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As 5 personalidades mais importantes dos games

Com empenho e uma pitada de sorte, eles fizeram dos videogames uma realidade.

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O que é um ? Fãs se definem pela profunda admiração que sentem por alguma coisa. Para nós, fanboys de games, o objeto de afeto são os títulos icônicos que — sem hipérbole — marcaram nossas vidas. No meu caso, não é nem necessário grandes explicações; tenho certeza que muitos de vocês conhecem minha idolatria por qualquer coisa relacionada a Mario. Há alguns de nós que são fanáticos por Final Fantasy, outros por God of War, Halo, e por aí vai.

Curiosamente, na esfera dos games não há um culto de personalidade como no mundo da música ou do cinema. Nossa veneração é muito mais pela obra do que pela pessoa que a produziu. Fãs de cinema têm um ator ou diretor favorito, e aficcionados por música certamente têm um Top 5 de guitarristas prediletos. Mas quando foi a última vez que você viu alguém falando sobre seu game designer favorito…? Talvez porque os jogos ainda são uma mídia relativamente recente, não começamos ainda a levar a coisa por esse lado.

Apesar disso, existem figuras importantíssimas no mundo dos games. Alguns desses nomes serão velhos conhecidos; outros, talvez nem tanto. Mas creia, nós devemos muito do que o mundo gamer é hoje a estes caras aqui.

Ralph H. Baer

Começarei logo com um bem underground. Quem seria este sujeito do lado do ex-presidente George Bush? Ora, este velhinho é senão o Ralph Baer, que na ocasião estava recebendo a Medalha Nacional de Tecnologia do então presidente.

O que o homem fez para merecer tal mérito? Ah, nada demais… Ele apenas inventou os videogames.

Em 1966 este senhor (que ainda está vivo, aos plenos 89 anos) desenvolveu um protótipo para jogos eletrônicos chamado “Brown Box”. Tal aparelho viria a se tornar eventualmente o Odissey, da Magnavox, o primeiro console da história.

O velhinho Baer estava realmente a frente do seu tempo. Além de inventar o videogame, o cara também criou o primeiro periférico para videogame: a light gun, ou seja, aquele controle em formato de arma para joguinhos de tiro ao alvo.

E como se isso não já tornasse o cara dono de um currículo impressionante, ele também é o criador de Simon, mais conhecido no Brasil como Genius.

Se não fosse por este respeitável senhor, no espaço ocupado por aquele Xbox/PS3/Wii na sua sala estaria um tocador de DVD e nada mais.

Gunpei Yokoi

Ralph Baer criou o console, o Gunpei Yokoi foi e colocou-o no bolso. Literalmente.

A história do Gunpei é praticamente coisa de cinema. O presidente da Nintendo da época (estamos falando de 1966) foi visitar uma das fábricas de brinquedos da empresa — se você achou estranho, saiba que a Nintendo já foi empresa de táxi e até mesmo de motéis! — e pegou o funcionário aí da foto ao lado brincando com um “braço biônico” que ele tinha construído com peças sobressalentes, só por diversão mesmo.

Nem designer de brinquedos o cara era, ele trabalhava na fábrica como um mero zelador. O presidente, maravilhado, pediu que ele projetasse uma versão que pudesse ser comercializada. E o Ultra Hand nasceu.

Agora contratado pela Nintendo, o prodigioso Gunpei tinha mais autonomia para desenvolver suas ideias. Um dia ele viu um passageiro do trem brincando com uma calculadora, e pensou “não seria legal se existisse joguinhos eletrônicos portáteis, para você jogar quando estiver no transporte público ou numa fila?”

E essa foi a ideia por trás do Game & Watch — bem conhecido no Brasil pelo nome genérico “minigame” —, o primeiro console portátil produzido pela Nintendo. Gunpei eventualmente viria a criar o Game Boy, que acabou sendo sua obra prima.

Imagine um mundo sem Game Boy, PSP, DS, 3DS, NGP e até mesmo os joguinhos de iPhone que tanto gostamos. Este seria o mundo sem Gunpei Yokoi.

O inventor morreu tragicamente em 1997, num acidente de carro.

Will Wright

Will Wright era, sob qualquer definição, um imenso nerd. O cara cursava engenharia mecânica e tinha interesse em computação e robótica. O objetivo final dele, que ele mesmo diz em entrevistas, era participar de um programa de colonização espacial.

Durante a faculdade, ele começou a se envolver com jogos eletrônicos. O hobby tomava tanto tempo que ele decidiu, por que não, começar a fazer jogos.

Seu primeiro título foi o Raid on Bungeling Bay, um joguinho de guerra/ação em que você controlava um helicóptero e atacava bases inimigas. As bases tinham um sistema interessante de economia e desenvolvimento, pois elas cresciam com o tempo, adquirindo mais tecnologia e tornando a vida do jogador mais difícil.

E aí que está o evento que iria mudar o destino do cara e da sua obra. Criando mapas para o jogo, Wright percebeu que gostava mais de bolar o design das cidades do que do jogo propriamente dito. E então ele criou um jogo baseado nisso, e inventou sem querer todo um novo gênero, o de simulação. Assim, SimCity veio ao mundo.

Agora vem a parte curiosa. O jogo foi desenvolvido em 1985, mas só foi publicado em 1989. E sabe qual era o problema? As gamehouses não acreditaram no potencial de um jogo em que o jogador não pudesse ganhar, um jogo que não tivesse fim. Foi preciso levar o jogo para uma empresa pequena, recém-fundada, para ver se o jogo tinha uma chance. Wright levou seu joguinho à Maxis, e o resto é história.

Você com certeza já jogou

A ironia do destino é que uma das empresas que recusaram o projeto do Wright foi à falência em 1999. Enquanto isso, a Maxis tá aí até hoje, e é a desenvolvedora do jogo de computador que mais vendeu na história dos videogames: The Sims (outro joguinho de simulação sem fim que sem dúvida teria sido igualmente rejeitado no começo da carreira do Wright).

Cliff Bleszinski

O Cliff Bleszinski não ocupa um local elevado no panteão olímpico dos deuses dos videogames, mas isso se deve apenas à sua idade. O cara ainda tem apenas 36 anos, um moleque perto dos outros personagens desta lista. Entretanto, desde pequeno ele já demonstrava uma aptidão incomum pra criação de jogos.

Os leitores mais velhos devem lembrar da clássica série Jazz Jackrabbit, que era um análogo de Sonic para os PCs. Pois é: à tenra idade de 19 anos, o rapaz aí ao lado criou algo que muitos de vocês se lembrarão para vida inteira, tamanho foi o papel do joguinho nas nossas infâncias coletivas. E nem era o primeiro jogo dele, que também havia lançado antes o Dare to Dream, um adventure point and click que era figurinha tarimbada naqueles CDs de jogos sharewares que apareciam nas nossas casas misteriosamente.

O cara não descansou aí. Seu próximo blockbuster seria nada menos que Unreal, um clássico FPS que praticamente reinventou o gênero, dando ênfase ao multiplayer online. Mais recentemente, o cara criou Gears of War, um jogo que todos os sites de resenha na época comemoraram como “o primeiro título finalmente next gen“.

Seu nome não é tão memorável quanto os outros pioneiros mencionados nesta lista, mas você tem que apreciar a história dele. Quem de nós nunca teve vontade (ou até tentou) criar jogos? Poisé, o Bleszinski também.

A diferença é que o cara deu certo e os jogos que ele desenvolveu alcançaram milhões, redefiniram o gênero, e são lembrados décadas mais tarde.

Shigeru Miyamoto

Vamos lá, você sabia que este cara apareceria na lista.

Shigeru Miyamoto não é apenas o criador do maior e mais famosos personagem de videogame da história. Aliás, eu diria que Mario transcende videogames — meu irmãozinho de 5 anos, que mal sabe o que é videogame, reconhece animado o encanador italiano. Já cansei de me perguntar como ele conheceu o personagem.

Então, esse não é o único mérito do Miyamoto. Não fosse por esse lendário desenvolvedor, os videogames seriam lembrados atualmente como uma mera moda passageira dos anos 80. Vamos explicar.

Em 1983, a indústria de videogames norte-americana entrou em colapso. Havia muitos consoles concorrentes no mercado; o ciclo de vida destes não era bem definido, o que resultava em updates anuais de hardware; havia muita gente sem talento inundando as lojas com jogos de baixa qualidade. Em outras palavras: os anos iniciais da nossa indústria favorita foram marcados por uma desesperada corrida do ouro.

O público rapidamente perdeu o interesse nos videogames e a indústria definhou até quase morrer. Todo mundo estava catando suas tralhas e decidindo o próximo caminho a tomar, quando a Nintendo resolve — sendo teimosa como ela tem histórico de ser — lançar mais um jogo. Este jogo seria o absolutamente icônico (“icônico” parece não fazer justiça, né?) Super Mario Bros.

Que Mario?

O jogo reacendeu a atração dos consumidores, e miraculosamente o público resolveu dar outra chance aos videogames.

Os videogames passaram muito perto do óbito, e Shigeru Miyamoto os salvou. E esse novo fôlego (na forma de um joguinho de um encanador italiano) carregou a indústria até hoje.

Não dá para ser mais épico que isso.

Vamos lá, corrija a minha injustiça: que herói dos videogames eu esqueci de mencionar?

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daymon81

Criador de f-zero star Fox Pikmin.
Realmente ele é o maior.

@kyox
Yokoi trabalhou como gerente geral em Super Metroid e zelou lindamente pelo jogo! É o suficiente pra ele estar na lista! Não conhecia direito o Bleszinski, mas os jogos dele sempre redefiniram estilos. Gears foi um divisor de águas e o eterno rival de Halo; Jazz Jackrabbit é simplesmente fantástico! Agora, faltou bastante gente... acho que quando se trata de personalidades dos games, citar 5 é muito pouco (e vai geral flamewar, rsrsrs), mas foram citados lindamente, parabéns pelo artigo!
Abisnobaldo
Faltou o Gabe Newell da Valve.
Guilherme Reis
Por falar em Gunpei Yokoi, ainda tenho, na caixa original com manual e tudo, meu Super Color da nintendo. Ganhei ele em 1988 e foi foda!
J. Neto
Pra mim, game music é com o Koji Kondo, não tem pra ninguém. Mas acho que o Will Wright não merecia tá aí. Esqueceram do Trip Hawkins, fundador da EA, o cara foi um visonário do mundo dos games, sem contar que a EA, hoje em dia é uma das maiores softhouses, se não a maior.
@alxbr
Citar o Cliff Bleszinski e deixar os criadores da Blizzard de fora é no mínimo nonsense. Unreal? O que é Unreal comprado com Starcraft, com Diablo, Warcraft??? O Tecnoblog tá precisando escolher melhor seus colaboradores pra não passar vexames como este e perder credibilidade.
Steve
Concordo com o Diones. Alexey Pajitnov é responsável pelo jogo que está praticamente em todos os consoles que já foram fabricados. Pena que no começo ele se deu mal. Mas depois ele encontrou o Entei e está tudo bem agora.
@vitorrigonibx
E os fundadores da Blizzard? Senti falta deles na lista. Considerando que todos os seus jogos são/foram sucesso absoluto desde que a empresa se chamava Silicon & Synapse, eles merecem sem dúvidas.
@juhdoom
Não acho que o Kojima fez falta, gente. O cara criou a série Metal Gear, mas já tinha varios outros jogos com potencial cinematográfico antes. Aliás, qualquer RPG de texto daria um bom filme. Kojima só é popularzinho, mas a indústria não estaria muito diferente do que é hoje sem ele [afinal, ninguém copia os metal gears mesmo. são uma série, não um gênero de jogo].
@portelabrunno
vale lembrar que o Shigeru Miyamoto, também é o criador de Zelda e DK, o cara é um monstro sagrado!
C. Emanuel Laguna Jr
Não desmereço o Nobuo Uematsu, mas Koichi Sugiyama foi o compositor da música tema de Dragon Quest, uma franquia de JRPGs que veio antes de Final Fantasy. ;-) E temos o Koji Kondo, da Nintendo, também. 8-)
C. Emanuel Laguna Jr
Yuji Horii criou Dragon Quest antes dos Final Fantasies. 8-)
C. Emanuel Laguna Jr
Dragon Quest veio bem antes de Final Fantasy. ;-)
Caio Furtado
De acordo.
Diones Reis
Um cara que merecia estar nesta lista é o russo Alexey Pajitnov, criador do Tetris. A Nintendo tem muito que agradecer a ele, pois com Tetris, foi a primeira investida da empresa para emplacar o portátil Gameboy, tentando atrair os jogadores casuais, que com isto, resultou num dos maiores sucessos da Nintendo, e também no portátil mais vendido da história. Sem contar que o jogo tem versões de tudo quanto é jeito, pra tudo que é mídia até hoje, e o russo pode se dar ao luxo de viver somente com a renda da sua criação pelo resto da vida. Outro que poderia estar na lista seria o Tohru Iwatani, criador do Pacman, mas como é um jogo de Arcade, acho que sai do escopo deste tópico.
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