocidade no Brasil porém eles não possuem um histórico dos dados

Coqueiro (@Coqueiro)

Próximo passo é competição entre provedores regionais. Aqui pagavamos R$ 100 por 30 megas (interior do Piauí) mas no dia que chegou um concorrente ofertando 440 megas por R$ 100 eles deram um upgrade no nosso plano, de 30 para 200 megas e colocaram um roteador 5Ghz. A menor velocidade ofertada na cidade é 200 megas por R$ 80 e 1 giga custa R$ 230. Em poucos dias a velocidade da internet na cidade melhorou drasticamente.

Bruno Cabral Peixoto (@Bruno_Cabral_Peixoto)

Aqui, migrei pro plano de 450 Mbps da Sumicity (129 R$), o plano básico é 89 R$.
O resultado da migração:

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Zireael (@Zireael)

Eu moro em uma cidade pequena do Pará, não tem nem 90K de habitante mas a média de velocidade aqui é bem alta.

Lucas Braga (@LucasBraga)

Esse é apenas um dos fatores.

Nas áreas nobres já existe concorrência das grandes operadoras com internet rápida. Conseguir cliente nesses locais é mais difícil em comparação com as regiões pouco o não-atendidas pelas grandes empresas.

Outro ponto importante é a falta do triple-play: usuários de alta renda também querem TV por assinatura, enquanto os pequenos provedores não costumam fornecer esse serviço.