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CEO da Netflix admite erro ao lidar com críticas sobre transfobia em especial

Apesar de afirmar que "estragou tudo", Ted Sarandos mantém posicionamento ao defender permanência de especial de Dave Chappelle na plataforma

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O e-mail interno de Ted Sarantos, CEO da Netflix, respondendo às alegações de transfobia no especial The Closer pegou mal. Em entrevista à Hollywood Reporter, o executivo disse que sua nota distribuída entre funcionários da empresa “faltou com humanidade” e não reconheceu que “muitos funcionários estavam ofendidos”. Contudo, Sarandos manteve seu posicionamento: ele continua a defender o conteúdo de Dave Chappelle.

Netflix: CEO continua a defender especial de Dave Chappelle apesar de críticas de transfobia (Imagem: Daniel Benavides/ Flickr)

Ted Sarandos diz que “cometeu erros” ao lidar com as críticas ao especial de Dave Chappelle. Com a estreia de The Closer no dia 5 de outubro, as comunidades LGBTQ+ repudiaram algumas das piadas incluídas no stand-up, como comentários sobre a genitália de pessoas trans. Em outro trecho, o comediante tira sarro dos pronomes adotados por transexuais.

Uma engenheira trans que trabalhava na Netflix, Tara Field, fez uma série de postagens no Twitter sobre os motivos do especial de Dave Chappelle ser considerado transfóbico. Ela foi suspensa pelo streaming quando tentou comparecer a uma reunião de executivos e, após a suspensão ter provocado fortes críticas, foi readmitida.

Ted Sarandos ainda defende especial de Dave Chappelle

Apesar de ter confessado que não lidou com a situação da melhor maneira possível, Ted Sarandos ainda defende o especial de Dave Chappelle, e afirmou que sua postura quanto ao stand-up “não mudou”.

O CEO da Netflix disse que The Closer é “consistente com a marca de Dave Chappelle ao fazer comédia”.

“[A Netflix tem o desafio] de entreter a todo mundo [e] parte deste desafio significa ter uma audiência com vários gostos, graus de sensibilidade e crenças”, disse Sarandos em entrevista. O executivo continuou:

“Você realmente não consegue agradar a todo mundo ou o conteúdo produzido seria muito blasé. E nós adiantamos aos nossos funcionários que nós estamos tentando entreter nossos membros, e que eles não vão gostar de alguns dos conteúdos da Netflix… Esse tipo de comprometimento à expressão artística e liberdade de expressão na arte às vezes entra em conflito com como as pessoas se sentem seguras e protegidas.”

Alheio à sua própria empresa, Sarandos também diz que subestimou a força da comunidade LGBTQ+. Mesmo assim, muitos funcionários continuam insatisfeitos com a situação. Eles estão planejando entrar em greve devido à resposta da Netflix à polêmica, segundo a Reuters.

Algumas estrelas da plataforma também não gostaram das atitudes de Sarandos. A comediante e lésbica Hannah Gadsby, que tem dois especiais de comédia na Netflix e foi citada nos e-mails internos enviados pelo chefe do streaming, descreveu o comunicado como um “culto imoral do algoritmo”.

A produtora de Cara Gente Branca (Dear White People), que tem 4 temporadas no catálogo da empresa, disse que não vai mais trabalhar para a Netflix — Jaclyn Moore, que é uma mulher trans, afirma que o especial de Dave Chappelle possui “a mesma retórica que inspira pessoas a cometerem atos de violência contra pessoas transexuais”.

Com informações: The Guardian e Reuters