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Videogames e TVs sofrem aumento de preço no Brasil com alta de 36% nas peças

Inflação de TVs e consoles aponta que ambos tiveram alta de preços acumulada de mais de 10% em 2021; empresários temem que aumento prejudique retomada industrial

Pedro Knoth Por

A escassez de matéria prima e de semicondutores que assola a indústria mundial também impacta o Brasil, que sofre reajuste de 36% no preço de partes avulsas e peças. Dentre os setores mais afetados, estão o de eletroeletrônicos, que inclui televisores e consoles. Em 2021, a categoria de TVs teve uma inflação acumulada de 14,40%, enquanto os consoles sofreram alta de 11,59%. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

TVs e consoles devem estão 10% mais caros desde o começo do ano (Imagem:
Jeshoots.com/Unsplash)

Em 12 meses, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), medido pelo IBGE, acumulou uma alta de 36%. Em maio de 2021, esse índice sofreu um aumento de 1 ponto percentual em relação a abril.

O IPCA-15 — índice usado para medir a alta da inflação no país — teve uma alta de 0,72% no mês de junho, a maior desde 2004. Contudo, ao avaliar esse mesmo índice no setor de TV, Som e Informática, que inclui televisores e consoles, nota-se uma alta acima da média, de 1,21%. No agregado de 2021, houve um reajuste de 8,82%.

Empresários temem que alta de preços atrase recuperação

A falta de insumos já é a maior reclamação dos empresários da indústria brasileira. A Confederação Nacional da Indústria diz que 60% apontaram a escassez e a alta nos preços como o principal problema que ameaça a recuperação do setor.

Diversas empresas de eletroeletrônicos ouvidas pelo jornal O Globo relataram que estão adiando lançamentos e se esticando prazos para atender demandas de clientes devido à escassez de partes essenciais, como chips.

A Intelbras teve de se aproximar de parceiros estratégicos para garantir o fornecimento. Segundo Ado Rafael Feijó, diretor de Suprimentos, a empresa teve de antecipar pedidos.

A Fast Shop é mais uma que sofre com a alta da inflação no setor de TV, somada ainda com a alta no dólar. Eduardo Salem, diretor-geral da Fast Shop, afirma que não há mais a escassez observada no início da pandemia, quando a China paralisou as fábricas, mas uma redução no volume de entregas. “Alguns fabricantes globais vêm priorizando os mercados mais desenvolvidos, onde a demanda já é maior, afetando assim os outros países”, completou.

Executivos de Intel e Qualcomm prevêem escassez até 2022

Se do lado dos fabricantes a falta de demanda preocupa, do lado dos fornecedores há a dificuldade em se adaptar.

O diretor de marketing da Intel, Carlos Buarque, prevê que a oferta de chips só volte ao normal em 2023. A estratégia da companhia foi priorizar a distribuição para segmentos de informática geral e de servidores, em detrimento a outros ramos, como o de automóveis e IoT.

“Passou a ter fila de espera em alguns setores. No caso de celulares, o impacto foi mais no volume de itens e não nos lançamentos. Não vendemos mais por falta de produção”, disse Buarque ao Globo.

Já a Qualcomm, dirigida pelo brasileiro Cristiano Amon, afirma que setores devem enfrentar problemas até o final de 2022. A empresa, segundo o CEO, vem investindo em aumentar a capacidade de fornecimento, e fez mudanças nos processos para fabricar o mesmo produto em 2 a 3 fábricas diferentes.

“Se existir alguma empresa hoje no mercado de semicondutores que não tem problema de oferta, tem que ficar preocupado com essa empresa, porque há mais demanda que oferta em todos os produtos”, diz Amon.

Com informações: O Globo

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