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As estrelas da E3: Nintendo, Microsoft e Sony

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Rapaz, mas que semana cheia de notícias, não é? No mesmo dia, tivemos a WWDC e a E3 (a mega-feira de videogames que exibe as novidades do fabricantes de consoles e produtoras de games). Se você cresceu lendo revistas antigas de games ou assistindo o StarGame, certamente um dia sonhou em ir à Electronic Entertainment Expo.

O evento ainda está acontecendo (a E3 vai do dia 7 a 9 e junho), mas pra maioria dos gamers, as principais novidades já foram exibidas nas apresentações da Microsoft, da Sony e da Nintendo.

E quantas novidades. Entre muitas outras coisas — fica difícil enumerar tudo num sumário conciso —, a Sony finalmente respondeu tudo o que queríamos saber sobre o NGP (inclusive o nome definitivo do console). A Microsoft prometeu um jogo de Star Wars que talvez finalmente traga a experiência que achávamos que teríamos no Wii. E, falando no Wii, a Nintendo nos mostrou seu sucessor.

Mas quais foram os melhores momentos das conferências?

A apresentação da Microsoft foi bastante diversificada. Para os jogadores hardcore, vimos Mass Effect 3, o remake de Halo: Combat Evolved, Modern Warfare 3, um novo Tomb RaiderForza Motorsport 4 (pouco gameplay, mas interessante integração com o Kinect), e Gears of War 3.

E3 2011: apresentação do "Disneyland Adventures" para Kinect (foto: divulgação)

Já para o público um pouco mais casual, jogos que tomam vantagem do sistema de detecção de movimentos do Kinect: Disneyland Adventures (que mal pode ser chamado de jogo; parece mais um passeio virtual pela Disney com gameplay capenga jogado por cima), Kinect Star Wars (que me levou de "empolgação" a "decepção" em menos de 3 segundos), Once Upon a Monster (um jogo baseado em personagens do programa infantil Vila Sésamo, que ainda é muito popular nos EUA) e Dance Central 2, apresentado pelo mesmo cidadão que pagou este mico na E3 no ano passado. E finalizaram em grande estilo com o trailer de Halo 4, prometido para o fim do ano que vem. Foi o único momento de empolgação genuina da platéia, que na maior parte da apresentação permaneceu calada.

No geral não houve grandes surpresas, e o foco foi exclusivamente em software. O anúncio de Minecraft para Kinect também foi muito bacana, mas não mostraram nenhum gameplay então meio que ficou com um jeitinho de press release (ou seja, sem muita substância).

A apresentação da Sony, por outro lado, foi bem mais interessante — em parte por tratar de hardware, que é uma mudança sempre mais significativa no status quo gamer. Sim, vimos trailers de Drake's Deception (com aquele visual cinematográfico de sempre) e Starhawk, mas o que realmente ocupou mais espaço na conferência foi o NGP (daqui em diante intitulado PlayStation Vita) e a PlayStation TV.

Sobre o PlayStation Vita, o primeiro real sucessor do PSP após tantas remodelagens, sabe-se o lançamento (estará disponível no final deste ano) e o preço (US$ 249 pela versão Wi-Fi e US$ 299 pela versão com conectividade 3G). Nos EUA o aparelho será exclusivo da AT&T, o que sugere que o console será travado na rede da operadora americana... Uma má notícia pra quem está pensando em ir passar o fim de ano nos States e trazer um PSV 3G novinho pra casa.

E não é má notícia só pra nós, não: a platéia riu quando Kaz Hirai anunciou que o PSV seria exclusividade da AT&T, tamanha é a má imagem da empresa por lá.

Vimos vários jogos para o PSV (sou o único que acha essa sigla um pouco... estranha? ): Street Fighter, um spin off de Uncharted, LittleBigPlanet, entre outros. Os inúmeros inputs do PSV — botões convencionais, tela sensível ao toque, parte traseira também touch, câmeras, giroscópio — vão torna-lo uma plataforma incrivelmente polivalente. O preço está bastante competitivo, e a qualidade da imagem dos jogos é de cair o queixo. Era de se esperar que um dia consoles portáteis tivessem gráficos que rivalizassem com os consoles "de mesa", mas isso não diminui o espanto de ver Uncharted rodando numa telinha de 5 polegadas.

A Sony também anunciou a PlayStation TV: um televisor 3D de 24 polegadas que permite, com auxílio de óculos especiais, que dois jogadores vejam imagens diferentes na mesma tela, mudando completamente a maneira que se joga games multiplayer na mesma TV. Isso é, se a ideia pegar (eu tenho minhas dúvidas). E com humildes 24 polegadas, esse aparelho está mais pra monitor do que para televisão.

A PlayStation TV será oferecida por US$499. O pacote incluirá uma cópia de Resistance 3, um par dos tais óculos, e cabo HDMI.

Finalmente, a conferência da Nintendo. Assim como a Sony, a Nintendo tinha hardware para trazer à mesa: o sucessor do Wii. Anúncio de novo console é o tipo de coisa que atrai muita atenção e especulação do público, e não é a toa que a apresentação da Big N parece ter causado maior frisson do que as da competição.

A apresentação começou com o anúncio de um jogo novo da franquia Zelda para cada console da Nintendo. Link's Awakening, disponível no mesmo dia no eShop (a loja virtual do 3DS), Ocarina of Time 3D no próximo fim de semana, Four Swords em setembro para o DSi (e de graça), e Skyward Sword para o Wii (sem data específica, mas ainda em 2011).

Em seguida, alguns títulos para o Nintendo 3DS. Starfox 3D (incluindo multiplayer online com a interessantíssima função que captura o rosto dos oponentes em tempo real e usa-os como avatar no jogo), Super Mario 3D, e Kid Icarus: Uprising — uma série de apenas dois jogos cujo último saiu em 1991. Conhecendo o apego da Nintendo por suas franquias, é curioso que esta tenha ficado na geladeira tanto tempo.

Mais alguns rápidos vídeos mostrando gameplay de jogos vindouros para o 3DS (dentre eles Tekken 3D, Tetris 3D, Ace Combat 3D e Cave Story 3D, que levou a platéia ao delírio), e então é a hora da verdade. No palco, Reggie Fils-Aime (o mandachuva da Nintendo) começa a explicar o novo console da empresa, o Wii U.

O incomum controle do Wii U, com visor de 6" (foto: Gus Fune, enviado especial a Los Angeles)

"Wii U": um aparelho que parece ser um híbrido de console portátil e tablet. Não se deixe enganar pelo tamanho — isto não é um console portátil, a Nintendo deixa claro.

A apresentação mostra os diversos usos do tal controle. É possível continuar, na telinha pequena, um game que você jogava na TV, caso alguém mude o canal. Com a stylus incluída, dá pra desenhar na tela. O controle pode ser usado em conjunto com o Wii Fit, dispensando a televisão completamente. Há até a função de video-conferência, e não devo ter sido o único que sentiu um estranho deja vu. Afinal, não faz tanto tempo assim que fomos apresentados à ideia de videochat num tablet branco de uma certa empresa com nome de fruta, não é?

Não devo ter sido o único que achou a conferência um tanto confusa. Baseando-se apenas nas descrições do Reggie, não dava pra decidir com certeza se o Wii U é apenas o tal "controle tablet", ou se ele faz parte de um console maior. O motivo disso é que, na apresentação, o controle era constantemente chamado pelo nome do console, borrando a linha que separa um do outro.

Na verdade, o Wii U "tablet" (Wii U-mote?) se conecta a uma versão atualizada do Nintendo Wii, servindo primariamente como satélite do Wii U, que terá, dessa vez, os gráficos em alta definição (1080p) e os jogos sérios que o público hardcore já tinha até desistido de esperar da Nintendo.

O controle tablet não é obrigatório, aliás: ele será apenas um luxo para os mais entusiastas de novidades tecnológicas. O Wii U é compatível também com o WiiMote tradicional.

No balanço final, acho que a conferência da Nintendo foi a mais interessante. Anúncio de console novo é possivelmente a maior novidade que uma fabricante pode trazer (mesmo que o anúncio seja um pouco confuso).

Apesar disso, o Wii U não me convenceu. O fato de que o controle será completamente opcional me faz pensar que a maioria dos jogos não será feito com o controle em mente. Ou pior ainda: enfiarão funcionalidades capengas, feitas nas coxas, só pra poder anunciar suporte ao controle. Sem contar que criar um aparelho com aparência e form factor de tablet (ao ponto de que é necessário deixar bem claro que não é um gadget portátil) e destina-lo exclusivamente à sala de estar me parece contra-intuitivo. Não sei se um mundo pós-iPad aceitará um "tablet" (porque na percepção popular isso aí é um tablet) eternamente confinado ao sofá.

E o PS Vita parece bastante interessante. A combinação de tela de toque, câmeras e conectividade 3G torna o console perfeito para o tipo de jogo que tornou desenvolvedores milionários na AppStore, por exemplo. E ao mesmo tempo, a capacidade gráfica robusta e os controles físicos nos permitem jogar games da maneira exata como eles foram feitos pra serem jogados -- apertando botões e movendo alavancas direcionais. Parece um casamento perfeito de apelo casual e e capacidade hardcore.

PS Vita (foto: Gus Fune, enviado especial a Los Angeles)

Eu só preferiria que não tivessem usado jogos como Uncharted pra mostrar as capacidades de toque do console, mas fazer o quê... É como falei antes sobre o Wii U: o irrestistível hábito que desenvolvedores têm (especialmente no começo do ciclo de vida de um console) de enfiar funcionalidade capenga só para poder alegar suporte às novas features.

Ademais, é interessante ver como a gangorra da indústria mudou de posição nos últimos anos. A Nintendo passou esta geração agradando o nicho casual, enquanto a Sony e Microsoft corriam atrás do público hardcore. Dessa vez, a Nintendo oferece indícios de que voltará ao mercado mais adulto, enquanto a Sony e Microsoft desenvolvem mais joguinhos infantis para seus consoles com captura de movimento.

No final das contas, parece que o mercado ficará um pouco mais equilibrado agora, com todas as três empresas agradando simultaneamente todos as esferas consumidoras. Acho esse tipo de competição bem mais interessante do que a segregação de outrora ("compre console X se quiser dar tiros na cara de alienígenas, ou console Y se quiser pular na sala com os amigos fingindo que está dançando").

E você, o que achou das conferências da Microsoft, Nintendo e Sony?

Direto da E3 2011 - 1º Dia

(YouTube — Assista em 480p)