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YouTube remove live de Bolsonaro com fake news sobre COVID-19 e AIDS

O YouTube já havia derrubado outros vídeos de Jair Bolsonaro por desinformação relacionada à cloroquina, em julho; com nova remoção, canal deve ser suspenso

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O YouTube seguiu os passos do Facebook e removeu o vídeo publicado no canal do presidente Jair Bolsonaro com o conteúdo da live da última quinta-feira (21). Na transmissão, o presidente repercutiu uma notícia falsa que associava a vacina da COVID-19 à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). De acordo com as regras da plataforma, a remoção deve resultar em suspensão do canal por sete dias.

Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR - 02/07/20)
Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR – 02/07/20)

Como noticiamos anteriormente, Bolsonaro deu voz a uma fake news sobre COVID-19 na última quinta, durante sua tradicional live semanal exibida em redes sociais. O presidente citou, durante a transmissão, um suposto estudo realizado no Reino Unido que associava pessoas vacinadas estavam desenvolvendo AIDS.

O presidente resumiu brevemente o título da notícia e pediu que os espectadores fossem atrás dela posteriormente. “Recomendo que leiam a notícia. Não vou ler aqui porque posso ter problemas com a minha live”, disse o presidente. Em nenhum momento Bolsonaro sugeriu que a informação poderia ser falsa.

Segundo especialistas, não há a menor possibilidade das vacinas causarem AIDS — a síndrome é causada por uma infecção com o vírus HIV.

YouTube deve suspender canal de Bolsonaro por 7 dias

Como não é a primeira vez que Bolsonaro tem um vídeo removido do YouTube devido à desinformação, o canal está sujeito a penalidades. Seguindo as políticas da empresa, ao ter o segundo vídeo derrubado, a conta fica suspensa por sete dias.

Confira a nota do YouTube na íntegra:

“Removemos um vídeo do canal de Jair Bolsonaro por violar as nossas diretrizes de desinformação médica sobre a COVID-19 ao alegar que as vacinas não reduzem o risco de contrair a doença e que causam outras doenças infecciosas.

As nossas diretrizes estão de acordo com a orientação das autoridades de saúde locais e globais, e atualizamos as nossas políticas à medida que a orientação muda. Aplicamos as nossas políticas de forma consistente em toda a plataforma, independentemente de quem for o criador ou qual a sua opinião política”.

Ainda de acordo com as diretrizes da plataforma, caso Bolsonaro volte a violar as políticas de conteúdo do YouTube dentro de 90 dias, o canal pode ser suspenso por duas semanas. Na terceira, ele pode ser removido permanentemente.

Bolsonaro culpa revista por notícia falsa

Após a remoção do vídeo de Bolsonaro do Facebook e Instagram no domingo (24), o presidente deu uma entrevista para um programa de rádio no Mato Grosso do Sul. Segundo ele, a notícia falsa teria sido dada pela revista Exame, e ele apenas teria “repetido” a informação.

“A revista Exame fez uma matéria sobre vacina e Aids. Eu repeti essa matéria na minha live, dois dias depois a Exame falou que eu falei fake news. Foi a própria Exame que falou da relação de HIV com vacina, eu apenas falei sobre a matéria da revista Exame. E dois dias depois a Exame me acusa de ter feito fake news sobre HIV e vacina. A gente vive com isso o tempo todo.”

Entretanto, a matéria da Exame não cita nenhum documento oficial do governo britânico, o que foi mencionado pelo presidente na live.

Além disso, a reportagem da revista foi publicada em outubro de 2020, e era baseada em um texto de cientistas publicado no The Lancet a respeito da preocupação pelo uso do adenovírus 5 (Ad5) em estudos sobre vacinas contra COVID-19. O adenovírus 5 foi usado como vetor viral em pesquisas de vacinas contra o HIV no passado — daí a conexão encontrada pelo movimento antivacina.

Apesar disso, não há nenhum dado científico que ligue as vacinas da COVID-19 (mesmo as que usam adenovírus) a um desenvolvimento de AIDS “mais rápido do que o previsto”. Além do mais, as vacinas baseadas em adenovírus aprovadas no Brasil não utilizam o Ad5, e sim outros adenovírus associados a resfriado comum em humanos ou chimpanzés, e nada que possa favorecer infecção pelo vírus HIV.

Com informações: g1