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Brisanet compra licenças de 5G para atuar no Nordeste e Centro-Oeste

Brisanet paga mais de R$ 1 bilhão por licença regional e deve levar 4G e 5G para região Nordeste; operadora também comprou frequência para Centro-Oeste

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A Anatel realiza hoje (4) o leilão do 5G, e o certame conta com a participação de várias operadoras menores. A Brisanet, que atua com serviço de banda larga por fibra óptica na região Nordeste, garantiu frequências para atuar com a quinta geração. A surpresa é que a gente não sabia a disposição da tele: ela arrematou uma outorga por mais de R$ 1 bilhão e também irá atuar na região Centro-Oeste.

Loja da Brisanet (Imagem: Reprodução/Brisanet)
Brisanet atua com serviços por fibra óptica em estados do Nordeste (Imagem: Reprodução)

Ao contrário de Claro, TIM e Vivo, a Brisanet não deu lance em blocos de frequências nacionais, mas arrematou licenças em duas regiões. Veja os preços e o ágio:

BlocoValor do lanceÁgio
C04 3,5 GHz, com 80 MHz de espectro Região NordesteR$ 1,25 bilhão13.741,71%
C05 3,5 GHz, com 80 MHz de espectro Região Centro-Oeste (exceto nas áreas atendidas pela Algar)R$ 105 milhões4.054,27%
E04 2,3 GHz, com 50 MHz de espectro Região NordesteR$ 111,38 milhões0%

O certame tinha outras operadoras interessadas nos blocos de 3,5 GHz do Nordeste, mas o ágio oferecido pela Brisanet foi muito maior e não houve nenhuma contra-proposta. Chama atenção que a operadora também comprou capacidade para operar em 2,3 GHz na região, que permite a utilização com a tecnologia 4G.

Além de pagar pela frequência, a Brisanet deverá cumprir alguns compromissos. A compra de 3,5 GHz exige que a operadora leve cobertura 5G para municípios com menos de 30 mil habitantes da região, além de expandir a rede de transporte (backhaul) com fibra óptica até essas localidades.

Por outro lado, a frequência de 2,3 GHz carrega a obrigação de levar sinal 4G para todos os municípios e localidades que ainda não possuem a tecnologia. Esses compromissos deverão ser cumpridos apenas na região Nordeste, uma vez que a Brisanet não arrematou o espectro de quarta geração para a região Centro-Oeste.

Não valia a pena ter comprado uma licença nacional?

Eu tomei um grande susto quando a Brisanet deu lance inicial de R$ 1,25 bilhão na frequência de 3,5 GHz. Foi um recado muito forte para o mercado de que a tele quer entrar de cabeça com 5G.

Ao mesmo tempo, Claro, TIM e Vivo arremataram licenças nacionais com a mesma quantidade de espectro por menos da metade do preço. Sendo assim, é comum questionar: não era melhor ter comprado uma licença nacional?

E a resposta é: não. Esse é um leilão sem viés arrecadatório, ou seja, as licenças foram precificadas com valor baixo e carregaram consigo uma série de compromissos:

  • o lote regional arrematado pela Brisanet inclui compromissos na casa de R$ 93,7 milhões;
  • um lote nacional exigirá aportes de R$ 3,7 bilhão para cumprimento das exigências.

Como a Brisanet não parece ter intenção de atuar em todo o Brasil (ao menos por enquanto), não faria sentido comprar o lote de licença nacional mesmo com o valor menor.

Mas quem é Brisanet?

A Brisanet é um dos maiores fenômenos quando se trata de banda larga por fibra óptica. Sua atuação é concentrada na região Nordeste, e ela é gigante por lá: são mais de 850 mil clientes de internet fixa, o que a coloca acima de grandes operadoras quando se compara o mercado regional.

Atualmente, a Brisanet vende seus serviços em seis estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. No entanto, a empresa descreve que sua missão é “levar internet de qualidade para todos os cidadãos da região Nordeste, incluindo aqueles que residem em locais distantes dos grandes centros urbanos”.

Além da banda larga fixa, a Brisanet também vende TV por assinatura via IPTV, telefonia fixa VoIP e… telefonia celular. Pois é: graças a uma parceria com a Vivo, a gigante da fibra óptica já atua no segmento móvel com sua própria operadora virtual. Sabe-se lá o que vai acontecer daqui pra frente…