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CEO da Activision Blizzard corta o próprio salário até que empresa melhore

Bobby Kotick pediu para receber apenas o salário mínimo da Califórnia (US$ 62,5 mil por ano) até a empresa cumprir cinco metas de inclusão

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O presidente da Activision Blizzard, Robert “Bobby” Kotick, decidiu cortar o próprio salário em meio aos escândalos de assédio e desigualdade na empresa nos últimos meses. Em uma carta aberta endereçada aos funcionários, o CEO diz que vai passar a receber somente o salário mínimo da Califórnia até que diversas “metas transformadoras” sejam alcançadas.

Robert "Bobby" Kotick, CEO da Activision Blizzard (Imagem: Divulgação/Activision Blizzard)
Robert Kotick, CEO da Activision Blizzard (Imagem: Divulgação/Activision Blizzard)

No comunicado, Kotick estabelece cinco metas que falam sobre tolerância zero em casos de assédio, contratação de mais mulheres e pessoas não binárias, extinção de arbitragem em denúncias de má conduta no trabalho, equidade salarial e transparências nos processos.

Enquanto esses objetivos não forem alcançados, Kotick ficará recebendo o salário mínimo da Califórnia: US$ 62,5 mil por ano. O CEO também não vai aceitar receber qualquer compensação, participação nos lucros da empresa ou bônus por desempenho nesse período.

Antes da redução, o CEO ganhava US$ 875 mil por ano. Contudo, até 2020, Kotick chegou a receber US$ 1,75 milhão anuais. Mesmo depois desse primeiro corte, o presidente ainda era elegível a ganhar até 200% do seu salário como bônus uma vez por ano.

É importante lembrar que Kotick quase ganhou uma bonificação de US$ 200 milhões no início do ano. Em vez disso, os acionistas da Activision Blizzard liberaram “apenas” US$ 155 milhões em bônus. Hoje, o presidente é um dos executivos mais bem pagos do mundo e acumula um patrimônio líquido de bilhões de dólares.

As metas da carta de Bobby Kotick

Como a carta de Bobby Kotick é muito grande, vale destacar apenas os pontos mais importantes de cada parágrafo.

Em primeiro lugar, Kotick diz que a Activision Blizzard precisa adotar uma “nova política de tolerância zero para assédio em toda a empresa”. A ideia é criar “regras mais rígidas e fazer monitoramento consistente em toda a empresa” para garantir “políticas mais rigorosas contra assédio” e assegurar a “não retaliação de qualquer empregador”.

Em seguida, Kotick fala sobre inclusão na empresa. “Buscaremos aumentar nosso percentual de mulheres e profissionais não-binários em aproximadamente 50% nos próximos cinco anos”. O CEO também garante um investimento de US$ 250 milhões em “iniciativas que promovam oportunidades em jogos e tecnologia para comunidades sub-representadas”.

No terceiro tópico, o presidente promete o fim da “exigência de arbitragem em alegações de assédio sexual e discriminação”. Em outras palavras, os funcionários não serão mais obrigados a procurar soluções judiciais para fazer denúncias de má conduta individualmente.

No quarto ponto, Kotick comenta sobre querer melhorar a transparência salarial na Activision Blizzard. Nesse parágrafo, o CEO aponta que “as mulheres na empresa ganharam, em média, um pouco mais do que os homens por um trabalho comparável em 2020, segundo dados dos EUA”.

Por fim, Kotick afirma que a empresa vai passar a monitorar o progresso de todas as ações de inclusão e irá atualizar funcionários e acionistas de forma regular. Para o presidente, os processos judiciais movidos contra a Activision Blizzard estão servindo como “catalisadores” para melhorar a empresa.

Com informações: Eurogamer, The Verge, Polygon.