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Grupo queima obra original de Picasso para “eternizá-la” como NFT

Coletivo Unique One queimou o rascunho original de Pablo Picasso “Fumeur V" para "eternizá-lo" no blockchain através da criação de NFTs

Bruno Ignacio Por

Na última quinta-feira (15), o grupo Unique One divulgou algo ultrajante para uns e genial para outros: eles adquiriram um rascunho original de Pablo Picasso, de 1964, e queimaram a obra. Foram criados então dois tokens não fungíveis, ou NFTs, um representando a peça original, e outro os seus restos.

Coletivo artístico queima rascunho original de Picasso e "eterniza" obra no blockchain (Imagem: Reprodução/YouTube)

Coletivo artístico queima rascunho original de Picasso e “eterniza” obra no blockchain (Imagem: Reprodução/YouTube)

O coletivo artístico disse no site oficial do projeto nomeado “The Burned Picasso” que seu objetivo era “eternizar no blockchain” o rascunho original do famoso artista. Conhecida como “Fumeur V”, a obra foi comprada pelo grupo em abril de 2021 em um leilão na Christie’s por cerca de US$ 20 mil.

A ideia inicial era criar apenas um NFT correspondente à peça original, mas o coletivo Unique One afirmou que algo surpreendente acontece no processo de destruição da obra. Os restos queimados do rascunho mantiveram o desenho de Picasso, o que levou à criação de um token não fungível adicional.

Os “The Burned Picasso 1” e “The Burned Picasso 2”, representando a versão original e a queimada respectivamente, estão registrados no Unique One Art Marketplace. A segunda peça já está a leilão sob o preço inicial de 0,25 ether (ETH), o equivalente a cerca de US$ 450. O token permanecerá disponível por mais dez dias e ainda não há nenhum lance. Já o NFT da obra original ainda não está à venda.

NFT "The Burned Picasso", edição 2 (Imagem: Reprodução/ Unique One Art Marketplace)

NFT “The Burned Picasso”, edição 2 (Imagem: Reprodução/ Unique One Art Marketplace)

Queima de obra é “destruição criativa”

“A ideia é preservar a peça transformando-a em algo imutável e transferindo o valor do mundo real para o NFT”, disse o curador de arte da Unique One Network, Pandu Sastrowardoyo. Em uma entrevista à Knew Amsterdam Radio, o porta-voz do coletivo artístico também falou sobre o simbolismo de se queimar algo e como isso é associado à censura.

O apresentador do programa Flobo Boyce questionou Sastrowardoyo: “Por que queimar? Por que fazer uma coisa que está basicamente ligada à censura quando se trata de destruir a arte e partes da cultura?”

O representante da Unique One reconheceu a relação histórica da queima de símbolos culturais com a censura, mas refutou a ideia de que uma coisa estaria necessariamente relacionada a outra. Para Sastrowardoyo, no universo do blockchain existe a “destruição criativa”, algo que eterniza uma peça física e que até mesmo questiona o que é real, uma vez que se pode atribuir valor a essas criações digitais, assim como acontece com as obras físicas.

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Júlio César (@Potrinho)

É impressionante a quantidade de tapado que tem no mundo

Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

Falhei em tentar achar as palavras apropriadas pra descrever tamanho absurdo.

🤷‍♀️ (@xavier)

O token permanecerá disponível por mais dez dias e ainda não há nenhum lance.

Rafael Machado de Souza (@rafael.mds)

Tomara que se [email protected] hahahha

Igor (@igor_meloil)

Aonde raios alguém acharia isso genial? Só se foram os imbecis que fizeram isso

Giovani (@Giovani)

Vai aparecer algum otario pra participar desse “crime” comprando essa bos*a.

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

Cada um faz o que quer, mas não compactuo com a destruição de algo tão único que conseguiu sobreviver 57 anos intacto antes de cair na mão de alguém que tentou destruí-lo.

Dava para criar o NFT e manter o original sem problemas, o mesmo até poderia ser um bônus o que certamente aumentaria o valor do leilão do token.

Matheus Motta (@Matheus_Motta)

Não tem como processar esses filhos da p#[email protected] por atentado contra a humanidade não??

ivanilton (@ivanilton)

Tapado é até elogio, e um bom elogio, a estupidez do ser humano já está ultrapassando o infinito

Agronopolos Brazzi (@Agronopolos)

Tecnicamente a obra é deles e poderiam fazer o que quiser com ela.
Leis locais de itens que tal obra onde estava ligada pode processar por destruição de item de valor histórico (mas deveria já estar cadastrado, senão não tem validade)

Igor Pamplona (@Igor_Pamplona)

patrimônio cultural/histórico da humanidade. não é muito diferente do daesh que destruiu estátuas, templos e sítios arqueológicos milenares

Tech Nerd 🤓 (@technerd)

Todos sabem que sou defensor de criptomoedas, blockchain e NFT, mas essa pessoa deveria ser presa para servir de exemplo para aqueles que querem destruir obras irreplicáveis e de inestimável valor sócio-cultural.

André Leonardo Heidemann (@Andre_Leonardo_Heide)

Realmente, a imbecilidade não tem limites… É incrível a que ponto pode chegar…

· (@Francisco)

Estão se equiparando ao ISIS ao destruir obras de arte. Criptomoedas viraram coisa de louco, tenho até vergonha de dizer que utilizo para não ser taxado de louco. Haha

William S. (@ouileeam)

Nossa vey quando eu vejo algo sobre NFT’s já reviro os olhos e nem clico na matéria, mas essa tive que conferir e foi de lascar. PQP!!

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