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Estúdio de Metroid Dread não dá crédito a todos os desenvolvedores do jogo

MercurySteam só credita profissionais que trabalham por mais de 25% do projeto ou fazem contribuições "significativas"

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O estúdio responsável por Metroid Dread — MercurySteam — deixou alguns desenvolvedores que trabalharam no game de fora dos créditos finais. Segundo relatos de ex-funcionários obtidos pelo site espanhol Vandal, a produtora não incluiu nomes de pessoas que ficaram por pouco tempo no projeto. A MercurySteam confirmou que havia citado apenas os profissionais que contribuíram de forma “significativa”.

Metroid-Dread
Metroid Dread (Imagem: Divulgação/Nintendo)

Os profissionais que trabalharam no desenvolvimento de Metroid Dread por menos de 25% do tempo total do projeto ficaram de fora dos créditos finais. De acordo com os ex-funcionários que relataram o problema, essa seria uma política da desenvolvedora. Por isso, os desenvolvedores foram reclamar nas redes sociais.

O artista 3D Roberto Mejías, que trabalhou por oito meses em Metroid Dread, criticou a MercurySteam em um post público no seu Linkedin. Na mensagem ele diz o seguinte:

“Não estou surpreso com a qualidade do jogo… o talento daquela equipe estava nas alturas. Eu sei disso em primeira mão porque, apesar de não ter sido incluído nos créditos do jogo, eu fiz parte dessa equipe por oito meses… Jogando o game, reconheci alguns ativos e ambientes em que trabalhei… Isso significa que meu trabalho está lá. Então, gostaria de perguntar à MercurySteam: por que não apareço nos créditos do jogo? É algum tipo de engano? Eu realmente gostaria de ter alguma resposta para isso”.

Roberto Mejías.

Depois do depoimento de Mejías, outros profissionais que supostamente trabalharam no desenvolvimento de Metroid Dread começaram a compartilhar relatos de forma anônima. “Não credenciar o trabalho da equipe que coloca todo o amor no projeto, e no esforço, é uma prática muito feia. A questão dos 25% parece inventada para mim e que se adequava bem a eles para o caso acima”, disse um ex-funcionário.

MercurySteam confirmou a regra dos 25%

Essa regra dos 25% é real e foi confirmada por um representante da MercurySteam em um e-mail enviado ao GameSpot. Segundo ele, a produtora funciona da seguinte forma na hora de creditar as pessoas que trabalham nos projetos:

“Nós creditamos todos aqueles que comprovem uma participação mínima em um projeto específico — que é geralmente a grande maioria dos desenvolvedores. Definimos o mínimo em 25% do tempo de desenvolvimento. Também damos crédito àqueles que, embora não estejam no projeto há muito tempo, contribuíram de maneira significativa em aspectos criativos e/ou técnicos. O desenvolvimento de um jogo é um empreendimento complexo, difícil e exaustivo. Entendemos que qualquer um de nós precisa contribuir o mínimo nisso para ser creditado no produto final. Obrigado pelo seu interesse”.

MercurySteam.

Vale citar que a MercurySteam também desenvolveu Metroid: Samus Returns, lançado em 2017 para o Nintendo 3DS. Na época, não houve nenhum relato de profissionais deixados de fora dos créditos finais.

Com informações: Arstechnica, GameSpot.