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WhatsApp é acusado de mentir sobre criptografia, mas rebate: “mal-entendido”

Enquanto organização investigativa afirma que WhatsApp viola sua própria política de privacidade, empresa esclarece que tudo não passa de um mal-entendido

Bruno Ignacio Por

O WhatApp teve a integridade de sua política de privacidade e sistema de criptografia de mensagens ponta a ponta questionada e então reafirmada no mesmo dia. Nesta terça-feira (07), uma reportagem da organização de jornalismo investigativo sem fins lucrativos ProPublica afirmou que o Facebook não cumpria com a privacidade prometida em seu serviço. Porém, um pouco mais tarde, a empresa disse ao 9to5Mac que, aparentemente, tudo não passou de um mal-entendido.

WhatsApp (Imagem: Jeso Carneiro/ Flickr)
WhatsApp (Imagem: Jeso Carneiro/ Flickr)

WhatsApp viola a própria política de privacidade?

“Como o Facebook prejudica a proteção da privacidade de seus 2 bilhões de usuários do WhatsApp” – Esse foi o título dado à reportagem da ProPublica, que afirmou que o aplicativo de mensagens instantâneas, em determinados momentos, compartilha os dados de usuários com analistas enquanto mantém uma “extensa operação de monitoramento”.

Conforme apontou a organização investigativa, o Facebook sempre usou o WhatsApp como exemplo de privacidade, garantindo que todas as mensagens passam por uma criptografia ponta a ponta, permitindo somente aos usuários que estão efetivamente se comunicando ler as mensagens. Assim, durante sua transmissão, os arquivos seriam completamente ilegíveis para qualquer um que os interceptasse e inclusive para a própria empresa.

A investigação da ProPublica disse que os moderadores do Facebook são capazes de constantemente “examinar as mensagens, imagens e vídeos dos usuários” do WhatsApp. No entanto, o 9to5Mac ressalta que isso só é possível em uma circunstância: quando uma mensagem é denunciada.

Não é bem assim…

Quando um usuário usa o recurso de denúncia de mensagens do WhatsApp, o arquivo reportado é encaminhada automaticamente para o Facebook. Nesse sentido, seria como encaminhar manualmente uma mensagem já descriptografada para outra pessoa, que no caso é um moderador.

Conforme confirmou o 9to5Mac com o próprio WhatsApp, esse processo de denúncia cria uma nova mensagem criptografada ponta a ponta cujo destinatário final é o Facebook, que possui então a chave para descriptografar o arquivo. De uma forma mais simples, é como se você enviasse uma nova mensagem direta para a companhia.

Política de privacidade do WhatsApp é questionada (Imagem: Rachit Tank/Unsplash)
Política de privacidade do WhatsApp é questionada (Imagem: Rachit Tank/Unsplash)

Segundo a argumentação da ProPublica, esse sistema estaria violando a própria política de privacidade que o Facebook tanto preza e usa como modelo:

“O WhatsApp tem mais de 1.000 funcionários contratados enchendo andares de prédios de escritórios em Austin, Texas, Dublin e Cingapura, onde examinam milhões de partes do conteúdo dos usuários… esses trabalhadores usam um software especial do Facebook para vasculhar fluxos de mensagens privadas, imagens e vídeos denunciadas por usuários do WhatsApp como impróprios e depois analisados ​​pelos sistemas de inteligência artificial da empresa.”

Ainda segundo a organização, uma reclamação enviada à Comissão de valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) no ano passado denunciava o uso extensivo de empresas e serviços terceirizados, sistemas de inteligência artificial e informações privadas das contas de WhasApp para examinar qualquer conteúdo denunciado. Segundo o documento, a prática violaria as políticas de privacidade estabelecidas pelo Facebook. Porém, a SEC não tomou nenhuma medida sobre a denúncia e se recusou a comentar sobre o assunto.

Polêmica revela entrelinhas do processo de denúncia

Denúncias de mensagens no WhatsApp incluem mensagens anteriores (Imagem: Christian Wiediger/Unsplash)
Denúncias de mensagens no WhatsApp incluem mensagens anteriores (Imagem: Christian Wiediger/Unsplash)

Toda essa situação gerou uma grande discussão sobre a verdadeira privacidade dos usuários do WhatsApp. Enquanto o 9to5Mac contatou a empresa e esclareceu que, do ponto de vista técnico, a criptografia ponta a ponta não é quebrada e que sua política se mantém íntegra, novas informações que podem não ser óbvias vieram a tona.

No ato de se denunciar uma mensagem, o WhatsApp afirma que “interações recentes” serão incluídas no relatório. Porém, o que ambas as apurações descobriram é que outras mensagens anteriores são encaminhadas junto com a reportada para moderadores do Facebook. Conforme confirmado pelo 9to5Mac, mais especificamente os quatro arquivos mais recentes acompanham o alvo da denúncia para criar um contexto para auxiliar a análise do conteúdo.

Com informações: 9to5mac, ProPublica

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Danílio Costa da Silva (@Daniliocs)

Estão criando tempestade em copo d’água. Se eu como usuário posso tirar print ou reenviar uma msg para outra pessoa, da mesma forma, posso fazer isso ao denunciar uma msg. Para mim, é obvio que ao denunciar, o Facebook teria acesso as msg para conseguir avaliar, o usuário deve estar ciente disso, que ao fazer isso ele está permitindo a quebra da sua própria privacidade (e de um terceiro). Fato igual ocorre ao abrir um processo contra alguém por causa de msg, para a justiça poder avaliar o caso vai ter que ter acesso as msg!

Juliano Machado Olivetti (@Juliano_Machado_Oliv)

Se for realmente esse o caso, me parece mais um alarde desnecessário. A denúncia de conteúdo impróprio é selecionada pelo usuário, que já teria o conteúdo se criptografia no seu aparelho. Se fala também no envio de outras três mensagens, mas aí me parece mais um questão da empresa tentar entender o contexto, e se previsto nas políticas de usuário, sem maiores problemas.