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Netflix é processada na Coreia do Sul por alto consumo de rede com Round 6

Com a explosão de popularidade da série sul-coreana, Netflix é cobrada por ser a segunda maior geradora de tráfego de internet do país

Pedro Knoth Por

A polêmica série Round 6 (Squid Game) da Netflix virou alvo de processo contra o serviço de streaming na Coreia do Sul, movido por uma das principais operadoras de telecomunicação do país asiático, a SK Broadband. Segundo a empresa, a companhia norte-americana deve pagar pelo aumento de tráfego em rede, que explodiu com a popularidade da série.

Squid Game, da Netflix (Imagem: Netflix/YouTube)

Um porta-voz da SK Broadband confirmou a abertura do processo contra a Netflix nesta sexta-feira (1) à Reuters.

A ação da gigante de telecomunicações sul-coreana aproveita um recente parecer de um tribunal do país que afirma que a Netflix deveria “razoavelmente” pagar um montante em troca do amplo sinal de internet.

Amazon e Apple pagam, mas Netflix não

A popularidade das séries Squid Game, uma produção original da Coreia do Sul, levou a Netflix a ocupar a segunda posição de maior tráfego de internet gerado no país — o primeiro é do YouTube, do Google. As duas empresas não pagam empresas de telecom sul-coreanas pelo serviço, ao contrário de Amazon, Apple e Facebook, segundo a SK.

O processo movido pela SK exige que a Netflix pague pelo serviço da empresa, que começou a ser usado em 2018 quando o streaming norte-americano optou por uma linha dedicada de sinal de banda larga para transmitir conteúdo em alta definição em em grande volume. A Netflix usa o sinal da SK para atender a clientes sul-coreanos por meio de servidores em Hong Kong e no Japão.

A quantidade de tráfego gerado pela Netflix e administrado pela SK saltou em 24 vezes entre 2018 e setembro de 2021. Atualmente, a empresa diz que transmite 1,2 trilhões de bits por segundo de filmes e séries do streaming.

Em 2020, a própria Netflix tomou a iniciativa na Justiça sul-coreana. O estúdio processou a SK porque se recusava a pagar justamente pelos pacotes de rede, sob o argumento de que o dever da empresa é de criar conteúdo e torná-lo acessível.

A Netflix ainda afirmou no processo que as despesas requeridas pela SK eram ressarcidas ao oferecer pacotes de rede aos usuários, e que o tráfego de dados no mundo da internet tem a “livre de cobrança como princípio”.

Justiça dá vitória à SK no primeiro processo

Mas a Corte Distrital da Coreia do Sul deu vitória à SK Broadband no caso. Em junho, o tribunal determinou que a Netflix deveria “obrigatoriamente pagar em retorno” pelo serviço da SK, que “era oferecido por um preço”. Essa decisão foi considerada “razoável” pela Corte.

Ainda documentos do processo, a SK estima que a Netflix tenha uma dívida de US$ 22,9 milhões pelo uso de tráfego de rede apenas em 2020.

O streaming norte-americano já recorreu à Justiça contra a decisão da Corte Distrital da Coreia do Sul, e um novo julgamento sobre o caso está marcado para dezembro deste ano.

Em um pronunciamento na quarta-feira (29), a Netflix afirmou que colaborou para criar 16 mil empregos na Coreia do Sul, graças a um investimento de US$ 651 milhões.

No mesmo dia, a parlamentar da Assembleia Nacional da Coreia do Sul e legisladora pelo partido governista, Kim Sang-hee, apontou que dentre os dez principais geradores de tráfego de rede e internet do país, 78,5% eram de empresas estrangeiras. É uma taxa 73% maior do que no em comparação com o ano anterior. Para ela, são “Google-YouTube e Netflix que são responsáveis pela maioria do tráfego e estão fazendo vista grossa sobre o pagamento por esse”.

Nos EUA, a Netflix vem pagando a Comcast há 7 anos por conexões mais rápidas no streaming.

Com informações: Reuters

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Thiago Moraes Barbosa (@thimorbar)

Se essa moda pegar aqui no cartel das empresas de telecomunicação nós estamos lascados.

@doorspaulo

Atualmente, a empresa diz que transmite 1,2 trilhões de bits por segundo de filmes e séries do streaming.

Aí você vai converter isso em unidades mais práticas, e se depara com 1,09 Tb/s, ou 139,69 GB/s.
É muito? É, mas não vejo como algo absurdo.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Capaz dessas empresas serem tão mão de vaca que não querem bancar o custo de hospedar o CDN, já que normalmente o dono do conteúdo fornece o servidor e a empresa tem de arcar com a conexão e a energia elétrica.

Nessas horas eu queria ver as grandes do setor lançarem um provedor de internet operando no prejuízo só para quebrar as concorrentes, imagina internet quase de graça sendo fornecida por um conglomerado da Google, Netflix, Amazon e Microsoft.

Eder Batera (@Eder_Batera)

Aqui no Brasil, não diferente da maioria dos países, míseras cidades de 100 mil habitantes, como Bauru/SP, tem 4 provedores, e os 4 provedores tem CDN de Google, Facebook e Netflix.
O tráfego gerado fica só dentro da rede do provedor, isso aumenta a qualidade, disponibilidade e reduz absurdamente o custo do provedor.
É Ótimo para todo mundo, inclusive o cliente.
Oque me faz rir, é saber que um país inteiro, usa CDN de outro país, usando uma única operadora.