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Como funciona a ressonância magnética

Composição da máquina, mecanismo de ação, diferenças entre a tomografia; Saiba como funciona a ressonância magnética

Gabrielle Lancellotti Por

A ressonância magnética é um método de diagnóstico não invasivo. Ou seja, sem incisões e intervenções cirúrgicas. Por meio das imagens produzidas pelo equipamento do exame, é possível visualizar aspectos anatômicos e funcionais do corpo. Entenda como funciona a ressonância magnética, para que é indicada, qual a diferença entre o exame e a tomografia e porque o contraste é usado em alguns casos.

Entenda como funciona a ressonância magnética (Imagem: Michal Jarmoluk/Pixabay)
Entenda como funciona a ressonância magnética (Imagem: Michal Jarmoluk/Pixabay)

Composição da máquina e funcionamento

De acordo com a STAR, empresa de telerradiologia, uma máquina de ressonância magnética é essencialmente constituída por cinco componentes: ímã principal (magneto), bobinas de gradiente, bobinas de radiofrequência, sistema receptor de imagem e um computador.

Principais componentes da máquina de ressonância magnética (Imagem: Reprodução/Science Museum)
Principais componentes da máquina (Imagem: Reprodução/Science Museum)

Segundo o National Institute of Biomedical Imaging and Bioengineering (NIBIB), instituição governamental dos Estados Unidos, a produção de imagens por meio da ressonância magnética é baseada em uma sofisticada tecnologia que age, principalmente, nos prótons de hidrogênios das moléculas de água (H2O), presentes nos tecidos vivos.

De acordo com Jerome Maller, neurocientista e professor adjunto da Monash University (Austrália), normalmente os prótons de hidrogênio giram em seu eixo, em direções aleatórias. Com a ação de um poderoso ímã, esses prótons se alinham a este objeto. Após entrar em contato com o grande ímã, uma sequência de ruídos altos são emitidos — os sons representam diferentes manipulações desses prótons.

Em mais detalhes, o primeiro ruído corresponde à bobina eletromagnética que é, basicamente, um pedaço circular de cobre com eletricidade fluindo através dele. Esse componente é ativado por um breve período de tempo e, segundo Maller, isso empurra ou vira a rotação dos prótons para fora de seus eixos. A frequência dessa bobina eletromagnética, a bobina de radiofrequência, tem que ser exatamente igual à frequência na qual os prótons estão girando.

Ao desativar o mecanismo, os prótons retornam à sua “posição de relaxamento”. O período de tempo desse movimento é captado pelo equipamento: é medido pela antena presente no scanner, que é colocado próximo à seção do corpo que será digitalizada.

As diferentes seções anatômicas têm variadas quantidades e densidades de água e, consequentemente, de hidrogênio. Sendo assim, os prótons levam diferentes períodos de tempo para voltar à sua “posição original de repouso”. O especialista explica que são essas diferenças de tempo que fornecem as informações para gerar as imagens, além de particularizar o grau de contraste (variação de luz ou tom) dos tecidos observados.

Em outras palavras, o gif abaixo resume essa explicação:

Como funciona a ressonância magnética (Imagem: Reprodução/ Siemens Healthineers)
Ressonância magnética em ação (Imagem: Reprodução/Siemens Healthineers)

Tomografia Computadorizada X Ressonância Magnética

Fonte: Doctoralia LabTomografia Computadorizada (TC)Ressonância Magnética
Métodos não invasivos: ambos são exames de imagemExame com base na radiação ionizante para a gerar as imagens Não usa raios-x para criar imagens, mas campos magnéticos e ondas de rádio
Duração do exameVaria de acordo com a área analisada. Normalmente, tem duração entre 10 e 30 minutosVaria de acordo com a área analisada. Normalmente, tem duração entre 15 a 45 minutos
Uso de contraste com composição diferenteNormalmente, contraste à base de iodo Normalmente, contraste à base de gadolínio
Indicação: depende da região analisada e do tipo de patologia que vai ser investigadaPodem ser detectadas: doenças abdominais, pulmonares, renais, pélvicas, oculares, no crânio, etc.Podem ser detectadas: doenças neurológicas, cardiovasculares, oncológicas, etc.
ContraindicaçãoGestantes e pessoas alérgicas a iodo, no caso do uso do contrastePessoas com objetos metálicos ou eletrônicos implantados no corpo e pessoas com doenças renais, no caso do uso do contraste à base de gadolínio
Quando a ressonância magnética é indicada?

Exames de ressonância magnética são mais adequados para obter imagens de partes não ósseas do corpo ou de “tecidos moles”. Segundo a Siemens Healthineers, a máquina pode gerar imagens em alta definição e seccionais em qualquer direção espacial.

Em relação à indicação, pode ser usada para identificar derrames, inflamações, danos aos músculos, tendões e ligamentos. A tecnologia também pode ser útil para observar parâmetros dos vasos sanguíneos e do coração.

Segundo o NIBIB, como a ressonância magnética não usa radiação ionizante, a modalidade é comumente escolhida quando imagens são frequentemente necessárias para diagnósticos — especialmente os relacionados ao cérebro e os de maior complexidade.

O equipamento pode produzir imagens que, por exemplo, diferenciam a substância branca e a substância cinzenta do cérebro. Além de poder ser usado para visualizar aneurismas e tumores.

Há contraindicação?

O próprio nome do procedimento já sugere o uso de ímãs no seu mecanismo. Como um campo magnético é formado pela máquina, itens metálicos implantados no corpo podem se mover ou aquecer. Dessa forma, segundo o Doctoralia Lab, o exame não é indicado para quem tem itens com componentes metálicos ou eletrônicos no interior do corpo.

Marcapasso, implante coclear, cateter Swan-Ganz e clipes de aneurisma cerebral antigos são alguns dos dispositivos que restringem ou impedem a realização do exame.

Alguns outros tipos de desconforto também são previsíveis nesse exame. A estrutura tubular na qual o paciente é colocado não é muito espaçosa, fator que pode gerar incômodo para pessoas claustrofóbicas. Outro detalhe é: a máquina emite sons altos e repetitivos durante a realização do exame. Entretanto, esse problema pode ser amenizado com o uso de tampões de ouvido, que normalmente são fornecidos.

Por que usar o contraste?

Há casos nos quais as imagens obtidas no exame de ressonância magnética não são tão nítidas ou claras o suficiente para chegar a um diagnóstico preciso. Segundo a clínica TomoCenter, nessas ocasiões, o uso do contraste é indicado. A substância permite diferenciar tecidos e órgãos saudáveis de áreas que apresentam alterações — que indicam lesões ou doenças.

Com informações de: NIBIB, STAR, Siemens Healthineers, Science Museum, Monash University, Doctoralia Lab e TomoCenter.

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