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Moedas digitais estatais ganham padrões rigorosos de líderes econômicos

Líderes financeiros do G7 definiram novas diretrizes para as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs); privacidade e transações internacionais são preocupações

Bruno Ignacio Por

O G7, grupo formado pelas sete maiores economias do mundo, definiu na última quarta-feira (13) novas diretrizes para as chamadas moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Conforme discutido na reunião de líderes financeiros, essa forma de dinheiro emitido pelo Estado deve “apoiar e não prejudicar” a estabilidade monetária e econômica nacional ao cumprir “rigorosos padrões”.

CBDCs são criptomoedas estatais, emitidas por bancos centrais (Imagem: David McBee/Pexels)
CBDCs são criptomoedas estatais, emitidas por bancos centrais (Imagem: David McBee/Pexels)

As moedas digitais estatais estão sendo estudadas e desenvolvidas por diversos países no mundo todo, inclusive no Brasil. Enquanto o projeto do real digital prevê seu lançamento entre 2023 e 2024, o euro digital deve ser lançado até 2026 e uma versão digital do dólar ainda está sendo estudada no Senado americano. Mas existem também exemplos concretos de CBDCs que já estão em operação, como ocorre na China e na Nigéria.

G7 quer definir diretrizes globais para CBDCs

Tendo em vista os impactos desses projetos de moedas digitais estatais para a economia e sistema financeiro global, autoridades monetárias de todo o mundo buscam alinhar normas para as CBDCs. Líderes econômicos do G7 se reuniram ontem e esse foi um dos tópicos discutidos.

Representantes do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos concordaram que, uma vez emitida e em circulação, uma moeda digital estatal complementaria a estrutura monetária nacional. Além disso, o grupo entende que esse novo tipo de dinheiro pode servir como um ativo de liquidação seguro e como uma “âncora” para o sistema de pagamentos.

No entanto, cuidados devem ser tomados. Essas moedas digitais deverão ser emitidas de forma que não infrinjam os rigorosos padrões de privacidade definidos por cada banco central. Além disso, elas deverão se enquadrar nas normas de transparência enquanto as instituições se responsabilizam pela proteção total dos dados dos usuários, concluiu o grupo.

“Qualquer moeda digital do banco central deve ser baseada em compromissos públicos de longa data com transparência, estado de direito e governança econômica sólida”, disseram os líderes financeiros do G7 em um comunicado.

Transações internacionais são uma preocupação

China tem yuan digital operando e é líder no desenvolvimento de uma CBDC (Imagem: Adrian Korte/Flickr)
China tem yuan digital operando e é líder no desenvolvimento de uma CBDC (Imagem: Adrian Korte/Flickr)

Ainda que um dos principais e mais interessantes usos das moedas digitais de bancos centrais sejam para transações internacionais, o G7 está atento aos possíveis impactos negativos. Os líderes econômicos do grupo entendem que eles têm a responsabilidade de “minimizar as repercussões prejudiciais ao sistema monetário e financeiro internacional”.

No momento, o yuan digital da China é a CBDC mais avançada e consolidada do mercado. Porém, os Estados Unidos, por exemplo, se preocupam que a moeda digital chinesa ameace o sistema financeiro internacional e a soberania monetária do dólar. Por isso os bancos centrais do G7 vêm trabalhando juntos para definir padrões globais para a emissão dessas moedas.

Com informações: Reuters