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Saraiva, em recuperação judicial, falha em venda milionária de operações

Em recuperação judicial desde 2018, Saraiva tentou vender parte de suas operações pela 3ª vez, mas não houve interessados

Emerson Alecrim Por

Se outrora a Saraiva era a maior rede de livrarias do Brasil, hoje, a empesa agoniza em uma crise que parece não ter fim. Em recuperação judicial, a companhia tenta vender parte de suas operações para diminuir a sua dívida. Na última tentativa, realizada neste mês de agosto, a Saraiva esperava obter pelo menos R$ 90 milhões, mas nenhum comprador apareceu.

Loja da Saraiva (imagem: Humberto Souza/Saraiva)
Loja da Saraiva (imagem: Humberto Souza/Saraiva)

É o que aponta o PublishNews. O veículo afirma ter obtido de uma fonte interna da Saraiva que a tentativa de venda falhou e que, agora, a empresa busca alternativas ao plano.

Alternativas são mesmo necessárias, pois o plano de venda falhou pela terceira vez. Na primeira tentativa, realizada em abril deste ano, a Saraiva esperava arrecadar R$ 189 milhões com a venda de 23 lojas físicas ou R$ 150 milhões com a venda de suas operações online.

Existia ainda a possibilidade de venda de uma combinação dos dois negócios, mas não houve interessados em nenhuma dessas propostas.

A segunda tentativa de venda aconteceu em maio, mas com uma revisão das metas de arrecadação: R$ 113,5 milhões para as lojas físicas ou R$ 90 milhões pelas operações de comércio eletrônico. Mas, novamente, nenhum interessado apareceu.

Um edital de leilão publicado em 12 de agosto mostra que, para a terceira e mais recente tentativa de venda de operações, esses valores foram mantidos. Você já sabe o que aconteceu.

Saraiva está em recuperação judicial

A crise da Saraiva se arrasta há anos. Com dívida declarada de R$ 675 milhões, a companhia deu entrada em um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo em novembro de 2018.

O plano de recuperação foi aprovado em agosto de 2019 e, desde então, a Saraiva executou processos de demissão de funcionários e fechamento de lojas físicas.

Mas não foi o suficiente. Com a sua crise agravada em parte pela pandemia de COVID-19, a Saraiva conseguiu aprovar, em fevereiro de 2021, um aditamento ao seu plano de recuperação judicial junto a seus credores. No mês seguinte, o aditamento foi aprovado pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.

As tentativas de vendas de operações fazem parte do novo plano de recuperação judicial. Além de quitar parte das dívidas, a Saraiva espera usar o valor obtido com a transação para manter o que restar de seu negócio. Isso se houver uma quarta tentativa de venda.

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Eu (@Keaton)

Eu compro. Tenho um pacote de bolacha maria. Será que eles aceitam?

Falando sério… como a Saraiva conseguiu uma divida desse tamanho?!

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

É uma pena ver a empresa neste estado, a Fnac também não resistiu aqui no Brasil, e a Livraria Cultura também não está muito melhor. Apesar de não ser um consumidor frequente de livros, apreciava muitos desses ambientes das livrarias, sendo locais ótimos para passar o tempo relaxante com um cafézinho.

É aquilo de empresa grande, vai deixando acumular e tirando empréstimo para pagar o que deve, uma hora o esquema desmorona. Como o mercado de livros sofreu com ebooks e Amazon (que compra dos fornecedores no ato), os ganhos foram só diminuindo e prejuízo só subindo.