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Retrospectiva: Mortal Kombat

Com muito sangue e o icônico Fatality, MK faz história desde 1992.

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Mortal Kombat é uma das mais icônicas franquias de jogos de luta, seja nos arcades — ainda existem arcades? — ou nos consoles. A série teve sua nova iteração lançada na terça, 19 de abril, sob o simples título Mortal Kombat. A série supostamente acabaria após o Mortal Kombat Armageddon, mas acabou voltando para um bis em Mortal Kombat vs DC Universe, e está agora sendo reiniciada com este novo lançamento.

É difícil acreditar que esta série já tem quase vinte anos. Sendo assim, talvez até mesmo mais velha do que alguns de vocês que lêem esta coluna.

Tudo começou em 1992 com Mortal Kombat, o primeiro título da série. O jogo estreou nos arcades, desenvolvido pela Midway (que em 2009 declarou falência e está atualmente liquidando todos os seus bens e sendo desmantelada), e tinha como diferencial os gráficos realistas e a violência bastante exagerada.

Enquanto a concorrência lançava jogos com este visual…

Vou admitir logo: eu gostava muito mais de Mortal Kombat que de Street Fighter.

Mortal Kombat primava por uma aparência menos cartunesca, com “bonequinhos” que eram na verdade artistas marciais de carne e osso executando golpes na frente de uma câmera. Os movimentos viravam sprites de animação, e o resultado era isto:

Era uma solução bastante interessante para colocar gráficos fotorealistas em um sistema que mal lidava com efeitos tridimensionais.

Sim, isso é (muito) sangue. E sim, a cabeça de um dos lutadores foi violentamente arrancada numa das inovações da série — e que viria a ser sua assinatura —, um “Fatality”, que é uma combinação de comandos executados após a conclusão da luta. Êxito no timing do código resultava numa animação sanguinolenta e incrivelmente satisfatória.

Uma curiosidade interessante sobre o primeiro Mortal Kombat é que o personagem Johnny Cage foi baseado no Jean Claude Van Damme.

Num gênero dominado por games relativamente mais conservadores, o estilo meio macabro de  Mortal Kombat conquistou muitos fãs rapidamente. No ano seguinte, 1993, o jogo chegou às casas norte-americanas num port para SNES e Mega Drive.

O port de Mortal Kombat jogou lenha na fogueira da tradicional disputa entre donos de SNES e Mega Drives. O motivo é que a versão do SNES não tinha o sangue que deu ao Mortal Kombat boa parte de sua infâmia. Entretanto, os gráficos do MK de SNES eram melhores e os controles eram mais precisos, dando a nós, fãs da Nintendo, munição para contra-atacar naquelas discussões do recreio.

Naquele mesmo ano, a continuação Mortal Kombat 2 chegou aos arcades.

 

Verso da caixa da versão para PS1, lançado apenas no Japão e hoje item de colecionador

Havia mais personagens, mais golpes, mais execuções finais (além dos Fatalities, havia agora Friendships — uma gozação não-violenta do personagem vencedor — e Babalities, em que o personagem virava um bebê). Mortal Kombat 2 chegou também aos consoles, e dessa vez com sangue no SNES.

Em 1995, no mesmo ano em que assistimos Mortal Kombat nos cinemas (um excelente ou péssimo filme, dependendo de quem o descreva para você), o Mortal Kombat 3 chegou às nossas locadoras e à seção de brinquedos das Mesblas.

MK3 tinha inúmeras adições de gameplay. Era possível selecionar o nível de dificuldade do modo de campanha, personagens são capazes de correr (para anular a vantagem do jogador defensor), além de uma farta seleção de personagens. Introduziram também o Animality (no qual você se transforma num animal antes de detonar o oponente).

Uma curiosidade sobre Mortal Kombat 3 é que havia uma fase que era um cemitério, e os nomes dos desenvolvedores apareciam em lápides no fundo junto com a data da morte: 1 de abril de 1995. Era a data de lançamento do jogo nos EUA. A Nintendo achou que a fase era meio mórbida, e por isso ela foi removida da versão do SNES. Por causa disso, muitos talvez não conheçam o cenário.

Descolei para vocês este scan da Electronic Gaming Monthly número 72, de 1995, onde é possível ver um screenshot da tal fase do cemitério:

Clique para ver maior

Pouco tempo mais tarde vieram duas atualizações do jogo (lembra quando a atualização do jogo era essencialmente comprar um segundo jogo, pelo mesmo preço?): Ultimate Mortal Kombat 3, com mais personagens e cenários, e Mortal Kombat Trilogy.

Em 1997, seria lançado o primeiro título 3D da série (e o último nos arcades): Mortal Kombat 4 para PlayStation, N64, PC e, pasmem, Game Boy Color. Adivinha qual versão recebeu pior nota.

Capa da versão para PC

Além dos personagens e cenário em terceira dimensão, uma adição interessante ao gameplay de Mortal Kombat 4 foram as armas. Cada personagem tinha uma, e também era possível catar objetos do cenário e arremessar contra o oponente. Curiosamente, é o único jogo da série a não incluir nenhuma aparição do Shang Tsung, o vilão icônico da franquia.

A série entrou em seu mais longo hiato até então. Só em 2002 veríamos um novo Mortal Kombat. Tratava-se do Deadly Alliance, para Xbox, PS2, Game Cube e — lá vamos nós de novo — Game Boy Advance.

 

Capa da versão de PS2

Uma das novidades que Deadly Alliance trouxe à série é que cada personagem agora domina 3 estilos distintos de arte marcial (duas de mão a mão e uma com armas). Aficionados por artes marciais apreciaram o realismo na representação dos estilos.

Se Mortal Kombat 4 removeu Shang Tsung, em Deadly Alliance é o Liu Kang (outro personagem célebre, senão o principal da série) que não aparece.

Dois anos mais tarde, em 2004, chegaria ao Xbox, PS2 e Game Cube a próxima continuação da série: Mortal Kombat Deception.

Capa da versão do Game Cube

Deception foi o primeiro Mortal Kombat com modo online. Além disso, os cenários receberam atenção especial nesta versão do jogo, com objetos destrutíveis e múltiplos ambientes diferentes para cada “fase” — similar a Mortal Kombat 3, onde um soco bem dado enviava o seu oponente para o “telhado” do cenário.

Em 2006, o jogo que foi anunciado como o final da série chegou aos consoles. Mortal Kombat Armageddon:

Capa da versão do PS2

Mortal Kombat Armageddon tem o maior rol de lutadores de qualquer outro jogo da série: 62 (63 na versão para Wii, graças ao Khameleon, um personagem exclusivo para o console da Nintendo). Além disso, a função Kreate A Fighter o permitia bolar seus próprios lutadores, com resultados às vezes hilários. Para tornar a coisa ainda mais galhofada, Armageddon trouxe o modo Motor Kombat, que é essencialmente um misto dois MKs (Mario Kart e Mortal Kombat).

Entre as outras curiosidades a respeito de Armageddon está o fato de que é o único Mortal Kombat que não recebeu ports para consoles portáteis, e também o único que apareceu no Wii.

E então achávamos que a série acabou. Dois anos mais tarde, em 2008, chegou aos consoles Mortal Kombat vs DC Universe.

Capa da versão de Xbox 360

 

Este épico crossover não poderia ter um nome que o descreva com mais simplicidade: é Mortal Kombat contra o universo da DC Comics. Scorpion versus Coringa e Raiden contra Lex Luthor.

Se colocar personagens de Mortal Kombat em carrinhos de corrida a la Mario Kart já era meio zoado, MKvDC era uma bela chutada de balde. Foi-se o clima sombrio que era marca registrada da série, e a presença dos rostinhos bonitos da DC forçou a Midway até mesmo a conter um pouco da violência do jogo.Como resultado, este foi o Mortal Kombat menos sanguinolento. Foi o primeiro a receber qualificação Teen, em vez do Mature costumeiro para a série.

E estes foram os jogos da cronologia principal da série Mortal Kombat até então (entre os não citados estão os vários ports para consoles de bolso, e os jogos de aventura, como Mortal Kombat Shaolin Monks por exemplo).

Sempre preferi Mortal Kombat a qualquer outro jogo de luta, seja de console ou arcade. Nem preciso dizer que estou bastante animado para o reboot da série.

E você, qual é o seu Mortal Kombat favorito? A resposta óbvia para mim seria Mortal Kombat 2, mas eu  me diverti tanto com Mortal Kombat 4 para PC que a escolha se torna complicada.

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