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Brasileiro é deportado da Austrália por causa do Twitter

Empresário culpa falta de privacidade nas mídias sociais.

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8 anos e meio atrás

Viajar é sempre bom. Ainda mais quando você consegue realmente entrar naquele país que sempre desejou conhecer. Pena que não foi isso o que aconteceu com Alberto Azevedo (ou Bebeto, como é conhecido entre os amigos). O empresário, que também ataca de DJ como hobby, tentou entrar na Austrália, mas seu visto foi cancelado depois que os policiais verificaram o seu Twitter e Facebook.

A saga de Bebeto começa em 4 de abril, segunda-feira dessa semana. Ele embarcou de São Paulo para Buenos Aires, onde fez a escala rumo a — aí sim! — Sidney, na belíssima terra dos cangurus. O que Bebeto mal podia esperar era que os funcionários do aeroporto dariam falta do seu comprovante de vacinação da Febre Amarela logo que colocasse os pés na Austrália. Ele não conseguiu entrar no país logo de cara e ainda teve o seu iPhone confiscado.

Empresário diz que tocar é apenas um hobby (foto: @anandadeckij)

É aí que começa a peregrinação do empresário. Primeiro de tudo, os oficiais da polícia perguntaram o que ele faz da vida em São Paulo. Nenhum problema até aí, já que ele tem um hostel na capital paulista. Quando perguntado sobre o que pretendia fazer na Austrália, ele disse que estava de férias. Nesse momento entram as redes sociais.

Antes de viajar, havia combinado com um amigo de Sidney de tentar tocar como DJ em algumas baladas. Afinal, esse é o hobby dele. E era justamente isso o que o Twitter dele dizia: “Consegui minha primeira festa [como DJ] em Sydney!”, em mensagem publicada em 28 de março.

Além desse tweet, os oficiais da polícia australiana também encontraram o perfil do negócio de Bebeto no Twitter. Mais uma vez, uma mensagem que não soa muito boa: “Bebeto vai para a Austrália amanhã! Se você está lá, junte-se a ele! Le Garfs [seu nickname] invade a Austrália”. Não prestou.

"Le Garfs invade a Austrália!"

Para tentar confirmar que não estava tentando entrar no país para ganhar dinheiro e tocar a vida, Bebeto pediu que os oficiais ligassem para um amigo dele que trabalha como promoter de festas. Eis que, ao entrar em contato, o sujeito começou a falar detalhes da festa, onde seria e até mesmo quanto Bebeto ganharia pelo serviço. O empresário afirma que em nenhum momento combinou receber algo pela festa, mas o australiano fez questão de dizer que ele iria ganhar 50 dólares por hora.

Insistindo que não sabia de nada disso, ele pediu que os oficiais entrassem em seu Facebook para confirmar sua versão dos fatos. De acordo com ele, não foi possível entrar na rede social porque se a localização do acesso é muito diferente da usual, o Facebook simplesmente bloqueia esse acesso.

Sem ter como comprovar o que dizia, não restou a Bebeto outra opção senão ser deportado. As autoridades australianas não perderam tempo e cancelaram seu visto. Ele foi encaminhado para um abrigo especial, onde passou a noite, pois não havia mais voos para o Brasil. “Eu tinha um quarto só para mim e um banheiro que compartilhava com outro quarto. O ambiente era aquecido. Eles forneceram tudo que eu precisava referente a produtos de higiene pessoal”, conta.

Notificação de cancelamento do visto

No dia seguinte, ele foi levado até o aeroporto, onde embarcou de volta para São Paulo. Um amargo final para uma viagem que tinha tudo para ser muito divertida.

Bebeto diz que a culpa dessa situação é das mídias sociais. Em entrevista ao TB, ele foi categórico ao dar seu conselho:

“Sugiro mesmo que as pessoas deixem seus perfis privados e com o mínimo de informação aberta para quem não é seu amigo no Facebook. Eu nunca me preocupei com privacidade porque sempre trabalhei com cinema ou publicidade, onde não tínhamos essa preocupação.  Agora tenho meu próprio negocio. Ou seja, não devia nada a ninguém, até a imigração australiana me provar o contrário. Eles foram procurar qualquer coisa que pudesse me incriminar.”

Para quem tem dúvidas de que o empresário toca como DJ apenas como hobby, cá está o Soundcloud dele. Talvez ele aceite alguns trabalhos como freela para recuperar os R$ 2 mil gastos em uma viagem que não aconteceu. 😛

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