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Facebook remove live de Bolsonaro que ligava vacina da COVID-19 à AIDS

O presidente Jair Bolsonaro repercutiu uma fake news sobre suposto estudo do Reino Unido que dizia que pessoas vacinadas contra COVID-19 estavam desenvolvendo AIDS

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O Facebook removeu, no domingo (24), um vídeo publicado por Jair Bolsonaro (sem partido). O conteúdo era proveniente da última live do presidente, transmitida na quinta-feira (21), e repercutia uma notícia falsa que ligava a vacina de COVID-19 à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). É a primeira vez que uma live semanal de Bolsonaro é removida da plataforma.

Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR - 14/08/2020)
Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR – 14/08/2020)

Durante a transmissão ao vivo, Bolsonaro deu voz a uma fake news que dizia que um estudo realizado no Reino Unido indicava que pessoas que tomaram vacina contra COVID-19 estavam desenvolvendo AIDS. A notícia foi desmentida pelo Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido — o órgão afirma que o suposto estudo foi divulgado por um site que propaga desinformação.

Após a live semanal de Bolsonaro, diversos especialistas foram às redes sociais protestar contra a fala do presidente.

“Não existe NENHUMA possibilidade de vacina causar AIDS. ZERO. Qualquer que seja a vacina. É isso que precisa ser divulgado de forma clara e direta”, disse o médico e pesquisador Daniel A. Dourado em seu twitter.

Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e neurocientista, chegou a fazer uma mini-thread no Twitter para explicar como pessoas mal intencionadas transformaram documentos oficiais em fake news para manipular pessoas e incitar o movimento antivacina. Ela explica que o que transmite AIDS é uma infecção com o vírus HIV.

Facebook tem política contra fake news sobre COVID-19

Segundo o Facebook, o conteúdo foi removido da rede social de próprio nome e do Instagram por ferir as políticas da empresa, que proíbem a promoção de fake news sobre a vacinação da COVID-19.

“Nossas políticas não permitem alegações de que as vacinas de COVID-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas”, disse um porta-voz da empresa.

Apesar disso, como reporta a Folha, Bolsonaro já havia violado a política da companhia sobre COVID-19 diversas vezes este ano, sendo que 22 casos ocorreram durante suas lives semanais, e a moderação não foi aplicada. Para fins de comparação, o YouTube removeu, em julho, 14 transmissões do presidente relacionadas ao tratamento da doença com cloroquina.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que as falas de Jair Bolsonaro sobre a vacina serão incluídas na CPI da COVID. O vice-presidente da comissão afirma que irá solicitar uma retratação de Bolsonaro em lives, sob pena de multa diária; além de uma avaliação de uma possível suspensão ou banimento do presidente das redes sociais.

Com informações: g1, Folha