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IPv6: Tudo o que você precisa saber sobre a chegada dessa tecnologia

O que é IPV6? Saiba mais sobre o protocolo que irá substituir o IPV4. De quebra ainda te mostramos um tutorial de como testá-lo.

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7 anos atrás
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Na semana passada explicamos aqui como o esgotamento da tabela de endereços IPv4 afetaria o usuário final da internet. Apesar do artigo responder algumas das dúvidas sobre o término da alocação da tabela, ele não responde alguns dos questionamentos levantados pelos leitores nos comentários, envolvendo seu sucessor, o IPv6. Então me sentir no dever de fazer outro artigo explicando como essa mudança vai acontecer e o que você precisa saber. Está pronto? Vamos lá.

Como é esse novo IPv6? Quantos endereços ele permite?

Diferente do seu antecessor, o IPv6 é limitado em 128 bits de espaço para os endereços. Eles são representados por 8 grupos com 4 dígitos hexadecimais em cada um deles, separados por dois pontos. Isso quer dizer que você verá endereços de IP maiores e possivelmente com as letras A, B, C, D, E e F no meio deles. Quer um exemplo de IPv6? Olha ele aí: 2001:0db8:85a3:0000:0000:8a2e:0370:7334.

Ele também pode ser representado da seguinte maneira: 2001:0db8:85a3:0:0:8a2e:0370:7334, já que os grupos cujo todos os dígitos são zeros podem ser representados por apenas um deles. Ainda há uma terceira forma de exibi-lo, de maneira ainda mais simples do que as anteriores: 2001:db8:85a3::8a2e:370:7334 também é válido, pois os grupos de zero podem ser substituídos por uma dupla de dois pontos e os zeros iniciais dos grupos podem ser omitidos sem problema.

O IPv6 permite mais de 340 Unidecilhões de endereços, o que é mais ou menos 75 trilhões maior do que a quantidade permitida pelo IPv4. Ou seja, não vamos esgotá-los em um futuro muito próximo.

Em tempo: O site Usinet tem o melhor endereço em IPv6 que já vi: 2804:14:cafe:beba::c0ca. Sério. (dica do @arcanjo).

Quando os IPs v4 acabarem, vou perder minha conexão?

Não. Você vai continuar navegando tranquilamente na rede usando o IPv4, pois todos os servidores devem estar configurados para aceitar os dois protocolos. A única coisa que vai acontecer quando não houverem mais IPv4 para distribuir é uma queda no crescimento da Internet. Isso, claro, se os provedores do mundo todo não tenham implementado o IPv6 ainda, o que é bastante provável. O primeiro RIR que deve esgotar seus endereços IPv4 é o APNIC, que controla a distribuição de endereços na região da Ásia. Segundo as últimas estimativas, o esgotamento deve acontecer na metade do ano ou pouco depois.

Já o LACNIC, responsável por toda a área da América Latina, ainda tem alguns milhões de endereços para distribuir, segundo as estatísticas disponibilizadas na página.

Vou precisar mudar alguma coisa no meu roteador?

Teoricamente não. A menos que você queira fazer com que sua rede interna use IPv6, não vai ser necessário fazer nenhuma mudança no seu roteador, seja ele de LAN ou WAN. Para saber se o novo tipo de endereçamento é suportado no seu roteador, a melhor maneira é procurar a fabricante do equipamento. Se ele for antigo, é bem provável que não suporte. Mas isso não é nada que uma atualização de firmware não resolva.

Ainda assim, a rede interna em IPv6 só vai funcionar se todos os seus computadores suportarem o novo protocolo de endereçamento e também se o seu provedor te der um IPv6. Como o novo protocolo não suporta NAT, cada dispositivo conectado vai ter um IP real, com o qual se conecta na internet. Ele vai ser gerado de acordo com esse endereço, que por sua vez, deve permitir mais de 65 mil subredes.

E a responsabilidade por te dar um IPv6 vai ser do modem, o que me leva à próxima pergunta…

Precisarei de um modem novo?

Depende da sua provedora de internet. Elas terão duas alternativas quando precisarem oferecer o IPv6 para seus clientes. A primeira é criar um sistema de tunnel broker, em que você navega com IPv6 mas através de um endereço IPv4. A segunda é substituir os modems atuais, que não suportam ainda o novo endereçamento, por novos modems. Aqui no Brasil eu já posso chutar qual a alternativa os provedores deverão escolher, visando uma economia de recursos.

Eu entrei em contato com todos os grandes provedores de internet no Brasil (Oi Velox, GVT, NET Virtua e Speedy) perguntando sobre os planos de cada uma para a implementação do IPv6. Assim que elas responderem, farei um novo post com as respostas.

Quero testar esse IPv6, como faço?

Atualmente nenhum provedor brasileiro tem IPv6 disponível para dar para seus clientes, mas você pode testá-lo mesmo assim. Seguindo a dica do leitor Mathias Kroyzanovski, me cadastrei no serviço SixXS que dá endereços de IPv6 para teste por meio de um tunnel broker.

Você precisa se cadastrar no site e esperar que um ser humano aprove o seu cadastro, por isso eles pedem dados verdadeiros e ainda que você explique os motivos para o qual pretende usar o IPv6. Eles fazem isso para controlar melhor quem tem acesso ao novo endereço e evitar desperdícios.

Uma vez aprovado, o processo de configuração manual no Windows foi um pouco complicado mas o próprio SixSS te dá a opção de usar a ferramenta de configuração automática chamada AICCU. Em poucos minutos eu já estava navegando com IPv6 e mandando ping para tudo quanto é lado.

Você tem alguma pergunta que ainda não foi respondida? O pessoal do Nic.br respondeu diversas outras no site IPv6.br específico para o usuário final, que também foi usado como fonte para esse post. Veja se a sua pergunta foi respondida por lá.

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