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Intel vai fabricar chips para Qualcomm e quer “abandonar” nanômetros

Em nova fase, Intel anuncia fabricação de chips para terceiros e tecnologias como Intel 20A, que deixam de focar em nanômetros

Emerson Alecrim Por

A Intel tem um novo modelo de negócio. A companhia anunciou, na tarde de segunda-feira (26), a divisão Intel Foundry Services, que visa produzir chips para terceiros e, assim, concorrer com a TSMC e a Samsung. Os primeiros clientes já foram revelados: Qualcomm e Amazon.

Wafer de chips Meteor Lake (imagem: divulgação/Intel)

Wafer de chips Meteor Lake (imagem: divulgação/Intel)

Um anúncio como esse era esperado desde o início do ano. A Intel é uma das poucas companhias que fabricam os próprios chips, mas, em março, a empresa revelou o plano de investir US$ 20 bilhões na expansão de sua capacidade de produção, não necessariamente para aumentar os próprios estoques, mas para produzir semicondutores para outras companhias.

Esse é o modelo de negócio da TSMC, líder do segmento. Samsung e GlobalFoundries também fabricam chips para terceiros. Surgiram até rumores de que esta última seria comprada pela Intel por US$ 30 bilhões, mas tudo indica que a negociação, se realmente existiu, não avançou.

Por ora, os detalhes sobre os chips que serão produzidos pela Intel à Qualcomm são escassos. Sabe-se apenas que essas unidades serão baseadas na tecnologia Intel 20A, que estará disponível a partir de 2024 (você já vai descobrir o que é isso).

Sobre a Amazon, a informação é a de que a Intel Foundry Services produzirá chips feitos sob medida para os servidores da plataforma Amazon Web Services (AWS).

Intel 20A e o “fim” dos nanômetros

A Intel tem uma meta clara: voltar à liderança da indústria de semicondutores até 2025. A criação da Intel Foundry Services é apenas parte desse plano. Outra é uma reformulação do roadmap de tecnologias da companhia.

Essa reformulação inclui uma nova abordagem para os processos de fabricação. A Intel vai deixar de destacar os nanômetros e, em vez disso, adotará nomes como Intel 7 e Intel 20A.

Por quê? Hoje, os processadores mais avançados da empresa têm uma tecnologia de 10 nanômetros que, pelo menos até certo ponto, é comparável aos chips de 7 nanômetros da TSMC ou da Samsung. Provavelmente, a companhia desenvolveu a nova nomenclatura para evitar esse tipo de comparação, que faz a sua tecnologia parecer ultrapassada.

Em resumo, vai ficar assim:

  • Intel 7: esperada para o fim de 2021 na linha Alder Lake, corresponde a chips de 10 nanômetros melhorados em relação à geração atual, com desempenho por watt otimizado em 10-15%;
  • Intel 4: com fabricação prevista para o segundo semestre de 2022 e vendas em 2023, os chips Intel 4 terão processo de 7 nanômetros e rendimento por watt 20% melhor na comparação com os processadores Intel 7;
  • Intel 3: prevista para a segunda metade de 2023, essa tecnologia será uma versão melhorada do processo de 7 nanômetros; espera-se um desempenho por watt 18% melhor em relação aos chips Intel 4;
  • Intel 20A: esperada para 2024, essa é uma tecnologia baseada em uma nova arquitetura de transistor chamada RibbonFET; aqui, a Intel passa a fazer as medições em angstrom, não em nanômetros (daí a letra ‘A’ no nome).
Novo roadmap de tecnologias da Intel (imagem: divulgação/Intel)

Novo roadmap de tecnologias da Intel (imagem: divulgação/Intel)

RibbonFET e PowerVia

Um angstrom equivale a 0,1 nanômetro, logo, é de se imaginar que os chips 20A terão 2 nanômetros (20 x 0,1). Mas não é assim: esses chips contarão com processo de 5 nanômetros e, em 2025, deverão ser sucedidos pela tecnologia Intel 18A. Esta também será baseada em 5 nanômetros, mas com um processo otimizado.

Lembre-se, porém, que a Intel pretende tirar o foco sobre os nanômetros. A razão disso é que, a partir da tecnologia Intel 20A, a companhia irá combinar as tecnologias RibbonFET e PowerVia.

A arquitetura RibbonFET entrará no lugar do padrão FinFET, adotado pela Intel desde 2011, e promete velocidades de comutação mais rápidas, além de maior densidade de transistores.

Na prática, o que a companhia fará é adotar transistores do tipo Gate-All-Around (ou GAAFET), que podem ser otimizados mais facilmente em prol do desempenho e do menor consumo de energia. Vale destacar que TSMC e Samsung também pretendem adotar esse tipo de transistor em algum momento.

Já a tecnologia PowerVia otimiza a transmissão de sinal por eliminar a necessidade de roteamento de energia na parte frontal do wafer do chip. O que isso significa?

Hoje, a fabricação de um circuito envolve adicionar uma camada de transistores e, acima desta, várias camadas de material metálico para a comunicação dos diferentes componentes do chip.

Com a tecnologia PowerVia, a camada de transistores é posicionada no meio, como se formasse um sanduíche. De um lado ficam os componentes de comunicação; do outro, os que são relacionados ao consumo energético. Em tese, esse método simplifica as conexões, melhorando os parâmetros de alimentação elétrica.

Agora vai?

Pat Gelsinger, CEO da Intel (imagem: divulgação/Intel)

Pat Gelsinger, CEO da Intel (imagem: divulgação/Intel)

É cedo para sabermos se todas essas mudanças serão suficientes para a Intel alcançar a meta de voltar à liderança do setor até 2025, mas uma coisa é certa: a chegada de Pat Gelsinger como CEO trouxe uma nova perspectiva para a empresa.

Cumprir o cronograma apresentado vai ser um grande desafio, mas a Intel parece ter se preparado para isso: além do próprio Pat Gelsinger, um veterano que contribuiu para o projeto do lendário processador 80486, a empresa passou os últimos meses contratando (e recontratando) vários especialistas em semicondutores.

A despeito da nova, mas confusa nomenclatura, talvez seja o momento de dar um voto de confiança à companhia.

Comentários da Comunidade

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Jhonny (@jokalokao)

Eles não querem mais memes como o 14nm++++++++

João Almeida (@Joao_Almeida)

Escondendo os nanômetros pq n conseguem fazer menor kkk

Eu (@Keaton)

EXCUSE-ME, IT’S CALLED 140A++++++++++++,

Islan Oliveira (@Islan_Oliveira)

Deixando confuso pra ninguém saber qual produto possui qual tecnologia, que nem a nomenclatura padrão do USB.

Desenvolvimentista (@mandatario)

Se vc não pode competir!
Você inventa um monte de coisas para camuflar a sua merdiocriodade!
Merdio mesmo rsrsrsr

Luis Carllos (@XxxStrangeManxxX)

“Você não é tão bom assim, é um fracassado”

Goku sobre a Intel.
Jonathan (a.k.a Halls) (@akahalls)

Esse tópico nunca me orgulhou tanto! Assim que li a matéria vim correndo pra a Comunidade e me deparei exatamente com as piadas que esperava!

Mateus B. Cassiano (@mbc07)

Engraçado a galera caindo matando em cima da Intel por abandonar a nomenclatura de nanômetros, sendo que há anos isso não passa de um termo de marketing (mesma coisa com a TSMC e a Samsung). A Intel se enrolou bastante na transição dos 14 nm para os 10 nm, mas parece estar de volta nos trilhos.

Para comparação, o processo de fabricação de 10 nm da Intel entrega a mesma densidade de transistores dos “7 nm” da TSMC e uma densidade maior se comparado com os “7 nm” da Samsung, nada mais justo chamarem de Intel 7 na nova nomenclatura do que aguentar fanboys dizendo que os “7 nm” da concorrência é mais avançado…

@ksio89

Demorou demais para postarem um comentário sensato como esse. A Intel está certa em abandonar a designação da litografia, já que os leigos não entendem que hoje dizer “processo de x nanômetros” virou marketing.
Tanto é que a 11ª geração da Intel, que “ainda” usa 14nm, está concorrendo de igual para igual com os Ryzen 5000 da AMD, que usa 7nm da TSMC.

Nem me fale, nomenclatura de revisão USB virou palhaçada. Antes era muito simples por ser apenas um dígito.dígito, tipo 2.0, 3.0, 3.1 etc. aí depois o consórcio viu que era muito simples e resolveu complicar pra confundir o consumidor, inventando 3.X Gen Y 2x2 etc.

Jhonny (@jokalokao)

Mas ninguém aqui está falando mal por abandonar a nomenclatura, exceto por escolher uma nova confusa. Todas as piadas foram em relação a má reputação que a Intel quer deixar pra trás.

Em poder de fogo sim, em consumo energético não, e é uma diferença importante. Apesar que a AMD na próxima geração também vai subir os requisitos de consumo

Mateus B. Cassiano (@mbc07)

Acho que o ponto aqui é que apesar de consumir bastante energia, o desempenho dos 14 nm da Intel ainda consegue bater de frente com os 7 nm da AMD. Da última vez que isso aconteceu do lado vermelho com a linha Bulldozer, o resultado foram chips consumindo horrores mas ainda sim perdendo feio para os concorrentes do lado azul na época, onde um Core i5 conseguia superar com facilidade os AMD FX-8xxx (que no papel eram para concorrer com o i7)…