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Quando o Saraiva está do outro lado

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6 anos e meio atrás
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Você está curtindo aquela soneca pós-almoço de domingo quando toca o telefone. Ainda que meio tonto, dá para reconhecer a voz zangada da tia Gumercinda:

— Seu moleque remelento! O que foi que você fez no meu computador?

O computador da tia estava cheio de vírus e spywares, mas você, generosamente, foi até a casa dela dia desses e fez uma manutenção básica.

— Corre para cá agora e dá um jeito nisso aqui! — E desliga na sua cara.

Nem tem como argumentar. A tia Gumercinda está entrando na menopausa, tem crises de enxaqueca, sabe como é… Quando algo sai dos eixos, baixa o Saraiva nela.

E lá vai você, lamentando que sua tarde de domingo foi para o saco. Chega lá e encontra a tia espumando:

— O que foi que você fez no meu computador? Disse que ia tirar os vírus, mas agora está falando que está desprotegido, vai entrar algum ladrão no meu computador e roubar dinheiro do meu banco… (e blablabla…)

E agora quem tem uma crise de Saraiva é você, que amaldiçoa até a 5ª geração do criador daquele antivírus. Se é só um aviso para atualizar, precisa pipocar janelas vermelhas com pontos de exclamação o tempo todo? De fato, um leigo que vê aquilo acha que é um alerta de tsunami…

* * *

Já falamos aqui no Tecnoblog sobre as “crises de Saraiva” que os profissionais de TI costumam ter diante da ignorância digital dos leigos. Mas e quando o Saraiva está do outro lado?

O Saraiva corporativo

Existe um tipo de Saraiva bem perigoso porque parece, à primeira vista, inofensivo. É o cidadão que acha que você está com alguma má vontade com ele, mas não diz nada. Ele trata de destilar o veneno mais tarde, pelas suas costas.

Certamente muitos de vocês se enquadram no perfil de vítimas desse tipo de Saraiva. Você trabalha numa empresa dentro de uma função que não é a de helpdesk, mas é chamado o tempo todo para socorrer os colegas porque é “aquele cara que entende de computador”. Muitas vezes, você nem é da área de TI, mas demonstra maior desenvoltura com produtos hi-tech e acaba se transformando informalmente em suporte. Se você tem um blog, por mais humilde que seja, é ainda pior: as pessoas passam a achar que você tem a obrigação de resolver problemas alheios à sua função.

Uma pessoa, cujo nome eu obviamente manterei em sigilo, passou por uma situação constrangedora recentemente. Como ele está a cada dia com um celular diferente, pois costuma testá-los para blogar a respeito, teve gente na empresa — que não tem nada a ver com tecnologia — achando que ele ganha todos aqueles celulares. Um deles é justamente o mais Saraiva, bronco e intolerante: o chefe. Que o intimou a “arrumar um smartphone para ele”.

Não adiantou explicar que aqueles aparelhos eram devolvidos depois dos testes. Os colegas, invejosos da eficiência do colega tecnológico, botaram pilha. O assédio moral foi tamanho que ele se viu obrigado a comprar um aparelho e dar para o chefe. Só para dar fim naquele burburinho.

Talvez vocês não tenham passado por esse extremo. Mas algum colega folgado certamente já interrompeu o seu trabalho com um celular na mão pedindo ajuda para configurar alguma coisa. É complicado, porque se você ajudar uma pessoa, outras se sentirão à vontade para fazer o mesmo. Fatalmente a produtividade cai e sua imagem ficará comprometida.

O ideal é, desde o início, não ostentar gadgets, nem blogar e tuitar no horário de trabalho à vista de todos. Ainda que você escreva algo para postar, agende para publicá-lo num horário após o expediente. Sim, sempre tem um colega pescoção esperando algum deslize seu: “fulano fica postando no bloguinho dele no horário de trabalho!”

Mas e quando o estrago já está feito, o que fazer? Seguem algumas dicas:

  1. Caso você tenha uma sala com porta, mantenha fechada.
  2. Se você trabalha em baia, ou numa sala comum, tire cadeiras extras de perto de você. Ou encha-a de pastas, mochilas e casacos. Quando há uma cadeira vazia ao seu lado, um folgado certamente já chegará sentando com algum aparelho em mãos pedindo ajuda.
  3. Quando estiver compenetrado em alguma tarefa, por exemplo, lendo ou escrevendo, coloque fones de ouvido. Mesmo sem tocar música alguma. O mesmo vale se você almoça sozinho ou faz intervalos (curtos) para um café. Os fones intimidam os malas. Experiência própria!
  4. Use um aplicativo no seu smartphone que simula que você está recebendo uma ligação. São excelentes dispensa-chatos.

Nas situações mais radicais, você pode usar o seu Saraiva interior e tirar proveito da situação. Se você não tiver um blog, monte um, e coloque lá que nas horas vagas você dá assistência em informática. Faça um cartão de visitas com um telefone que não é do trabalho. Para cada cidadão que o procurar pedindo ajuda, entregue-o, explicando que você está “formalizando” seu trabalho para não interferir com o expediente da empresa. E diga o preço.

Não faz mal que você nunca venha a ser solicitado. O objetivo aqui é ter paz na empresa. Eventualmente, pode até ser que você consiga um troco extra para a balada de sábado… Mas não fuja do mantra: colega folgado, tolerância zero.

O Saraiva familiar

Nos últimos dias, passei por uma experiência enlouquecedora com minha mãe fazendo imposto de renda. O problema não é com a declaração em si — isso foi o trabalho dela antes de se aposentar —, mas com as entranhas digitais da confecção. Ela ainda não se adaptou bem ao Mac OS e, embora esteja com ele há um tempinho, seu raciocínio é a la Windows. Até eu me embananei, pois, para piorar, o software da Receita também é feito no espírito Windows. O software da Receita não se instala dentro dos Aplicativos, como deveria ser. Ele bota uma pasta a esmo lá no diretório raiz. As declarações também não ficam onde deveriam, nos “Documentos”. Como explicar para ela que o software faz tudo diferente daquilo que eu havia ensinado?

Mas eu sou um poço de paciência. Não trabalharia com idosos e portadores de deficiências se assim não fosse. Minha mãe tem ataques de Saraiva todo santo dia, desde que me entendo por gente. Se eu perder a paciência com ela, é pior. Além disso, quero que ela se entrose com a tecnologia. Portanto, nada de entregar o peixe. Eu explico e ela faz. (Sou masoquista?)

Só que ela é teimosa como uma porta. Eu mostro o caminho das coisas, mas ela retruca que tem certeza que não está lá. Apesar de saber que hoje trabalho com tecnologia, ela sempre acha que sabe mais. Coisa de mãe mesmo. Em certos momentos, a coisa fica mais feia ainda e eu preciso assumir a direção do laptop. Ela se apavora:

— Cuidado! Não vai apagar todas as coisas do meu computador!

Costumo ficar quieta quando ela fala um absurdo desses… Mas dessa vez, minha paciência estava acabando. Dou um suspiro profundo, paro o que estou estou fazendo e viro para ela, com a voz mais calma possível:

— Mãe, eu sou especialista nisso, esqueceu? Pára de falar essas coisas! Acabei de ganhar o Troféu Mulher Imprensa. Você acha que eles iam premiar uma lesada que apaga as coisas do computador de bobeira?

Ela fica em silêncio. Quando acho que venci a batalha, ela me olha com o canto do olho e franze uma das sobrancelhas:

— Sei não…

Mãe é mãe. Não adianta.

Mais sobre: , ,
  • Caraca, excelente POST! E tem ainda os vizinho malas, situação que já estou farto a meses, mas sem uma resposta educada pra falar simplesmente NÃO! Pois é, obrigado pelas dicas Bia!
    Alguem tem uma sugestão para os vizinhos malas?

    • Mudança?

    • rafaelhbarros

      Eu sempre me livro de vizinhos malas acusando que eu só sei mexer com Linux. Se alguem disser que é disso ai que precisa, é um prazer corrigir.

    • Tenho, eu fiz uma vez:

      – Cara, você pode me ajudar com o meu computador? Ele não entra mais no Orkut….
      – Posso sim, são R$ 80,00 da visita, mais 50 por hora. Posso ir amanhã pela manhã?

      – Amanhã não vai dar, tenho compromisso, mas eu te ligo para marcar o dia…

      Deve ter pedido meu telefone.

    • Leonardo Santos

      Quer uma solução para ninguem mais pedir algo para vc? Cobre… é sério todo mundo quer de graça agora pagar 50 a 70 reais a hora técnica ninguem quer…

  • De ++++ otimo! 😀

    estranho quando leio o nome garotasemfio fico empolgado KKK

    • fabio

      é o poder da expressão..rsrs

  • Excelente post! Parabéns, às vezes me pego em situações assim, e é meio complicado de agir. Com minha mãe então, nem se fala.
    Valeu pelas dicas.

  • “Você acha que eles iam premiar uma lesada que apaga as coisas do computador de bobeira?”

    😆 😆 😆

  • Hahaha… Mãe é mãe mesmo.
    Minha mãe nunca me deixou fuçar no nosso PC de casa (isso faz muito tempo… uns 5, 6 anos…) porque dizia que eu ia estragar/apagar dados…

    O grande barato é que eu já tocava projetos de infra Microsoft fazia um bom tempo 🙂

    No mais… aditivo as tuas dicas para espantar saraivas… Sugiro que tu alterne entre “Ser Estupido quando precisa” e “Ser Gentil quando deve”. É meio drástico, mas funciona.

  • Paulo

    Parabéns, ótimo post!

    Realmente questões como essa ocorrem no dia-a-dia das empresas, ou de quem trabalha por conta própria. Por isso que eu considero a paciência, uma das maiores virtudes que o ser humano pode ter…

    Pena que eu não tenha muita…

  • Eu sempre ajudava o pessoal consertando computadores e fazendo coisinhas de suporte aqui e ali. Só que chegou um ponto que passaram a abusar. Teve um estagiário no meu trabalho que me pediu ajuda para editar um vídeo que ele tinha feito para o Big Brother Brasil dentro da empresa, e com a câmera da empresa (!).

    Aí já foi tarde demais. Eu fui grosseiro. Falei na cara mesmo, “Não sou sua assistência técnica pessoal, te vira aí parceiro.”

    Essa pessoa não apenas nunca mais não me pediu ajuda, como espalhou para todo mundo que eu sou grosseiro e mal-educado. Desde então, ninguém nunca mais me pediu ajuda para fazer suporte. Consequentemente, meu rendimento aumentou.

    Missão cumprida.

  • Nossa, a sua mãe é muito saraiva kkk. Poxa, vindo da própria mãe …. isso dói pra caramba.

    Se você não puder mecher no mac sem apagar tudo, quem pode? kkk

  • jah tentei explicar como pilotar o pc pra minha mae, falhei totalmente. ela anotava tudo, e mesmo assim, na calada da noite, me ligava pra perguntar alguma coisa que ela tinha escrito. e eu, nao tao pacientemente, dizia pra ela:
    -Mas tah tudo aí! É só ler obervar o que esta escrito no monitor!
    A gente está numa geracao divisores dágua. Meus pais estao na casa dos 65, eles viram o PC aparecer, mas nao chegaram a ser usuarios que usam o pc pra trabalhar, como eh hoje em dia. No maximo, no caso do meu pai, tinha o aplicativo do banco que era daquele jeito e pronto. Eles nao conseguem entender. vez ou outra meu pai fica divagando sobre o misterio que faz os pcs funcionarem. Mas vejam bem, quando ele era jovem, ele tinha um fusquinha que ele mesmo concertava. ele sabia como funcionava os carros, nao tinha erro. hoje ele olha os carros novos e chapa, a eletronica acabou com tudo auhaiauhaiuhaiauhaiuahaiuhaiauhaiuh

    • Minha mãe é outra.
      Para aprender a usar planilha, editor de texto, coloca mil e umas dificuldades, mas para jogar Paciência, nem precisa ensinar.

  • Antigamente eu era o cara que instalava tudo. Som, Vídeo Cassete, Computador, Impressora.
    Me cansei, virei Saraiva e nunca mais me chamaram para nada. Ainda tem um e outro, mas sempre dou um jeito de escapar.

  • Admiro, e procuro praticar, a resposta bem pensada, com calma, sem grosserias. Por um único e principal motivo. Nós também envelheceremos e teremos dificuldade de admitir que nosso filho (para nós, eterna criança) saiba mais do que nós mesmos. Parabéns pelo post.

  • Acabei de ganhar o Troféu Mulher Imprensa.
    Melhor argumento de todos os tempos.
    kkkk

  • rockdanx

    Meu pai tem a síndrome do usuário sabichão: Ele não sabe nada, mas é orgulhoso demais pra admitir que sabe menos que eu.

    1- Pai: “Filho, me ensina a fazer isso?”
    2- Eu: “Claro pai, clica ali.”
    3- Pai: “NÃO FICA MANDANDO EM MIM QUE EU SEI O QUE EU TO FAZENDO!”
    4- Eu: “Ta bom, se você sabe faz aí.”
    5- Pai: “Você disse que ia me ensinar! O que eu faço agora?”
    6- Eu: “Clica ali.”
    7- Volta para o passo 3

    • Hahahaha, esse é clássico

    • uahuahau, pior que eh assim mesmo!

      quero ver quando chegar a nossa hora, sera que seremos tao “noobs” com a computacao de daqui a 20 anos?

      • O meu pai também é assim, mas o probrema maior é que ele tem mestrado em computação e eu preferi engenharia elétrica.

        Tenho medo de que a mesma situação ocorra comigo daqui a 20 anos, como o Alexandre do ShopBox colocou mais abaixo.

        Hoje estou receptivo a novos conceitos e tecnologias, mas será que amanhã eu teria paciência para aprender algo mais sobre o assunto?

    • Marcos Oliveira

      Quaquaquaq, desmaiei aqui, quaquaqua

  • Com meus pais é assim também. Principalmente quando tenho que instalar um software, um antivirus, que seja… Eles me chamam, principalmente meu pai, e depois diz: não vai mexer no que voçê não sabe, fica baixando essas coisas da internet – Não tenho paciência pra ouvir essas coisas. ¬¬

  • é quaaaaaaaaaase a minha tia.
    Mas ela me compreende. Já ensinei ela a lidar com o antivírus =]

  • Discurso de “bom-moço” já mudou.

  • Eu como Geek probre(Sim existe)de 14 anos(tbm existe)sou taxado como o conserta tudo na sala.
    Os pedidos para arrumar o Twitter(até q vai) ou Orkut não me param de aparecer.
    Além da Familía.Mais é familá né?

  • O pior de tudo é algo simplesmente “pifar” do nada, tu afirmar isso e a pessoa te falar “tu é que não sabe oq tá fazendo”. Aconteceu isso outro dia, estava instalando um mouse sem fio num notebook, novo. No outro dia, o mouse simplesmente não funcionou mais. O cidadão falando que eu tava fazendo coisa errada. E eu insistindo, trocando pilha e o escambau e o troço não funcionava nem com reza braba. Quando finalmente convenci do defeito, vai o cidadão trocar, vou eu instalar o outro mouse e ouço “dessa vez vê se não faz merda pra estragar esse mouse também”. Respirei fundo e fiquei quieto.

    E, na mesma semana, meu pai recebe um notebook da empresa em que trabalha e está todo contente. Pediu pra eu arrumar umas coisas simples, arrumei, tudo lindo, ele testou, ok. No outro dia, ele me liga: “pq vc não arrumou o notebook?” e eu sem ter oq responder, vou lá ver oq tinha de errado. Realmente as configurações estavam “de fábrica” por assim dizer. Vou eu de novo configurar e eis que descubro que a cada vez que o notebook é desligado ele simplesmente RESETA as configurações. Como era coisa da empresa, instruí ele pra conversar com o pessoal da TI da empresa pra fazer as configurações pra ele e torná-las permanentes (eu podia muito bem descobrir como fazer eu mesmo, mas como não é coisa particular, nem me meti). Dois dias depois, meu pai me liga falando que já tinham deixado de uma forma que eu podia configurar sem problemas. Beleza. Fui lá, configurei, desliguei só pra me atestar que estava tudo bem, funcionou beleza. No outro dia, ele me liga de novo: “vc tem certeza que arrumou o notebook certinho dessa vez?” e eu já prevendo que vinha uma nova merda. A primeira coisa que fiz foi ligar pro responsável da TI da empresa dele e questionar se havia algo errado ou diferente com o notebook. Depois de me enrolar no telefone, acabou que ele me falou: “toda vez que o notebook se conecta na rede da empresa, seja ou não no domínio, ele carrega as configurações padrão.” Bom, lá vou eu explicar isso pro meu pai… adivinha se ele entendeu? Por fim, desisti e falei pra ele: “o notebook é da empresa, se vire com eles lá”, virei as costas e fui embora.

  • Diogo

    Concordo com esse post tem gente que e folgado, por ex uma pessoa da familia estraga o PC de chama para consertar e não quer pagar por que e da familia, isso é ridículo, se vc não consertar ele espalhar que vc e folgado e que pagamento para arrumar.

  • Marcoscs

    uhauauhuhauahuah, muito bom….
    Eu não costumo deixar esse tipo de gente me encher o saco até porque sou muito despachado, minha paciência e educação são recurso escasso quando se trata de certos tipos.
    Tipos que têm dois braços e duas pernas, por exemplo…

  • Leonardo Pacheco

    Com minha mãe não tenho problemas, pois ela tem paciência pra fuçar no computador. Já outros parentes enchem o saco. Tenho só 16 anos, nunca fiz nenhum tipo de curso de computação mas sei usar o que preciso e achar o que procuro(google + paciência), mas já tive até que ajudar a configurar impressoras via telefone.

  • Isso acontece comigo, meus parentes acham que eu tenho sempre que estar a disposição essa semana mesmo eu tenho que ver uma impressora que muito provavelmente não está configurada.sempre fui atras do que precisava e nunca fiz nenhum curso.

  • precisam saber de algo, visitem o tecnoblog!

  • Impressionante como o post se encaixa tanto para profissionais do suporte como para quebra-galhos tecnológicos. Muito bom!

  • Victor Romano

    Muito bom o causo final da sua mãe, fiquei imaginando a cena do “Sei não” ahAHAHhAhAHAHaHhahahahAHa

  • Nossa, parabéns pelo post! Foi muito bom mesmo!
    Melhor parte é da mãe achando que vc vai deletar os arquivos dela
    ehauheuaheuhauheauhea

    Parabéns! 🙂

  • Meu pai às vezes me chama para botar uns “programas cativos” para ele. Ele, na verdade, tá querendo que eu instale algo.

    . . . . . . .

    Minha irmã me liga dizendo:
    – Léo, eu baixei um joguinho da internet e instalei, mas ele não quer funcionar. Porque?

    . . . . . . .

    E tem amigos que ligam:
    – Cara, tá dando uma mensagem aqui, não entendo nada disso.
    – Mas o que tá escrito na mensagem?
    – Sei lá!
    – Então lê aí, bicho!
    – Pô, tudo não sabe tudo?
    [pausa dramática]
    – Lê aí – digo enquanto me lembro que respeito é bom e conserva os dentes.
    – Tá perguntando se quero mesmo fazer a operação.
    – E você quer fazer?
    – Sei lá tava só clicando aqui de onda…
    – Onde você clicou?
    – Ah num monte de lugar… esse computador é chato, reclama de tudo!

    . . . . .

    – Leo, cliquei para fazer download e abriu uma janela.
    – Você tem que indicar onde quer salvar o arquivo.
    – Não quero salvar nada! Quero fazer download! DÁ-UM-LÔ-DI!
    – Você tem que indicar onde quer guardar o seu download.
    – No micro, oras!!!

    • Ainda estou rindo do seu texto… muito bom! HAHAHAHA Parecia que você estava descrevendo minha odisseia hi-tech!

  • Eu ñ tenho a menor paciencia, ou a pessoa deixa eu terminar ou eu ñ faço. E se inventar de ficar com conversinha eu deixo o serviço pela metade. A únic apessoa que eu tenho paciencia pe minha mãe, porque ela nunca me perturbou.

  • Ef

    Meus pais sempre questionam meus tratamentos de algumas doenças corriqueiras. E sou o único médico da família!

    Costumo fazer retoques de minhas fotos no Photoshop – cores, olhos vermelhos, etc. Uma vez teve um Saraiva que entupiu minha caixa de email com fotos dele pra ajeitar. Respondi que por ser amigo, faria for R$20 a foto e dei minha conta pra depósito. Nunca mais aconteceu 🙂

  • JoseRenan

    Eu era um poço de paciência. Minha mãe acusa-me de estragar o computador para ela parar de usar o Orkut, como tenho dual boot no PC qualquer coisa q acontece é culpa do Linux, mesmo ele estando lá parado e eu, sonso, tento convencê-la dizendo que isso é mentira.
    Esses dias a webcam da MS travou aqui q pensei q não teria conserto e a culpa dela, a cam, ter travado do nada era de quem?
    Às vezes parece q por eu saber um pouco de informática as pessoas pensam que eu sou um gênio da computação e montam em cima, nunca vi…

  • Imaginem o meu caso: além te ter um blog que fala de celulares e estou sempre com um para testes, trabalho com eletrônica em uma Assistência técnica (não de celulares), Todos os dias, todos mesmo, alguém aparece com um celular para eu “consertar”. Tenho uma lista de desculpas para hora anotada na minha mesa. Isso ajuda muito.

  • Seu post ficou excelente. Fiquei me vendo quando, no trabalho, sou chamada a ajudar alguém no PC.
    No trabalho sempre sou chamada pra “dar assistência”(rsrs), em algo que não conseguiram executar. Coisas simples, que só uma dosinha maior de curiosidade em ler a mensagem que aparece na tela, seria suficiente pra matar a charada. Mas não. É melhor e dá menos trabalho pedir ajuda para a área de suporte ou mesmo um(a) colega que, acham, entende melhor do assunto. Se a ajuda demorar, melhor ainda. Assim diminui o tempo que ainda tem de trabalho naquele dia.
    Terrível, mas é a mais pura verdade.

  • Com minha mãe não tenho problemas, pois ela tem paciência pra fuçar no computador. unica coisa dela é globo.com e ve final de novela no youtube e hotmail . mas tenho alguns parentes xato que sempre enxe o saco , no caso a mulher do meu pai so joga colheita feliz no orkut mas nem sabe mexer no word em nada e nem manda um email e sempre me liga pra pedi ajuda e pra formata tbm so nao cobro pelo meu pai mas toro a conta dele na padaria :@

  • André Luiz

    Imaginem o meu caso: além de ter um blog e estar sempre com um smartphone em teste, trabalho com eletrônica em uma assistência técnica! Todos os dias, todos mesmo, alguém traz um celular para eu “consertar”, eu já tenho uma lista pronta com desculpas na minha mesa, comigo funciona. A dica de cobrar também já rendeu uns trocados para mim.

  • Alex Ribeiro

    Eu ODEIO aquele tipo que te chama para resolver uma coisa por que não sabe como fazer, você começa a mostrar o caminho das pedras ai a criatura se vira pra você é diz: Eu já sei como é, não precisa mais.
    Putz… Fui eu quem mostrou como fazer.

    Outra coisa terrível em ambientes onde só você tem experiência com informática e todos os outros são leigos é que qualquer coisa que os fulanos não saibam fazer, e são muitas, se tornam automaticamente sua obrigação por que você é o cara da informática.

  • Ramon Melo

    Galera, é fácil resolver este problema. Cada vez que te pedirem ajuda, diz que fará com o maior prazer do mundo, que você está montando um negócio próprio e é sempre bom ter mais um cliente.

    Problema resolvido! 😉

  • HAHAHAHAHAHA Não tem como não rir bicho, a última frase foi muito foda!

  • Diego

    muito bom!!! dei muita risada me identifico totalmente.
    a melhor parte foi o

    (Ela fica em silêncio. Quando acho que venci a batalha, ela me olha com o canto do olho e franze uma das sobrancelhas:
    — Sei não…)

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  • Lô Regina

    Achei uma Kunze inteligente!!!!
    Lô Kunze