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Amazon copiou produtos e priorizou linha própria em buscas, diz relatório

Documentos revelam que Amazon copiava itens de sucesso e os transformava em produtos de marcas próprias, que eram então privilegiados em buscas na plataforma

Pedro Knoth Por

A Amazon na Índia copiou produtos e usou dados de vendedores de seu marketplace para priorizar a própria linha de produtos nas buscas da plataforma em detrimento de competidores. Documentos internos revelados pela Reuters detalham práticas que a companhia nega há anos, incluindo uma iniciativa de copiar e vender itens, que foi aprovada por executivos da varejista.

Amazon no Celular (Imagem Christian Wiediger/Unsplash)
Amazon no celular (Imagem: Christian Wiediger/Unsplash)

O time de marcas próprias da Amazon na Índia tinha uma prática sistemática de criar cópias baratas de itens considerados “de referência” e priorizar esses produtos no marketplace da varejista no país. Para colocar os produtos copiados nos primeiros resultados das pesquisas, a equipe usava dados internos de produtos mais vendidos e da própria plataforma.

Segundo o relatório, os produtos da Amazon apareciam “em 2 a cada 3” resultados de busca. E-mails internos trocados entre executivos da varejista revelam que marcas próprias pode ser uma das maiores fontes de “receita e crescimento” da companhia nos próximos anos — essa categoria pode ter “penetração maior que 10% nos negócios globais da Amazon”, segundo as mensagens.

Ex-VP sênior da Amazon sabia da estratégia

Os documentos e e-mails obtidos pela Reuters têm datas variadas. Mas a estratégia de copiar produtos e usar dados internos para prejudicar a competição na Índia estava clara desde 2016. Um dos executivos da Amazon que aparecem na troca de e-mails autorizando a estratégia de “copiar e colar” produtos é o ex-vice-presidente sênior Diego Piacentini. Ele deixou a empresa em 2018.

Para a Amazon, era vital criar uma linha própria de produtos no mercado indiano. Uma delas, a Solimo — que inclusive tem nome baseado no brasileiro Rio Solimões —, foi tão bem-sucedida que passou a ser vendida no amazon.com, domínio americano da empresa. A marca foi impulsionada pela própria Amazon.

Um porta-voz da Amazon negou as alegações feitas pela reportagem da Reuters, e diz que as informações são “factualmente incorretas e não têm substância”. Ele acrescentou que a Amazon proíbe o “uso ou compartilhamento de dados que não são públicos ou sobre vendedores específicos para benefícios de qualquer player de seu marketplace, incluindo aqueles com marca própria”.

Amazon nega beneficiar linha própria em pesquisas

Em resposta ao veículo, o porta-voz disse ainda que pesquisas na Amazon têm resultados que se baseiam no grau de relevância para cada consumidor, e que elas não favorecem as próprias marcas da varejista.

Além das alegações de impulsionar produtos da própria linha prejudicando vendedores, a Amazon enfrenta problemas com sua plataforma ao redor do mundo. Nos EUA, ela chegou a vender um travesseiro proibido pela FDA (Food and Drug Administration) por causar mortes por sufocamento. A varejista também vem banindo vendedores que aceitavam reembolsos em troca de boas avaliações na loja — a empresa reconheceu que isso é recorrente.

Mas ela nunca reconheceu que usava dados internos para manipular pesquisas, como mostra o caso da Índia. Em abril de 2020, o ex-presidente da Amazon, Jeff Bezos, disse em audiência ao Congresso americano que a companhia proíbe o uso de informações de vendedores para benefício próprio.

No momento, há alguns projetos de lei antitruste que circulam no Capitólio dos EUA que podem regular práticas de big techs como Amazon, Apple, Facebook e Google. No que diz respeito à varejista fundada por Jeff Bezos, o Congresso americano pode aprovar um projeto que proíbe o uso de dados internos para privilegiar produtos da própria empresa nas pesquisas do site.

Não há data marcada pelo Congresso para votar no American Choice and Innovation Online Act, que regularia a Amazon.

Com informações: Reuters e CNET

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