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YouTube apaga 14 lives de Bolsonaro e vídeo sobre cloroquina contra COVID-19

YouTube derrubou vídeo de médica e lives de Bolsonaro com Pazuello e Damares; em todos, há a defesa da cloroquina e ivermectina no tratamento da COVID-19

Pedro Knoth Por

O YouTube derrubou 15 vídeos do canal de Jair Bolsonaro na última quarta-feira (21). Dentre os conteúdos retirados do ar pela plataforma, 14 são lives do presidente, que ele realiza semanalmente a cada quinta-feira, e uma se trata de um vídeo compartilhado no qual a médica Nise Yamaguchi defende o tratamento da COVID-19 com uso de hidroxicloroquina e ivermectina, dois remédios sem eficácia comprovada.

Live de Bolsonaro do dia 24/06 (Imagem: Reprodução)

Live de Bolsonaro do dia 24/06 (Imagem: Reprodução)

YouTube suspendeu vídeos que defendiam cloroquina

A retirada do conteúdo do canal de Bolsonaro é a atitude mais dura já tomada pelo YouTube desde que o chefe do executivo estreou na plataforma.

Segundo a plataforma, os vídeos violaram regras que não permitem afirmações de que “hidroxicloroquina e ivermectina são eficazes para tratar ou prevenir a COVID-19”.

A primeira violação das diretrizes da comunidade é grave e gera um aviso. Como consta na página do YouTube sobre o tema, se o usuário postar mais conteúdos que violam as normas, ele será suspenso da plataforma por uma semana e ficará impedido de publicar vídeos. Caso repita a infração por mais duas vezes, dentro de 90 dias, sua conta é banida permanentemente.

A plataforma derrubou lives do presidente mais antigas, como uma realizada no dia 6 de agosto de 2020, que contou com a participação do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Vídeos mais recentes também foram apagados, como uma transmissão ao vivo feita no dia 27 de maio direto do Amazonas — uma delas contou ainda com a presença de Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Lives de Bolsonaro violam diretrizes do Ministério da Saúde

Outros vídeos de Bolsonaro já haviam sido retirados pelo YouTube, mas conteúdos sobre hidroxicloroquina, ivermectina e o chamado “tratamento precoce” não desobedeciam às políticas sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Até que na semana passada a pasta reconheceu que esses medicamentos são ineficazes contra o coronavírus, o que leva o YouTube a derrubar as lives com base em “diretrizes que estão de acordo com a orientação das autoridades de saúde locais e globais”.

Leia o comunicado do YouTube ao Tecnoblog:

“Após análise cuidadosa, removemos vídeos do canal Jair Bolsonaro por violar nossas políticas de informações médicas incorretas sobre a COVID-19. Nossas regras não permitem conteúdo que afirma que Hidroxicloroquina e/ou Ivermectina são eficazes para tratar ou prevenir COVID-19; garante que há uma cura para a doença; ou assegura que as máscaras não funcionam para evitar a propagação do vírus.

Essas diretrizes estão de acordo com a orientação das autoridades de saúde locais e globais e atualizamos nossas políticas conforme as mudanças nessas orientações. Aplicamos nossas políticas de forma consistente em toda a plataforma, independentemente de quem seja o produtor de conteúdo ou de visão política.”

O canal de Bolsonaro teve 33 vídeos deletados pelo YouTube desde abril. Contudo, em uma transmissão mais recente, realizada no dia 10 deste mês, o presidente questiona o número de mortos pela pandemia e volta a defender o tratamento precoce. Essa live ainda não foi derrubada.

Com informações: Metrópoles

Comentários da Comunidade

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Igor (@igor_meloil)

Única razão que eu vejo q essas lives não deviam ser apagadas é por serem meio de comunicação oficial do presidente, logo, tudo que ele disse eventualmente seria usado contra ele em julgamento sobre a postura dele na pandemia. Mas, entendo que talvez seja melhor isso do q espalhar mais mentira

Danílio Costa da Silva (@Daniliocs)

Ah, certamente o Google mantém uma cópia, se não me engano a CPI pediu uns videos de outra pessoa, já deletados e o YouTube mandou tudo.