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Facebook divulga alta nos lucros em meio a vazamento de documentos internos

Facebook registra US$ 9,2 bilhões de lucro no terceiro trimestre de 2021, cifras superam expectativas de analistas e ações sobem

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Em meio a reportagens feitas a partir de documentos vazados, rumores de troca de nome e promessas de um metaverso, o Facebook apresentou seus resultados financeiros nesta segunda-feira (25). A gigante das redes sociais teve um lucro líquido de US$ 9,2 bilhões no trimestre terminado em 30 de setembro de 2021, um número 17% maior que no mesmo período do ano passado.

App do Facebook (Imagem: Thomas Sokolowski/Unsplash)
App do Facebook (Imagem: Thomas Sokolowski/Unsplash)

O número de usuários ativos mensalmente chegou à casa dos 2,91 bilhões, um crescimento de 6% em relação a 2020. Essa alta também foi registrada em usuários ativos diariamente: 1,93 bilhão. A apresentação mostra que o crescimento se dá principalmente fora dos EUA, do Canadá e da Europa, onde os números estão praticamente estagnados desde o começo de 2021.

Em outras cifras, o Facebook teve US$ 29 bilhões de receita total, um crescimento de 35% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O lucro por ação ficou em US$ 3,22. As receitas ficaram abaixo da expectativa dos analistas, mas o resultado por papel bateu as apostas do mercado, que esperavam que essa métrica ficasse em US$ 3,19. As ações do Facebook registravam uma alta de 2% na negociação após o fechamento do mercado.

Chama a atenção que a companhia pagou mais impostos nesse trimestre. Enquanto a taxa efetiva nos três meses anteriores a 30 de setembro de 2020 foi de 4%, a do mesmo período deste ano chegou a 13%. A companhia precisou provisionar US$ 1,37 bilhão para pagar impostos, 378% a mais que no ano anterior. Segundo uma nota do relatório de resultados, a baixa taxa efetiva de 2020 foi por causa de um benefício de US$ 913 milhões para amortizar gastos em pesquisa em desenvolvimento.

Site do Facebook no celular (Imagem: Solen Feyissa/Unsplash)
Site do Facebook no celular (Imagem: Solen Feyissa/Unsplash)

Política pró-privacidade da Apple não afetou Facebook

Os resultados financeiros desta segunda (25) são os primeiros divulgados pelo Facebook depois de a Apple implementar no iOS uma mudança no rastreamento de atividades — agora, os usuários precisam dar consentimento para os apps terem acesso ao que eles fazem em seus smartphones.

Zuckerberg disse que a mudança não afetou os negócios do Facebook, “mas afetou os pequenos negócios”. Em relatórios anteriores, a empresa mostrava alguma apreensão em relação à nova política da fabricante do iPhone, já que ela é um obstáculo ao direcionamento de anúncios.

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Facebook no celular (Imagem: Tecnoblog)

Lucro em meio ao Facebook Papers

Os resultados financeiros positivos chegam em meio a mais um momento de escrutínio público sobre a gigante das redes sociais. Um consórcio de veículos de imprensa está produzindo uma série de matérias a partir de um lote de documentos internos da companhia. O conjunto vem sendo chamado de Facebook Papers e vazou pelas mãos da ex-funcionária Frances Haugen.

As reportagens publicadas nessa segunda-feira (25) revelaram que a empresa reconhece os efeitos negativos de suas plataformas para jovens, sua dominância em áreas estratégias de mídia social e a insuficiência da inteligência artificial para moderar conteúdo.

A plataforma, inclusive, teria sido explorada para tráfico de pessoas no Oriente Médio, incitação à violência contra minorias étnicas na Etiópia e recrutamento de pistoleiros para um cartel de drogas no México, com uma resposta insuficiente por parte da empresa para coibir esse tipo de prática.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook (Imagem: Anthony Quintano/Flickr)

Na chamada com investidores, o CEO Mark Zuckerberg chamou o trabalho e as denúncias de “operação organizada para divulgar informações enviesadas e pintar uma visão errada sobre nossa companhia”. Ele defendeu uma regulamentação para redes sociais para definir os limites do que pode e o que não pode ser compartilhado nas plataformas.

Não é a primeira vez que o Facebook fica no centro do debate público por causa de escândalos. Em 2018, a revelação de que a Cambridge Analytica usou dados da rede social para microdirecionar anúncios políticos. O episódio levou a críticas em relação a como a companhia trata a privacidade dos usuários.

Zuckerberg também já teve que depor no Congresso americano para explicar como a plataforma lida com fake news e mentiras em anúncios políticos, bem como por acusações de monopólio contra o Facebook e outras big techs.

Pulseira do Facebook leva movimentos para realidade aumentada (Imagem: divulgação/Facebook)
Pulseira do Facebook leva movimentos para realidade aumentada (Imagem: divulgação/Facebook)

O nome continua o mesmo (por enquanto)

Na semana passada, circulou um rumor de que o Facebook poderia mudar de nome. A medida seria uma forma de refletir o novo foco da companhia, que agora está engajada em criar um ambiente digital mediado por realidade aumentada e realidade virtual, chamado metaverso. O novo projeto incluirá 10 mil empregos na Europa ao longo dos próximos cinco anos.

Assim, “Facebook” passaria a ser apenas o nome de uma das propriedades de uma empresa com outro batismo. É mais ou menos parecido com aconteceu no Google em 2015, que passou a ser uma subsidiária da Alphabet, holding que controla esta e outras companhias.

Até agora, o nome continua o mesmo, mas o metaverso continua sendo mencionado. Na chamada desta segunda, Zuckerberg divulgou que o próximo balanço financeiro terá resultados separados para o Reality Labs, braço da empresa focado em desenvolver as novas tecnologias. O CEO ainda prometeu dar mais detalhes sobre a próxima empreitada da companhia na quinta-feira (28).

“Esse investimento não vai ser lucrativo para nós nos próximos anos, mas acreditamos que esse é o futuro da internet móvel”, disse o executivo.