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O que é lixo espacial?

Detritos ultra velozes; saiba o que é lixo espacial e como esses fragmentos atrapalham viagens espaciais das agências

Leandro Kovacs Por

Com a expansão das viagens espaciais tripuladas além do círculo militar, o assunto ganhou novo fôlego. Veja abaixo, o que é lixo espacial e como esses detritos atrapalham viagens tripuladas ou robóticas vindas da terra por essa espécie de “escudo” ultra veloz de projéteis com alto poder de destruição. O lixo espacial fica preso à terra por não ter energia suficiente para escapar da gravidade nem retornar a atmosfera.

Lixo espacial é Tudo que é feito pelo homem, enviado ao espaço e que não tem mais utilidade prática (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Lixo espacial é Tudo que é feito pelo homem, enviado ao espaço e que não tem mais utilidade prática (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Detritos que viram projéteis

Essa é uma definição básica da função que o lixo espacial toma estando na órbita terrestre. Uma vez que tanto os destroços quanto a espaçonave estão viajando a velocidades extremamente altas — algo em torno de 25.000 Km/h em órbita baixa da Terra —, o impacto de até mesmo um minúsculo pedaço de destroços orbitais com uma espaçonave pode criar grandes problemas.

Como o lixo espacial é criado?

Resumindo, tudo que é feito pelo homem, enviado ao espaço e que não tem mais utilidade prática. Outra forma que o lixo espacial é conhecido são detritos orbitais, isso pois estão presos na órbita terrestre.

Detritos orbitais são qualquer objeto feito pelo homem em órbita ao redor da Terra que não tenha mais uma função útil. Esses detritos incluem espaçonaves não funcionais, estágios de veículos de lançamento abandonados, detritos relacionados à missões e detritos de fragmentação por colisão.

Detritos espaciais sem utilidade na órbita da terra (Imagem: Canva Pro/Divulgação)
Detritos espaciais sem utilidade na órbita da terra (Imagem: Canva Pro/Divulgação)

Devido a alta velocidade em órbita, mesmo pequenas manchas de tinta podem danificar uma espaçonave ao viajar nessas velocidades. Várias janelas de ônibus espaciais foram substituídas por conta de danos causados por material que, após ser analisado, mostrou serem manchas de tinta.

Na verdade, fragmentos orbitais de tamanho milimétrico representam o maior risco de interrupção de missão para a maioria das espaçonaves robóticas operando na órbita baixa da Terra.

O grande problema é: toda vez que não se evita o risco, novas colisões acontecem gerando um número ainda maior de lixo espacial — 23.000 pedaços do tamanho de bolas de sinuca pode parecer pouco, mas 100 milhões de entulhos com milímetros de diâmetro e alto poder de destruição soa mais agressivo.

Precauções

Com a SpaceX e outras empresas privadas sendo criadas para atuar no “mercado” espacial, a atenção está se ampliando para a questão dos detritos. A NASA leva a sério a ameaça de colisões com detritos espaciais e tem um conjunto de diretrizes de longa data sobre como lidar com cada ameaça de colisão potencial para a estação espacial.

As diretrizes, parte de um corpo maior de auxílios à tomada de decisão conhecido como regras de voo, especificam quando a proximidade esperada de um pedaço de destroços aumenta a probabilidade de uma colisão o suficiente para que uma ação evasiva ou outras medidas garantam a segurança da tripulação.

Controle da NASA e DoD

O Departamento de Defesa Americano (DoD) mantém um catálogo de satélites altamente preciso sobre objetos na órbita da Terra. A maioria dos objetos catalogados são maiores do que uma 10cm, aproximadamente. A NASA e o DoD cooperam e compartilham responsabilidades para caracterizar o ambiente do satélite — incluindo detritos orbitais.

A Rede de Vigilância Espacial do DoD rastreia objetos discretos tão pequenos quanto 2 polegadas (5 centímetros) de diâmetro em órbita baixa na Terra e cerca de 1 jarda (1 metro) em órbita geossíncrona — que acompanha a rotação da Terra.

Podemos observar o lixo espacial

Ferramentas bem interessantes estão disponíveis na internet para que usuários mais curiosos possam visualizar a situação dos detritos orbitais no entorno da Terra. Separamos alguns como opções:

  • LeoLabs: o site permite observar em tempo “quase” real o posicionamento de diversos detritos de tamanhos consideráveis, inclusive identificando qual a origem do fragmento;
  • Stuff in Space: com uma visão mais extensa, o site permite ver detritos um pouco mais distantes da órbita baixa da terra, e a expectativa de trajetória orbital;
  • AstriaGraph: feito pela universidade do Texas, o site mostra imenso volume de detritos e suas categorizações por conjuntos de cores.

Com informação: NASA.

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