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5 consoles portáteis que ninguém mais lembra que existiram

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8 anos e meio atrás

Todos sabemos que no rodapé da história da tecnologia existe um cemitério de aparelhos que não vingaram. Entre eles, lembramos do Phantom System, do Virtual Boy, do Ngage, e isso só para citar os consoles.

Só que estes são lugares-comum nas listinhas de tecnologia fracassada, ao ponto que todos nós já conhecemos a história, o motivo do fracasso e as piadinhas que alvejam as grandes falhas dos aparelhos — Um portátil que você só pode jogar apoiado numa mesa? Sidetalking?!

Para essa lista eu resolvi trazer algumas peças do fundo do baú que eu tenho certeza que alguns de vocês jamais conheceram. Dessa vez, vamos nos ater ao tema “portáteis“.

Aqui estão os cinco  consoles portáteis fracassados que ninguém mais lembra.

Mega Duck

É quase impressionante imaginar que um grupo de pessoas se dá ao trabalho de desenvolver, fabricar, marquetear e distribuir um produto, mas dedicam tão pouco tempo e esforço (para não mencionar o bom senso) na escolha do nome. É como se simplesmente tivessem aberto o dicionário em dois pontos aleatórios, meteram o dedo nas páginas, e as palavras em que a unha bateu foram as escolhidas.

“Mega Duck”. Este era o bizarro nome deste aparente clone de Game Boy, lançado em 1993 e fabricado por três empresas diferentes — Creatonic, Videojet e Timlex — , todas aparentemente defuntas ou pelo menos operando em ramos completamente não-relacionados a videogame. É bem plausível que os resultados que achei no Google tratem de empresas diferentes que acabaram usando o mesmo nome.

No Brasil, o Mega Duck foi chamado de Cougar Boy, porque era distribuído na pátria amada pela Cougar USA. O aparelho chegou até mesmo a ser anunciado nesta edição de 1994 da revista gamer Super Game Power, que eu desenterrei aqui para você. É bem possível que seja o único registro impresso do console.

O Mega Duck tinha uma função interessante: era possível conectar um joystick nele para que duas pessoas jogassem simultaneamente. Aparentemente, no círculo de colecionadores americanos, a versão brasileira é considerada mais rara e valiosa porque o título pintado no console é menos estapafúrdio.

PocketStation

Eis uma pegadinha para aplicar nos amigos gamers: pergunte com semblante de inocência “qual o primeiro console portátil da Sony?”. A resposta que 99% das pessoas dará é “Foi o PSP, claro!”. Eles estarão errados.

O PocketStation foi, como o VMU depois dele, um híbrido de console portátil, PDAe cartão de memória. O usuário plugava o aparelho na entrada de cartões de memória, instalava rudimentares joguinhos e apps, ou podia usá-lo para armazenar seus jogos salvos.

Lembra que na época áurea de locadoras havia quem nem tinha Playstation, mas comprava memory cards para salvar seus times no Winning Eleven ou sua carreira em Tony Hawk? Então, o PocketStation teria sido uma verdadeira mão na roda para essa galera, já que tinha funções paralelas que o tornaram útil fora da locadora.

Infelizmente, o PocketStation teve um lançamento extremamente limitado — apenas 60 mil unidades limitadas ao Japão. O aparelho se tornou popular entre os japoneses (essa turma sempre foi chegada nesses mini-joguinhos, lembra da febre que foram os Tamagotchis?) , mas acabou nunca sendo trazido para o Ocidente.

O PocketStation tem uma lista farta de jogos, dentre os quais estão alguns títulos das séries ganha-pão da Sony: Metal Gear, Final Fantasy, Ridge Racer e outros. Como é que alguém jogava Metal Gear numa telinha de 32×32 pixels, eu não tenho a menor ideia.

Aliás, como é que alguém jogava qualquer coisa nisso?

R-Zone

Nos anos 90, parecia que realidade virtual seria o próximo “grande lance” do mundo da tecnologia (por extensão, dos games). A gente mal podia esperar pelo dia em que poderíamos literalmente entrar em nossos jogos favoritos; foi pegando carona nessa expectativa que abortos como o R-Zone vieram a existir.

O R-Zone era essencialmente um minigame muito tosco que você acoplava à cabeça, dando ao usuário uma aparência extremamente… Peculiar.

Por mais idiota que a geringonça nos pareça ser hoje, Hollywood já havia estabelecido o aparelho de realidade virtual em nosso imaginágio coletivo como um videogame em forma de capacete.

E não esqueça que tínhamos apenas treze ou catorze anos. Como crianças, podíamos nos dar ao luxo de não identificar imediatamente o fracasso que algo seria. Em vez disso, víamos o R-Zone e imaginávamos que ele nos transportaria para dentro dos games. Ahhh, os anos de inocência…

Apesar do imenso fracasso que foi o aparelho (a Tiger Electronics era conhecida por só lançar minigames toscos — mas bem que havia um mercado, já que nem todo mundo tinha grana para dar à Sega ou à Nintendo), houveram três versões do console: o Headgear, que é o original, o Super Screen, uma versão meio que “de mesa”, com tela maior e cores, e o Xtreme Pocket Game, que era uma versão mais parecida com a ideia de “console portátil” que temos atualmente. Ou seja, nada de visores amarrados à sua cabeça.

Vi o R-Zone numa Mesbla por volta de 1995 ou 1996 e fiquei louco. Implorei a meus pais por meses, sem sucesso, pelo console. Foi melhor assim. A decepção teria sido imensa.

Tapwave Zodiac

Este aqui eu acho que é underground mesmo; os únicos que tomaram conhecimento do Tapwave Zodiac em sua breve existência eram a turminha fissurada em Palms.

O Tapwave Zodiac era essencialmente mais uma das tentativas frustradas de mesclar PDAs com videogames. Como ele trazia PalmOS 5, ele tinha a capacidade de rodar jogos nativos, especificamente projetados para a plataforma, e também de acessar o considerável catálogo de jogos para PalmOS.

Se você comparar com outras sistemas operacionais móveis contemporâneos (digamos: iOS), a biblioteca de games do PalmOS era microscópica. Na época, no entanto, era razoável.

Tive um período de idolatria a aparelhos Palm. Fuçando fóruns habitados por outros entusiastas, acabei descobrindo a existência do Tapwave Zodiac. Com um incrível processador ARM de 200 MHz e uma GPU da Radeon, o gadget era uma supermáquina (lembre-se que estamos falando de 2003).

E para quem tinha PDAs exclusivamente para entretenimento, a ideia de um Palm com hardware dedicado a games era interessantíssimo. Infelizmente, nunca tive o cacife para adquiri-lo (não que fosse fazer diferença, nunca vi o Tapwave disponível em loja alguma).

Por ser um aparelho voltado para um público bem exclusivo — essencialmente, só fãs da Palm sabiam que o aparelho existia —, o Zodiac nunca foi um estouro de vendas. E com o advento do Nintendo DS e do PSP poucos anos mais tarde, nem mesmo aquele pequeno demográfico o PDA/console conseguiu atingir. O aparelho vendeu menos de 200 mil unidades, e viveu apenas dois anos.

Gizmondo

Outro console fracassado de uma fabricante chamada Tiger, embora dessa vez seja a extinta “Tiger Telematics”.

O Gizmondo é particularmente infame porque um dos executivos da empresa despedaçou uma Ferrari em um acidente nos EUA e acabou indo ao xilindró por envolvimento com a máfia. O co-fundador da empresa acabou vestindo o pijama listrado, também.

Não é de se surpreender que o console teve o fim que teve, com gente desse calibre no volante da empresa.

O Gizmondo foi lançado em março de 2005, no intuito de competir com o Nintendo DS e o PSP. Ele também tinha aspirações de PDA, com funções como GPS, modem GPRS, câmera e alguns aplicativos. O preço não era muito camarada (US$ 400), mas havia uma versão subsidiada por quase metade disto. O tal subsídio era feito através do sistema “Smart Adds” — sim, com grafia de “ads” errada mesmo —, que aleatoriamente jogava propaganda na cara do usuário. Horrível, né?

Na verdade, não. O serviço acabou nunca sendo ativado, então os consumidores que compraram a versão pela metade do preço nunca receberam nenhuma propaganda.

O Gizmondo não durou nem um ano, sendo descontinuado em fevereiro do ano seguinte e mal vendendo 25 mil unidades. Isso rendeu a ele o título de pior console da história, em matéria de vendas.

E você achava que o teu PSP já velho de guerra te decepcionava…

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