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Dos celulares para os consoles de verdade

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9 anos atrás

Logo que os aparelhos rodando iOS (iPhone, iPod Touch e, mais recentemente, o iPad) começaram a despontar como alternativas ao status quo da jogatina portátil, muitos gamers puristas rejeitaram a ideia. Isso já é de conhecimento popular; já abordei este tema aqui no TB no passado.

O argumento mais predominante - e que não é de todo sem mérito - é que celulares, tocadores de mídia e tablets não têm hardware otimizado para desempenho de jogos que necessitem de um esquema de controle mais tradicional (ou seja, gameplay dependente de alavanca analógica e botões).

Para este problema, existem soluções de software - controles virtuais na tela, que ainda enfrentam resistência de uma boa parcela dos gamers - e de hardware. Acessórios como o Joystick-IT ou o Fling foram criados justamente para contornar o problema da falta de controles físicos.

Pena que tem um jeitão de gambiara

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O segundo argumento é que games para celulares e tablets são geralmente jogos mais simplificados. "Casual" - um verdadeiro palavrão para os gamers hardcore - é o único apelo de tais jogos. Argumentam ninguém se daria ao trabalho de jogar Angry Birds ou Cut the Rope (dois dos maiores sucessos nas plataformas da Apple no momento) se não estivesse numa fila de banco ou esperando sua consulta no dentista.

Pois bem, a nova tendência dos desenvolvedores parece concordar com o primeiro argumento dos gamers hardcore - a falta de botões fere o potencial dos jogos iOS -, mas discorda do segundo - sim, alguém jogaria Angry Birds mesmo que tivesse à sua disposição God of War no mesmo console.

E por isso, jogos que nasceram nos celulares começam a migrar para consoles tradicionais.


(YouTube)

Rovio Mobile, a empresa finlandesa que produz Angry Birds, já lançou-o para o PSP/PS3 (jogos Mini vendidos na PSN rodam em ambas plataformas) e tem planos de trazê-lo para o Nintendo DS e Xbox 360. Quando o Yahoo News noticiou a novidade, a colunista Jillian McCoy até comentou o quão incomum é ver games de celular aparecendo em consoles, já que normalmente o que vemos é o inverso. Mas Angry Birds é um fenômeno à parte,  já existe até jogo de tabuleiro baseado no hit da Rovio, que será lançado em maio deste ano.

A desenvolvedora Gameloft, uma velha conhecida do mundo mobile que está se consagrando na App Store como uma empresa de peso, também está levando seus jogos aos consoles.

Hero of Sparta, um jogo fortemente inspirado na série God of War ("fortemente inspirado" é para ser imparcial; fãs do Kratos provavelmente chamariam de "cópia descarada"), chegou aos PSPs em outubro passado. E, pasmem, recebeu uma nota muito boa do IGN (7,9 de 10).

N.O.V.A., também da Gameloft (e também inspirado em uma outra franquia de peso dos consoles, desta vez Halo) também se prepara para chegar no PSP. Estará no mesmo formato Mini, disponível para download por um precinho mais camarada do que jogos lançados via mídia física.


(YouTube)

Modern Combat, a versão gameloftiana de Modern Warfare, ganhou continuação na App Store e um terceiro jogo no PS3, o Modern Combat: Domination. Talvez não tenha o apelo global da franquia da Activision, mas os gráficos do trailer impressionam e o precinho (míseros US$8) é tentador.

Flight Control, outro jogo que desfrutou uma alta posição na listagem de títulos mais vendidos na App Store, já apareceu no Nintendo DS e até mesmo no PS3.

O que significa esse êxodo dos "joguinhos casuais" de celular para consoles de verdade? Existem duas formas de interpretar a migração.

Uma delas é que os desenvolvedores estão atirando para todo lado, ou seja, apelando para clássica tática da Electronic Arts que consiste em lançar seus jogos para qualquer aparelho com uma tela. Há quem diga que esse aparente desespero é sinal de que o mercado dos jogos de celular talvez seja uma bolha prestes a estourar, e que as desenvolvedoras querem pôr o pé no mercado competidor antes que a coisa toda afunde.

Já há quem acredite que os games nascidos em celulares atingiram um patamar de legitimidade que causa demanda por eles em outras plataformas. Afinal, nem todo mundo tem um smartphone que faz as vezes de console portátil, mas mesmo essas pessoas já ouviram falar nos jogos mais populares. Se estão levando tais jogos ao alcance dos jogadores tradicionais, algum interesse deve existir.

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