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Seria o Nintendo 3DS uma sequência do Virtual Boy?

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9 anos atrás

Em 2010, uma das tecnologias sobre a qual mais ouvimos falar foi o 3D. Tecnicamente, a moda foi ressuscitada em 2009 com o blockbuster Avatar, mas a coisa pegou mesmo no ano seguinte.

Vimos surgir TVs, aparelhos de Blu-ray, atualização do PlayStation 3 que permite rodar Blu-ray com conteúdo em terceira dimensão, até mesmo celular 3D (que ainda não chegou aqui no Ocidente, mas é um indício de quão onipresente a tecnologia está se tornando).

Claro que o vindouro Nintendo 3DS (que já está em pré-venda nos Estados Unidos) entra na lista.

Quando digo que a tecnologia foi ressuscitada em 2009, isso é porque a moda do 3D não é exatamente novidade. Filmes em terceira dimensão nasceram nos anos 1950 como uma iniciativa para trazer o público de volta aos cinemas. Hollywood temia perder sua audiência para a  TV (que era novidade na época), e os executivos viram no 3D a forma perfeita de trazer as massas de volta às poltronas.

Talvez poucos lembrem disso, mas um indício da idade real do cinema 3D aparece em De Volta Para o Futuro. Lembra a gangue do Biff? Um dos capangas dele está sempre usando óculos 3D. O filme se passa em 1955, um período de alta popularidade do cinema 3D.

3D nos consoles também não é uma novidade. A tentativa mais notória de mesclar consoles com tecnologia 3D veio justamente da Nintendo. Tratava-se do malfadado Virtual Boy, de 1995. Tendo em consideração que o Virtual Boy ainda permanece – quinze anos depois  – como uma das maiores pisadas de bola da Nintendo, é curioso que a empresa retorne à premissa com o Nintendo 3DS.

Claro que as tecnologias são bastante diferentes. O Virtual Boy produzia gráficos em terceira dimensão através de um mecanismo de LEDs vermelhos (eram mais baratos para fabricar…) e espelhos que vibravam em alta velocidade. Uma tecnologia bastante primitiva e completamente inadequada para um aparelho portátil.

Nintendo 3DS: pode causar danos à saúde

Já o Nintendo 3DS utiliza display autoestereoscópico. Ou seja, ele produz imagens 3D sem a necessidade de óculos especiais. É a crista da onda da tecnologia 3D, um contraste absurdo com a tecnologia empregada e, pro desgosto dos pessismistas, a mídia especializada indicou gostar do efeito.

Até aí, tudo beleza. O problema foi quando a Nintendo anunciou, no fim do ano passado, que os efeitos 3D do Nintendo 3DS podem causar dano aos olhos de crianças mais novas, e declarou que o console não é aconselhado para idades abaixo de 6 anos. Se você considerar que o Nintendo DS (em todas as suas iterações) foi um sucesso entre faixas etárias mais baixas, o aviso é um tanto preocupante.

E a má notícia não termina aí. A Nintendo também adverte que as sessões de jogatina com o Nintendo 3DS devem se limitar a 30 minutos de cada vez, porque exposição prolongada ao efeito 3D produzido pelo aparelho pode causar desconforto, independentemente da idade do jogador. E a Nintendo também aconselha que você pare de jogar imediatamente se começar a se sentir mal.

Esses eram os mesmos avisos dados em relação ao Virtual Boy. Aliás, os cartuchos do Virtual Boy vinham até com uma função que pausava o jogo a cada meia hora para dar ao jogador uma chance de descansar os olhos, é bem possível que o Nintendo 3DS tenha uma função semelhante.

Pessoalmente, eu não tenho certeza de que a adição de uma terceira dimensão seja suficiente, por si só, para reenergizar o Nintendo DS. Há algumas outras novas features no console, mas é bastante claro que o carro-chefe do aparelho é o efeito 3D.

Com uma fatia lucrativa do seu público (a criançada mais nova) removida, efeitos colaterais desagradáveis que lembram o console mais infeliz da Nintendo e a competição cada vez mais acirrada de aparelhos portáteis que começam a tomar o espaço dos consoles portáteis, fica a dúvida no ar — qual será o futuro do Nintendo 3DS?

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