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Nintendo 3DS, o portátil 3D da Nintendo

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8 anos e meio atrás

“Aviso: a função 3D só pode ser usada por crianças de 7 anos de idade ou mais”. Ao ligar o Nintendo 3DS pela primeira vez e escolher o primeiro item do menu de opções, justamente os avisos de segurança, foi com isso que eu dei de cara. Quem foi que disse que 3D é coisa de criança? A Nintendo prova o contrário com um console portátil que certamente tem tudo para agradar adultos.

Nintendo 3DS, o portátil com visor 3D da Big N

O Nintendo 3DS é a mais recente investida da gigante japonesa no mundo dos portáteis. A família DS tornou-se bastante extensa, com muitos filhotes, mas nenhum deles com o apelo do 3DS. Depois do cinema em três dimensões e dos notebooks com essa mesma tecnologia, chegou a vez de jogar videogame também com direito a senso de profundida nas imagens.

Design

A pegada do Nintendo 3DS é bastante similar à do DS tradicional. Inclusive, ambos os portáteis têm dimensões muito parecidas. A construção deles é igual, o que dá a impressão de que nada mudou. Não é bem assim, como bem atestam os donos do Nintendo DS vovô.

Nintendo 3DS: controles

A parte superior do 3DS conta apenas com o visor principal, com duas saídas de áudio, cada uma posicionada em um dos lados. Na parte superior ao centro temos uma das duas câmeras, sendo que essa serve para fazer fotos. À direita, já na lateral, um botão deslizante permite ajustar o nível de profundidade do 3D (voltarei a falar dele em breve).

Embaixo estão os verdadeiros controladores dos jogos. Além do visor touchscreen, que é ligeiramente menor que aquele apresentado na metade superior, temos o D-pad e o controle multidirecional à esquerda, enquanto os botões X, Y, A e B estão à direita. Abaixo do visor ainda estão os botões Select, Home e Start (sem falar no Power, que fica ao lado deles, mas não exatamente abaixo do visor).

A minha experiência com os controles do Nintendo 3DS foi bastante positiva. O console fica bastante firme nas mãos, o que é fundamental em ambientes vulneráveis, como dentro do metrô ou na sala de aula. Entretanto, devo fazer uma ressalva: minhas mãos não são enormes, o que possivelmente explica essa facilidade em usar o 3DS. Teve gente na nossa redação que enfrentou problemas para pressionar os botões ou mesmo encontrar uma posição agradável para segurar o Nintendo 3DS. Isso vai variar de pessoa para pessoa.

Visor 3D

Já que o design é bastante parecido com o de seu antecessor, resta-nos comentar o desempenho do visor 3D. Acima de tudo, o mais importante é perceber que o Nintendo 3DS não requer qualquer tipo de óculos especial para ser utilizado. Esse tipo de tecnologia ainda vai passar por melhorias, mas é razoável dizer que a Nintendo empregou seus maiores esforços para oferecer o que existe de mais avançado em termos de reprodução em 3D.

O resultado é positivo, mas com ressalvas em diversos pontos. Podemos dizer que ele funciona muito bem em seu propósito principal, que é dar profundida aos jogos, desde que: o console não esteja muito perto do rosto; os ajustes de profundidade estejam de acordo com o que o usuário precisa; a posição do console esteja correta.

Aliás, começar a jogar costuma ser um problema no Nintendo 3DS. Pelo menos nas primeiras vezes em que você pega o console e liga com o visor ativado para 3D, a impressão que se tem remete àqueles cartões de jogos nos quais ao inclinar a peça para um lado aparece uma imagem, e se inclinar para o outro aparece outra imagem. O Nintendo 3DS depende de uma posição muito específica em frente ao rosto para ser operado, o que costuma levar algum tempo antes da pessoa se acostumar.

Nintendo 3DS: botão deslizante controla intensidade da profundidade nas imagens 3D

O botão deslizante na lateral do dispositivo permite definir a profundidade dos objetos em 3D. De modo geral, a minha experiência foi mais agradável com esse botão em uma posição intermediária. Com certeza vai ter jogador com a profundidade ajustada para o máximo possível, enquanto vai ter gente simplesmente desativando o 3D (sim, isso é possível). Cada jogador terá a sua própria preferência, que deverá ser respeitada.

Uma vez que se habituou a jogar no Nintendo 3DS, a tecnologia de 3D não deixa a desejar. Além disso, o visor é muito brilhante e apresenta cores vibrantes, algo essencial para que a experiência de jogar fique ainda mais completa.

Embora seja possível desativar o 3D, eu não recomendo que os usuários joguem dessa forma. Isso acaba por evidenciar os gráficos meia-boca do Nintendo DS (que são assim mesmo e ponto final; não há jeito da Nintendo mudar esse quadro).

Gameplay

Portátil aceita jogos de gerações anteriores do Nintendo DS

Não há grandes mistérios na forma de jogar o Nintendo 3DS. Exceto pelo visor novo, todo o resto se assemelha ao Nintendo DS anterior. Isso é bom, porque a Nintendo aposta em estratégia vencedora, mas também pode ser ruim caso o usuário esteja procurando por algo realmente inovador e único. Não é o caso.

A Nintendo emprestou uma unidade de testes do 3DS acompanhada de três títulos: Nintendogs + Cats, Pilotwings Resort e Steeldiver. Nenhum desses jogos tem uma dinâmica realmente complexa, o que dificulta na avaliação que eu faço do Nintendo 3DS. Por ora, diria que todos os games que testei garantem diversão por alguns minutos, tornando-se motivo de puro tédio algum tempo depois.

Uma coisa notável é o cansaço visual depois dos primeiros minutos de jogatina. Cerca de 30 minutos depois de ligar o Nintendo 3DS, você começa a sentir que os olhos estão mais cansados. Aqui na redação nós tivemos desde cansaço até zonzeira mesmo, o que não é nada bom. Alguns desses sintomas duraram mais de 12 horas, inclusive.

A recomendação da Nintendo é que os gamers parem de jogar a cada hora para fazer uma pausa de no mínimo 10 minutos. Não é bem por aí: depois de ficar uma hora jogando com o 3D no máximo, é altamente provável que você evite encarar o Nintendo 3DS por várias horas seguidas.

Cartões de realidade aumentada acompanham Nintendo 3DS

Realidade Aumentada

Com uma câmera que captura imagens em três dimensões, o Nintendo 3DS tira proveito também da realidade aumentada. O kit básico do aparelho vem com pequenos cartões amarelos com imagens de personagens da Big N — o Link está lá, bem como o Mario, entre outros. Depois de acionar o aplicativo de RA e apontar a câmera para os cartões, eles automaticamente fazem pipocar os tradicionais personagens da tela do aparelho.

O usuário pode muito bem movimentar a câmera e os cartões, como se os personagens estivessem realmente ali. Desde que respeitando a aproximação mínima de 30 cm (salvo engano) dos cartões, o céu é o limite para esse tipo de interação.

Mas a realidade aumentada do 3DS acontece em sua plenitude com um aplicativo específico que traz jogos simples para a mesa da sua sala ou mesmo o sofá. Por exemplo, pescaria como aquelas das festas de São João, usando o portátil como vara de pescar e o chão da sala como lago onde os peixinhos ficam esperando a isca aparecer.

Esse é, sem sombra de dúvida, um dos recursos mais bacanas do Nintendo 3DS. Mostra a realidade aumentada em seu máximo potencial, graças a software e hardware pensados com essa finalidade.

Street Pass

Sabendo que o Nintendo 3DS é um portátil que deve ser carregado para todos os cantos junto com seu dono, a Big N incluiu o recurso de Street Pass. Basicamente, permite detectar outros donos de 3DS que se aproximarem do portátil quando a pessoa estiver na rua, por exemplo, indo para o trabalho. O aparelho automaticamente baixa o avatar da outra pessoa, bem como uma mensagem pré-configurada. Essas informações são exibidas de forma gráfica na Mii Plaza, a central de amigos do Nintendo 3DS.

A má notícia é que a Nintendo cedeu apenas uma unidade do 3DS para nós testarmos. Isso significa que não houve jeito de experimentar as possibilidades do Street Pass aliado ao Mii Plaza, o que inclui jogos em rede, de acordo com o material de divulgação do produto.

Compatibilidade com jogos antigos

A lista de jogos disponíveis especificamente ainda não é muito grande, embora a listagem do Gamespot preveja diversos lançamentos até o fim desse ano. Na falta de títulos, o jogador tem aqueles games para Nintendo 3DS disponíveis também a geração mais atual do portátil. É evidente que as imagens em três dimensões não estarão presentes no gameplay, mas continua valendo. Ainda mais quem já tem um DS tradicional e pensa em levar o 3DS para casa, porém tem medo de enviar seus títulos sem 3D num caminho sem volta para a obsolescência.

Botão permite ativar ou desativar a conectividade Wi-Fi

Pontos positivos

  • 3D garante maior imersão do gamer no jogo.
  • Street Pass: conexão fácil com amigos e desconhecidos que têm um Nintendo 3DS.
  • Realidade Aumentada muito bem explorada.
  • Jogos simples demais, ideais para quem quer passar o tempo com uma diversão mais light.

Pontos negativos

  • Exibição de jogos em 3D não é recomendada para menores de 7 anos.
  • Qualidade das fotos feitas com a câmera integrada deixa a desejar.
  • Jogos simples demais, a ponto de espantar quem prefere um gameplay complexo.

Concluindo

Note que, ao decidir os pontos fortes e fracos do Nintendo 3DS, citei os jogos simples em ambos. O portátil é uma excelente pedida, mas não deve ser encarado por qualquer gamer. Seu público-alvo parece se resumir a quem gosta de um bom passatempo (agora com recurso 3D) que possa ser desfrutado em rede junto de amigos. Se você está à procura disso, não hesite em levar um 3DS para casa (quando for vendido no Brasil). Porém, se o seu desejo é de passar horas a fio jogando fase após fase, talvez seja melhor partir para um PSP, cujos títulos são notadamente de jogabilidade mais complexa.

Nintendo 3DS: visor em três dimensões pode causar dor de cabeça

Antes de concluir esse texto, devo observar que não tivemos a oportunidade de testar a bateria do Nintendo 3DS devido ao pouco tempo que ficamos com o aparelho. No entanto, a sensação que tivemos é de que a autonomia é bastante reduzida, ainda mais quando a exibição de gráficos em 3D está ativada.

Além da galeria de fotos acima, publiquei uma galeria exclusiva com imagens do unboxing do Nintendo 3DS. Acessa lá, não custa nada aproveitar para já curtir a nossa página no Facebook. Por fim, agradeço ao leitor Lucas Blassioli por ter vindo até a redação e colaborado com os testes do 3DS!