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Dos celulares para os consoles de verdade

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Logo que os aparelhos rodando iOS (iPhone, iPod Touch e, mais recentemente, o iPad) começaram a despontar como alternativas ao status quo da jogatina portátil, muitos gamers puristas rejeitaram a ideia. Isso já é de conhecimento popular; já abordei este tema aqui no TB no passado.

O argumento mais predominante – e que não é de todo sem mérito – é que celulares, tocadores de mídia e tablets não têm hardware otimizado para desempenho de jogos que necessitem de um esquema de controle mais tradicional (ou seja, gameplay dependente de alavanca analógica e botões).

Para este problema, existem soluções de software – controles virtuais na tela, que ainda enfrentam resistência de uma boa parcela dos gamers – e de hardware. Acessórios como o Joystick-IT ou o Fling foram criados justamente para contornar o problema da falta de controles físicos.

Pena que tem um jeitão de gambiara

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O segundo argumento é que games para celulares e tablets são geralmente jogos mais simplificados. “Casual” – um verdadeiro palavrão para os gamers hardcore – é o único apelo de tais jogos. Argumentam ninguém se daria ao trabalho de jogar Angry Birds ou Cut the Rope (dois dos maiores sucessos nas plataformas da Apple no momento) se não estivesse numa fila de banco ou esperando sua consulta no dentista.

Pois bem, a nova tendência dos desenvolvedores parece concordar com o primeiro argumento dos gamers hardcore – a falta de botões fere o potencial dos jogos iOS -, mas discorda do segundo – sim, alguém jogaria Angry Birds mesmo que tivesse à sua disposição God of War no mesmo console.

E por isso, jogos que nasceram nos celulares começam a migrar para consoles tradicionais.


(YouTube)

Rovio Mobile, a empresa finlandesa que produz Angry Birds, já lançou-o para o PSP/PS3 (jogos Mini vendidos na PSN rodam em ambas plataformas) e tem planos de trazê-lo para o Nintendo DS e Xbox 360. Quando o Yahoo News noticiou a novidade, a colunista Jillian McCoy até comentou o quão incomum é ver games de celular aparecendo em consoles, já que normalmente o que vemos é o inverso. Mas Angry Birds é um fenômeno à parte,  já existe até jogo de tabuleiro baseado no hit da Rovio, que será lançado em maio deste ano.

A desenvolvedora Gameloft, uma velha conhecida do mundo mobile que está se consagrando na App Store como uma empresa de peso, também está levando seus jogos aos consoles.

Hero of Sparta, um jogo fortemente inspirado na série God of War (“fortemente inspirado” é para ser imparcial; fãs do Kratos provavelmente chamariam de “cópia descarada”), chegou aos PSPs em outubro passado. E, pasmem, recebeu uma nota muito boa do IGN (7,9 de 10).

N.O.V.A., também da Gameloft (e também inspirado em uma outra franquia de peso dos consoles, desta vez Halo) também se prepara para chegar no PSP. Estará no mesmo formato Mini, disponível para download por um precinho mais camarada do que jogos lançados via mídia física.


(YouTube)

Modern Combat, a versão gameloftiana de Modern Warfare, ganhou continuação na App Store e um terceiro jogo no PS3, o Modern Combat: Domination. Talvez não tenha o apelo global da franquia da Activision, mas os gráficos do trailer impressionam e o precinho (míseros US$8) é tentador.

Flight Control, outro jogo que desfrutou uma alta posição na listagem de títulos mais vendidos na App Store, já apareceu no Nintendo DS e até mesmo no PS3.

O que significa esse êxodo dos “joguinhos casuais” de celular para consoles de verdade? Existem duas formas de interpretar a migração.

Uma delas é que os desenvolvedores estão atirando para todo lado, ou seja, apelando para clássica tática da Electronic Arts que consiste em lançar seus jogos para qualquer aparelho com uma tela. Há quem diga que esse aparente desespero é sinal de que o mercado dos jogos de celular talvez seja uma bolha prestes a estourar, e que as desenvolvedoras querem pôr o pé no mercado competidor antes que a coisa toda afunde.

Já há quem acredite que os games nascidos em celulares atingiram um patamar de legitimidade que causa demanda por eles em outras plataformas. Afinal, nem todo mundo tem um smartphone que faz as vezes de console portátil, mas mesmo essas pessoas já ouviram falar nos jogos mais populares. Se estão levando tais jogos ao alcance dos jogadores tradicionais, algum interesse deve existir.

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@gabrielcorreas
Acredito que jogos mobile como Angry Birgs, Plants vs Zombies, Canibal Bunnies, etc não substituirão os consoles. Eu jogo estes no Ipad, e mto. No PS3 não... Depende mto da situação Curto os jogos, mas são para plataformas diferentes, na minha opinião
Mobile Gamer BR
Sobre algumas de suas citações: Hero of Sparta, tá de brincadeira né? aquele jogo é muito mediano. A história nem se fala. falar que ele é surpreendente é "forçar a amizade" O "paradigma" crysis somente foi citado para comprovar como a geração atual só curte gráficos e não sabe curtir um bom jogo e principalmente, um bom DESAFIO.
Mobile Gamer BR
@Ramon Melo Se eu não neguei o baixo nível de exigência, vossa excelência simplesmente esqueceu por completo o exemplo citado (tetris). Se você não entende o sucesso destes jogos e o porquê de jogos com "baixa exigência" viciarem tanto, então você NÃO ENTENDE de video game em geral. Quando Tetris foi lançado muitas pessoas (como você) se perguntavam por que um jogo de tão "baixa exigência" podia ser tão viciante e fazer tanto sucesso.. Aonde eu quero chegar é dizer que embora esses jogos sejam casuais, passam longe de ser ruins. E se mesmo assim você achar ruim é notório que seu estilo de jogo é outro. Porém, uma coisa é a proposta do projeto, que no caso dos jogos casuais, já nasce simples, mas cumpre a função de divertir. Eles atingem uma parcela (bem grande aliás) de jogadores que querem um jogo simples, mas com algum DESAFIO. (algo que anda faltando nos jogos de consoles atuais) Jogo casual só significa que ele é direto/simples. Mas não significa que o jogo é fácil. Novamente reforço com o Angry Birds, que é bem mais difícil que God of War por exemplo. Por isso o seu argumento da "baixa exigência" só é justificável se você procura algum jogo com história aprofundada.
Ramon Melo
Os prejulgamentos falaciosos dos quais você lançou mão mostram que seu objetivo não é o debate de ideias, mas simplesmente tentar convencer através da repetição mecânica dos seus argumentos. Nunca disse que era um "fãboy de gráficos" (sic); não me lembro de nenhuma relação entre popularidade e qualidade (aliás, as estatísticas frequentemente apontam o contrário); não sei de onde você tirou que minha "linha" favorece shooters ou simuladores (a não ser que você tenha aproveitado meus exemplos, que são apenas isso: exemplos); não entendo a ligação que você fez entre preferência do público em geral com a qualidade de portáteis no fim da linha de produção; e, sinceramente, fiquei estarrecido ao ver que você suscitou Crysis assim, à toa. Aliás, da maneira que você disse, 8 parece uma nota tenebrosa para um jogo, mesmo quando ele se transformou num novo paradigma (tanto que você o citou espontaneamente). Meus comentários nesta matéria estão unicamente tentando lembrar a algumas pessoas que o mundo não gira em torno de Angry Birds, Ainda há um mercado de jogadores que desejam qualidade mesmo quando estão jogando games casuais, que parece ter tido sua morte decretada por setores da internet graças à invasão daquele tipo de jogo. Existem ótimos jogos para celulares, como os surpreendentes Zenonia (RPG) e Hero of Sparta (ação), sem falar no lançamento recente da Sega, Sonic 4. Por que eles não estão sendo citados aqui? Por que são sempre Plants vs. Zombies e Angry Birds? A resposta é simples: baixo nível de exigência, circunstância que, curiosamente, você não se deu ao trabalho de negar. Aos demais leitores: Peço desculpas pela discussão, que poderia ter sido evitada se eu houvesse prestado mais atenção no nick ou no site para formular uma opinião sobre o autor dos comentários antes.
Mobile Gamer BR
O nível de exigência vai depender do projeto, plataforma e valor a ser pago pelo jogo. Ex: jogos de celular no geral tem um exigência bem abaixo dos outros consoles por ser uma "atividade agregada" além do valor a ser pago ser muito menor. É totalmente diferente, pagar 400 reais por uma edição limitada de um jogo de console do que pagar 1 dolar por um jogo de celular, plataforma que nem foi feita exclusivamente para esse propósito (gaming) Apesar disso os jogos de celular tem tido um sucesso tão retumbante que por vezes se torna impossível ignorá-los. E dependendo do jogo o mesmo pode sim, ser mais satisfatório que um jogo de console, conforme pesquisa (link abaixo) que prova que 27% dos gamers q tem console jogam mais no smartphone do que no próprio console. http://www.mobilegamer.com.br/2010/12/smartphones-abocanham-fatia-de.html Se for qualificar um jogo só pelos quesitos gráficos, muita gente deveria só rodar demo técnica e não o jogo em si. Outra prova do que você está falando não tem fundamento pode ser citado no caso de Crysis. Considerado um jogo de média 8 pela crítica em geral, vcs fãboys de gráficos o consideram uma "dádiva vinda dos céus". Segundo sua linha ainda, qualquer jogo que não tenha elaborados gráficos e efeitos tridimensionais, ou não seja FPS/TPS ou simulador, é imediatamente considerado inferior.
Mobile Gamer BR
(“não está diretamente relacionada”, no fundo, demonstra que seu nível de exigência não é alto") Hum, é mesmo? então explique o fenômeno Tetris que até você mesmo deve considerar um game genial. Será que jogos casuais são tão novos assim ou é você que desconhece o conceito de casualidade?
@Fireballmaker_
Mas é óbvio que é uma questão pessoal! Deixei bem claro isso no comentário, por sinal. A qualidade de um jogo pode até não ser completamente dependente do que você qualificou como detalhes, mas dizer que "não está diretamente relacionada", no fundo, demonstra que seu nível de exigência não é alto. Aliás, como boa parte do mercado consumidor de jogos como Angry Birds. O momento não é propício para avaliar o fenômeno dos jogos casuais, porque eles são a mais nova moda no meio gamer. Afinal, há bem pouco tempo, jogos musicais eram a grande sensação e as vendas de Rock Band 3 e Guitar Hero 6 ano passado foram decepcionantes. Nada garante que esta moda veio para ficar.
Paulo Renan
Cara essa questão de "não vale nem 1 dólar" "honestamente, não vi nada demais" é muito pessoal. Pra mim os jogos valem mais que isso com certeza. Plants vs. Zombies foi um dos jogos que eu mais joguei no meu macbook. Como ja disseram anteriormente eu não gostei dele no iPhone por causa do tamanho da tela, que limita muito a esperiência do jogo. Agora ele jogado em um computador bate de frente com muito jogão por aí. O COD Black Ops eu zerei em 6 horas e NUNCA mais joguei, só multiplayer de vez em quando. Já o Plants vs Zombies eu perdi a conta das vezes que minha namorada quis atirar meu note pela janela porque eu nao largava o jogo. haha. A qualidade de um jogo, para mim, não está diretamente relacionada à grandiosidade da trama, engenharia sonora, qualidade gráfica, etc, mas está relacionada com a diversão que o jogo proporciona, afinal essa é a premissa de qualquer jogos. Enquanto uns se divertem bastante jogando farmville outros não dispensam um god of war, final fantasy, etc.
Mobile Gamer BR
Nada disso, é muita "noobice" achar que o gamer "hardcore" é definido pela plataforma, quando existe jogos casuais também no PSP ou DS. OBS: Call of Duty existe também para smartphones. Tenho jogado bastante alguns jogos ditos casuais, e posso afirmar que "cut the rope" e "angry birds" são tão ou mais difíceis que jogos como god of war e call of duty...rs Tem muita gente por aí que joga games ditos hardcore, zera apenas uma única vez no easy e se acham gamer profissionais.
@Fireballmaker_
Esses jogos só estão migrando para o console porque o mercado de games se expandiu para além dos gamers tradicionais. Era um passo natural que a indústria começasse a oferecer cada vez mais jogos casuais e, como este fenômeno é forte em smartphones, as desenvolvedoras não iriam perder esta oportunidade. Mas a verdade é que o hardcore gamer não está nem aí para isso. Eu já tive o desprazer de jogar Angry Birds e Plants vs. Zombies e, honestamente, não vi nada demais. São dois jogos que não valem nem 1 dólar, mas se tem quem compre e goste, ótimo, o dinheiro foi feito para circular mesmo. Na fila do banco ou no vaso sanitário, o hardcore vai ligar seu PSP para jogar uma corrida no Gran Turismo ou seu DS para treinar alguns Pokemóns e, quando chegar em casa, vai ligar o console para jogar Call of Duty, como sempre. Da maneira que certas pessoas falam, parece que é algum tipo de crime não gostar de Angry Birds.
leandrolopesp
Eu sinceramente não gosto de jogar jogos de ação no ipad e no iphone pq eu fico tapando tudo na tela. Só por isso. Mas é uma plataforma perfeita pra jogos como spacedunk, iblast moki, tesla wars ou jogos de estratégia. O iOS até que é uma boa plataforma, queria que tivesse mais jogos não-casuais. Aliás, jogo casual virou xingamento e tem muitas horas em que é um termo até que meio sem sentido. Tem jogos claramente casuais, como é o caso de Angry Birds que pode ser jogado todo nas idas ao vaso sanitário. Tetris é casual? E os jogos tipo Quake Arena? Counter Strike? E eu acho que é algo natural a migração de uma versão de um video-game menor pra uma maior - quando existem mudanças. O Suda51 falou que talvez o próximo no more heroes seja pra PS3 por que o Wii não aguenta o que ele quer fazer. Quem sabe? É uma migração também, já que dá pra colocar o Wii numa lista mediana entre hardcore e casual. Talvez seja o melhor dos no more heroes, talvez não agrade a todos. Os jogos de iphone são práticos por que estão com vc o tempo todo. Não precisa ligar a tv só pra isso, fazer a mulher perder a novela pra jogar. Jogos mais longos, pra mim, cabem melhor nos portáteis pra vc poder se dedicar a eles por mais tempo. O importante é que o video-game continue sendo tratado como uma arte importante e parar com esse papo pré-adolescente de odeio isso, odeio aquilo, jogo de faggot e por ai vai.
@mosblenarufa
Já eu gosto de jogos mobiles,você sabe que um jogo é bom quando você com um ps2,um pc com internet,sendo convidado para ir jogar guitar hero no 360 de um colega,tu se deita no sofa e joga Sonic 4 for IOS...
Mobile Gamer BR
O "mote" da questão é: por que os jogos de celulares estão indo para outras plataformas? O motivo do ocorrido é um sucesso, originalidade e a demanda dos mesmos. Um exemplo são alguns jogos casuais que são melhores que os jogos casuais de plataformas como PSN e Xbox live. As empresas que detém os jogos de maior sucesso na App Store são estúdio pequenos que não tem condições de fazer projetos para "atirar para todo lado" como a EA faz.
@brunogdb
Concodo com você, eu pensei logo, cara, para que vou comprar o jogo na App Store, baixei Lite version, estou com um que peguei na App Store brasileira, iGibbets, jogo legal, tem 2 dias instalado, só joguei 1 vez que fiquei sem conexão e outra que eu estava no carro sem conexão também, fora isso nunca mais joguei, se eu tiver que jogar, é na TV, claro, você pode jogar na rua, que é legal que pode se interagir com amigos, mas eu não compraria um, uma das coisas que eu penso logo, é, tem hora que smartphone não é para isso, eu vou comprar um Android logo, tem jogos legais, dizem que o Angry Birds é legal, mas eu acho que não vou baixar, sabe por que? Porque eu sei que não vou jogar por muito tempo, agora se eu baixar para meu PC, eu vou jogar, entende o que eu digo, é uma grande diferença, eu prefiro gastar 2.000 reais num console para jogar do que comprar um iPhone da vida só para isso, para mim é assim, smartphone é para usar internet, redes sociais, email, regular sua vida por ele, quando eu peguei meu iPhone pensei logo, nem vou baixar muito jogo, eu só estou gastando o espaço dele com Apps para produtividade, redes sociais e compromissos.
Mobile Gamer BR
A tendência não é um retrocesso ou um avanço... E um retorno ao velho lúdico dos video games. Quando esse negócio começou ninguém passada 4 horas jogando direto, as pessoas jogavam por jogar e depois continuam suas vidas. A proposta dos jogos mobile sempre foi essa, nunca foi pra substituir console ou portátil, a proposta é diversão rápida em qualquer lugar.
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