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Mineradores de bitcoin estão reativando usinas fósseis nos EUA

Chegada de mineradores de bitcoin (BTC) nos EUA começa a reativar usinas de energia poluente e preocupa ambientalistas

Bruno Ignacio Por

Enquanto a China bania mineradores de bitcoin (BTC) do país devido ao alto consumo de eletricidade da atividade, muitos viram uma grande oportunidade para a rede do principal criptoativo se tornar mais sustentável e abandonar matrizes energéticas poluentes. No entanto, parece que mineradores estão sendo responsáveis pela reativação de usinas fósseis nos Estados Unidos enquanto se reestabelecerem no país.

Usina a carvão de Cheshire, Ohio, nos Estados Unidos (Imagem: peggydavis66/ Flickr)

Conforme apurou a NBC News, há uma tendência dentro do setor de criptomoedas americano que vem preocupando ambientalistas. A mineração de bitcoin está revivendo velhas e quase desativadas usinas de energia baseadas em combustíveis fósseis nos Estados Unidos. Essa crescente adesão de mineradores a fontes poluentes de eletricidade desencoraja o investimento em matrizes renováveis e limpas e reforça uma indústria que estava caminhando para o desaparecimento, segundo especialistas.

Empresa de mineração reativa usina de carvão

Quatro anos atrás, a usina de carvão Scrubgrass da cidade de Venango, Pensilvânia, estava à beira do colapso financeiro ao perder quase todos seus clientes para o gás natural barato e outras fontes renováveis. Porém, uma holding sediada chamada Stronghold Digital Mining que comprou a instalação, que queima resíduos de carvão suficientes para alimentar cerca de 1.800 máquinas de mineração de bitcoin.

Segundo um documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) obtido pela NBC, esses aparelhos de mineração são instalados em contêiners ao redor da usina. A Stronghold estimou que, com a estrutura atual, deverá queimar cerca de 600.000 toneladas de resíduos de carvão por ano em Scrubgrass.

Mineração de bitcoin (Marco Verch/Flickr)
Mineração de bitcoin (Marco Verch/Flickr)

Contudo, a holding também revelou que pretende expandir suas operações para manter 57 mil máquinas de mineração até o final de 2022. Esse plano de expansão requer a compra de mais duas usinas de carvão na região.

Mineradores de bitcoin buscam energia barata

Segundo Alex de Vries, economista holandês, pesquisador e fundador da Digiconomist, um site que monitora o impacto ambiental das criptomoedas, a mineração de bitcoin inevitavelmente desperdiça recursos. “É um sistema onde os participantes são forçados a desperdiçar recursos para fornecer algum nível de segurança na rede. Quanto mais valor o bitcoin tem, mais dinheiro ele gera e mais recursos são gastos”, disse à NBC.

A Stronghold chegou a descrever suas operações como “ambientalmente benéficas”, apontando para a classificação da Pensilvânia de geração de energia a partir de carvão residual como uma “fonte de energia alternativa de Nível II”. Esta classificação permite que a holding se beneficie de subsídios estatais.

“Esses mineradores não precisam apenas de energia barata, mas de uma fonte estável de energia porque suas máquinas precisam funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, e as fontes de combustível fóssil são as mais adequadas para isso… Os mineradores já estão revivendo usinas de fósseis e minas de carvão inativas em lugares como Nova York e Montana.”

Alex de Vries em entrevista à NBC

Proibições na China foram catalisador para o problema

China vem apertando proibições sobre bitcoin e outras criptomoedas (Imagem: QuoteInspector/ Flickr)
China vem apertando proibições sobre bitcoin e outras criptomoedas (Imagem: QuoteInspector/ Flickr)

Essa tendência contra a sustentabilidade da rede do bitcoin parece ter sido alavancada pela crescente onda proibicionista às criptomoedas na China. Pequim vem impondo uma restrição atrás da outra para o mercado de ativos digitais no país, mirando também nos mineradores que consomem energia barata poluente nas províncias industriais chinesas.

Como consequência, entre junho e julho deste ano, cerca de metade dos mineradores do mundo ficaram offline enquanto migravam da China para outros países, principalmente os Estados Unidos.

Evidentemente, a chegada de grandes empresas que trazem consigo dezenas de milhares de máquinas de mineração foi o catalisador para a reativação das usinas fósseis americanas, que antes operavam somente quando necessário em épocas de alto consumo. Vários estados, incluindo Texas e Kentucky, estão recebendo de braços abertos esses mineradores, com direitos a incentivos fiscais e subsídios energéticos.

O caso da Stronghold e da usina Scrubgrass é apenas um exemplo de um cenário muito maior. No começo de julho, a região dos Finger Lakes, no interior do estado de Nova York, apareceu em notícias do mundo todo quando a reativação de uma usina a carvão para minerar bitcoin causou o aquecimento de um dos lagos glaciais.

Com informações: NBC News

Comentários da Comunidade

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LekyChan (@LekyChan)

Ué, mas os mineradores não estavam usando fontes verdes pois eram até mesmo mais baratas e tal?

@ksio89

A mineração desse jeito está pedindo pra ser proibida ao redor mundo, pois a situação já está ficando sem controle. Já não bastava ter inflacionado hardware e atrapalhado imensamente a vida dos profissionais, gamers e estudantes que precisam de computador, notebook e componentes, agora virou um tremendo problema ambiental também.

Nada contra as pessoas lucrarem com as criptos, já que os governos estão imprimindo dinheiro e desvalorizando as moedas, mas a que custo para o restante da sociedade? Sinceramente, está me dando é desespero, se as criptos não desvalorizarem nunca mais, voltaremos à idade da pedra na tecnologia

Fábio Emilio Costa (@Fabio_Emilio_Costa)

Ué, mas a culpa não era dos banhos prolongados?

Igor (@Spetto)

“Ou você morre herói, ou vive o bastante para ver você se tornar o vilão.” - Dent, Harvey

Piadas a parte, eu compartilho de sua visão de uso real de criptomoedas, e principalmente do uso de blockchains (imagina seu uso nos setores contábeis ou para suprir os cartórios?), mas o que me contraria no cenário atual é o uso absurdo de recursos.
Já li algumas vezes de locais que tiveram apagões de energia por causa de fazendas de mineração que consumiam muita eletricidade, ou então no impacto nos preços de hardware, que onerou muito os profissionais que precisam de uma máquina mais potente e agora tem que pagar valores muito mais altos para trabalhar, além dos gamers, que muitos estão migrando para os consoles (eu estou considerando seguir esse caminho), pois somente uma VGA de alto desempenho está custando bem mais que os consoles de nova geração. E não vou nem entrar no cenário ambiental, pois isso tá explicito na matéria.
Se pelo menos o uso do processamento tivesse algum fim útil, como aqueles programas de computação distribuída que algumas universidades tinham (ou ainda tem, não sei), eu não reclamaria muito, mas como você e o amigo @LekyChan pontuaram, é uma quantidade enorme de processamento e recursos desperdiçados por alguns poucos, mas que afetam negativamente muitos mais.