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Rússia ameaça bloquear YouTube após remoção de fake news sobre COVID-19

YouTube remove dois canais alemães gerenciados por estatal russa por disseminação de fake news sobre a covid-19; Rússia ameaça bloquear plataforma

Bruno Ignacio Por

A Rússia entrou numa disputa com o YouTube e ameaça bloquear a plataforma no país após dois canais gerenciados pela empresa de mídia estatal Russia Today (RT) serem removidos. O banimento ocorreu pela disseminação de notícias falsas sobre a COVID-19 e vacinas contra o vírus, que configurariam “desinformação”, violando assim as políticas do YouTube. No entanto, o governo russo exige a restauração dos canais.

YouTube (Imagem: Nordwood Themes/Unsplash)
YouTube (Imagem: Nordwood Themes/Unsplash)

Conforme relatado pela agência de notícias Interfax, o Roskomnadzor, Ministério das Comunicações da Rússia, enviou uma carta ao Google “exigindo que todas as restrições aos canais RT DE e Der Fehlende Part, operados pela mídia russa Russia Today, sejam suspensas o mais rápido possível”.

Caso contrário, o governo da Rússia ameaçou bloquear parcial ou completamente o YouTube no país, além de multar o Google. A plataforma de vídeos já havia dito anteriormente que não tolera a publicação de conteúdo que contradiga as autoridades de saúde locais ou as informações médicas da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a COVID-19.

YouTube alertou canal, mas Rússia tentou driblar restrição

Os dois canais removidos pelo YouTube eram alemães, mas operados pela empresa de mídia estatal russa RT. Inicialmente, o primeiro canal, RT DE, foi notificado de que o conteúdo postado estava violando as políticas da plataforma contra a desinformação, resultando na suspensão dos direitos de postagem durante uma semana.

Porém, a Russia Today tentou contornar a suspensão e usou seu outro canal Der Fehlende Part (Também conhecido como “The Missing Part”) para continuar a disseminação de notícias falsas sobre o coronavírus e vacinas. Como resposta, o YouTube removeu os dois canais da plataforma.

YouTube e Google em celular da Samsung (Imagem: Irfan Ahmad/Pixabay)
YouTube e Google em celular da Samsung (Imagem: Irfan Ahmad/Pixabay)

Não é a primeira briga que a Rússia compra com redes sociais e plataformas ao tentar disseminar informações que vão contra as orientações da OMS sobre a COVID-19. O Facebook removeu centenas de contas que eram usadas para divulgar dados considerados falsos em agosto.

O movimento ocorreu principalmente no mercado russo e foi apontado como parte de uma campanha maior realizada pelo governo, que já estava usando influenciadores para disseminar fake news sobre a COVID-19. Algumas das informações divulgadas afirmavam que as vacinas contra o coronavírus poderia “transformar pessoas em chimpanzés”.

Segundo o Facebook, as origens dessa campanha foram rastreadas até a Fazze, uma subsidiária de uma empresa de marketing registrada no Reino Unido, mas suas operações eram conduzidas principalmente na Rússia.

Bolsonaro também teve vídeos removidos do YouTube

Live de Bolsonaro do dia 24/06 (Imagem: Reprodução)
Live de Bolsonaro do dia 24/06 (Imagem: Reprodução)

O YouTube vem aplicando as novas diretrizes contra a desinformação também contra o governo brasileiro. Em julho, a plataforma derrubou 15 vídeos do canal do presidente Jair Bolsonaro que defendiam o tratamento da COVID-19 com uso de hidroxicloroquina e ivermectina, dois remédios sem eficácia comprovada e não recomendados pela OMS.

Além disso, a plataforma já havia removido outro vídeo do presidente em abril, no qual Jair Bolsonaro promove o tratamento precoce da COVID-19 com os mesmo medicamentos. Assim como o caso da Rússia, o YouTube afirmou nas duas ocasiões que o conteúdo publicado viola sua política contra a desinformação.

Com informações: The Washington Post

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Jedielson (@Jedielson)

Maldito YouTube ao me fazer concordar com a Rússia!

Alfafa Buster (@alfafabuster)

De um lado, um governo afirmando X.

Do outro lado, a OMS (que não é um governo), afirmando Y.

O YouTube, no meio, tendo que escolher um dos lados, e assim tomando as sansões do outro lado.

O YouTube (Google), enquanto empresa privada, não precisa necessariamente decidir quem está certo e quem está errado. Ele pode simplesmente se abster de opinar e permitir que os conteúdos circulem livremente.

Mas ai os anunciantes vão embora, né? Afinal os anunciantes também tem que escolher um lado (OMS ou Governo), e eles já escolheram o lado deles.

Complicado você ter uma empresa e ser obrigado a se posicionar em temas que, no fim das contas, pouco importam para o seu negócio. Seria muito mais fácil não ter que seguir a agenda de ninguém, não é mesmo?