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Jon Maddog propõe OLPC em escala nacional

Presidente da Linux International explica os fundamentos do Projeto Cauã.

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8 anos atrás

Uma multidão de geeks acompanhou a palestra de Jon Maddog Hall, o atual presidente do Linux International. Maddog subiu ao palco principal da Campus Party para falar de seu projeto mais recente, o Cauã (sim, esse é o nome do projeto). O ativista do software livre espera que todos os brasileiros tenham acesso ao computador já nos próximos anos.

A ideia por trás do Projeto Cauã é relativamente simples, mas ainda assim gigantesca. Sua intenção é ter uma base instalada de 400 milhões de thin clientes no país, possibilitando que 190 milhões de brasileiros tenham acesso decente ao computador e também à internet.

Maddog fala a campuseiros (foto: Danilo Braga) | Clique para ampliar

Nessa batalha, Maddog convoca os sysadmins brasileiros. Ele quer que as grandes cidades contem com uma verdadeira rede interligando todas as pessoas. Parece grandioso, e é mesmo: cada edifício residencial deverá ter pelo menos um sysadmin, para prestar assistência técnica aos moradores dali. Esse profissional ficará responsável por manter a rede funcionando, orientar os moradores, entre outras coisas. Vai ser pago para isso, naturalmente.

“Queremos criar milhões de empregos no setor privado de alta tecnologia” , diz o presidente da Linux International. Os entendidos de TI seriam beneficiados com um amplo mercado de trabalho, enquanto os consumidores teria a chance de receber um serviço de qualidade, com direito a suporte técnico decente quando necessário.

Os thin clients são a base da estrutura que Maddog deseja montar no país. Cada residência precisa ter pelo menos um equipamento desses para que o projeto dê certo. As especificações são bastante modestas: aparelhos com processadores Atom (capazes de reproduzir vídeos e usar a internet), 2 GB de memória RAM e duas placas de rede de 1 Gbit. Além disso, um roteador integrado permitirá compartilhar a conexão com os demais participantes do projeto.

Nada de partes móveis nos thin clients, segundo Maddog. As ventoinhas não terão vez nos equipamentos, até porque o risco de um superaquecimento é bem pequeno. Quem leva vantagem com isso são os hospitais, pois essa forma de diminuir o calor também ajuda a disseminar germes.

Presidente da Linux International quer instalar 400 milhões de thin clients no Brasil (foto: Danilo Braga) | Clique para ampliar

Compartilhar, aliás, é um dos pontos-chave do ativista. “Use a minha internet gratuitamente o quanto quiser, mas, quando eu sair da minha residência, permita-me usar a sua também gratuitamente”, argumenta Maddog.

Ele diz que as companhias telefônicas têm interesse nesse tipo de dinâmica porque não terão mais que responder diretamente aos clientes, que muitas vezes apresentam problemas simples demais (ou esdrúxulos demais). Em vez disso, os sysadmins locais ficarão responsáveis por manter a rede funcionando. Caso isso não aconteça por causa de uma falha da operadora, também serão os responsáveis por solicitar o suporte técnico.

Todos os thin clients devem estar conectados a servidores centrais, que serão os responsáveis reais pelo que é apresentado na tela. À medida que o usuário precisa de mais processamento, automaticamente o servidor aumenta seu consumo.

Maddog já estuda formas de colocar o Projeto Cauã em prática. O quadro de diretores é quase inteiramente composto por brasileiros, enquanto a diretoria técnica tem figurinhas carimbadas do Debian e da HP. Programas pilotos relacionados ao Cauã devem ser iniciados ainda em 2011.

Acho que não preciso nem dizer que todo o software envolvido no Projeto Cauã deverá ser livre.