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Samsung Galaxy S II se destaca entre os concorrentes

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8 anos atrás

Fabricantes de celulares só fazem um sucessor de um certo modelo de aparelho caso ele tenha sido bem recebido no mercado. O Galaxy S certamente entra nessa categoria, já que a Samsung resolveu lançar o Galaxy S II. Ele foi lançado aqui no Brasil há pouco tempo e com o mesmo design fino e especificações de hardware potentes lá de fora, para contrariar o seu modelo anterior.

Ainda assim, com a quantidade de modelos de rodando o Android 2.3 Gingerbread aumentando cada vez mais, o Galaxy S II precisa se destacar de alguma forma para sua escolha valer a pena. Eu passei uma semana com ele para descobrir o que o aparelho oferece para se sobressair na multidão. Veja abaixo minhas conclusões.

Tela e design

Logo de cara você nota que a tela do Galaxy S II é maior do que a de qualquer smartphone que você está acostumado. De fato, é até um pouco exagerado. Mas não deixa de ser bem aproveitada. A Samsung usou a tecnologia de Super AMOLED Plus, que consegue ser mais brilhante do que seus antecessores enquanto que ao mesmo tempo, consegue ser mais eficiente em termos de energia.

Essa regulação de energia, aliás, funciona bem graças ao sensor de luz ambiente do aparelho e às customizações de economia de energia da Samsung. Esse segundo item é tão eficiente que quando a bateria está nas últimas, a tela fica tão escura que é quase impossível de enxergar algo nela. Ela também perde um pouco de visibilidade quando há reflexo da luz solar, mas nada que não te deixe enxergar a tela.

Deixando a tela de lado, o outro item de design que se destaca nele é a espessura. Com 8.5 mm, o Galaxy S II é muito fino. Fino o suficiente para ser jogado dentro de um bolso qualquer e prontamente esquecido. Suas bordas arredondadas garantem uma boa empunhadura, mas o botão de sleep/wake na lateral pode fazer a tela ser desligada por acidente mais do que o normal.

Na outra lateral estão os botões de volume e acima da tela ficam o plug para fones de ouvido ao lado de um microfone para cancelamento de ruído, que está ligado por padrão em todas as ligações. O alto-falante fica na parte inferior traseira do celular e na parte de baixo o cabo para conexão USB e de energia.

Desnecessário dizer que a traseira do aparelho, especificamente a tampa da bateria, não me agradou muito, né?

Interface e navegação

Mostrada nessa tela nada espetacular está a versão 3.0 4.0 da interface TouchWiz da Samsung, que foi consideravelmente melhorada com o feedback dos clientes da empresa. A organização de widgets ficou mais fácil e o gerenciamento de telas iniciais também, que é possível acessar fazendo o toque de pinça.

Além de mostrar por padrão os atalhos para economia de energia, a Samsung também colocou cinco deles na área de notificações, para rápido acesso. Mas a inovação de interface está mesmo no uso do sensor de acelerômetro. É possível passar de uma tela para outra com uma leve jogada do telefone para a esquerda ou para a direita ou, com dois dedos na tela, dar zoom em uma imagem qualquer inclinando o telefone para frente ou para trás.

A navegação no browser padrão do Android ocorre sem muitas falhas. O Adobe flash vem instalado, então você pode interagir com conteúdos desse tipo se quiser. Só tem que lembrar de ativar plugins no navegador antes de mais nada. E não só animações e joguinhos, o navegador também rodou vídeos em Flash do YouTube sem nenhuma lentidão perceptível. Mas já abra um site em flash esperando uma queda perceptível na vida de bateria.

O método de entrada de texto padrão é o já conhecido Swype, que ficou um pouco mais fácil de usar por causa do tamanho maior da tela. Ah, e um bônus para quem gosta de compartilhar capturas de tela no Android: esse modelo também vem com screenshot nativo. Basta segurar o botão de home e sleep ao mesmo tempo para capturar uma imagem, que fica salva na galeria.

Multimídia

Para tirar proveito de todas as 4.27 polegadas de tela, nada como um bom player de mídia. Embora a Samsung entregue isso no Galaxy S II, não há nada de espetacular nele. É o mesmo player padrão do Android, com suporte a vários formatos de vídeo como DivX, MP4 e MKV. Esse último, formato mais usado em vídeos de alta definição, tocou também sem falhas, tirando todo o proveito do processador dual-core.

O suporte a músicas permanece o mesmo, nada de inovador aqui. É possível passar músicas com um arrastar de dedo da direita para a esquerda e vice-versa para voltar músicas. Um problema que essa versão do Android resolveu, no entanto, é a mistura de capas de álbum e a inabilidade do Android de detectar ID3 tags em arquivos m4a.

Os fones de ouvido que vem com o aparelho deixaram um pouco a desejar em termos de qualidade de áudio, função principal desse acessório. Eles podem até ter um bom design e vir com três opções de tamanho para as borrachas intra-auriculares, mas o som que sai deles é abafado e baixo, mesmo com o volume no alto.

Um alto-falante na traseira do Galaxy S II cumpre o papel de tocar os sons da mídia exibida na tela, mas não faz isso de nenhuma maneira excepcional. É um bom alto-falante e nada mais que isso.

Câmera

Assim como seu antecessor, a câmera ainda peca no que diz respeito a fotos com pouca luz. Mesmo com a opção de foto noturna ativada, a imagem ainda apresentou bastante granulação. Efeito que se repetiu no modo de captura vídeo. O flash de LED do aparelho até ajuda, mas não é o bastante.

Mas quando a luz é suficiente, a câmera excede as expectativas, algo que é difícil fazer em termos de sensores CMOS usados nos celulares. A qualidade de imagem é o que você espera de uma câmera de 8 megapixels, mas não de uma câmera de 8 megapixels em um celular. Veja abaixo alguns exemplos de fotos.

Outro destaque é para a câmera frontal, usada em aplicativos de videoconferência. Ela tem 2 MP de qualidade, então serve também para os eventuais auto-retratos que você talvez queira tirar quando encontra uma celebridade.

O modo de vídeo é outro fator que impressiona. A qualidade da câmera permite gravar em até 1080p, que gera vídeos com 1920 x 1080 pixels, algo que não estamos acostumados a ver em celulares hoje em dia.

Conectividade e acessórios

Incluído no Galaxy S II estão o suporte à redes 3G e WiFi nos padrões b,g e n. Já padrão no Android 2.3 é a funcionalidade de roteador, que distribui a conexão 3G para outros dispositivos por meio do WiFi. A configuração é simples, mas falha em um ponto: não há onde ver uma lista de dispositivos conectados.

Sobre o GPS, há quem diga que ele tem a mesma falha do seu antecessor, sendo impreciso e lento para buscar sinais de satélite. Eu tive uma experiência que variou bastante. Alguns momentos, os aplicativos que usam GPS demoraram para me encontrar, enquanto que outros já abriam com o meu ponto piscando no mapa. E isso tanto com a rede de dados ligada quanto desligada.

Para a conexão com o computador e transferência de dados, existem três alternativas. A padrão é por meio do Samsung Kies. Ele tem sido atualizado com o passar dos meses e é possível dizer que a cada nova versão parece ficar mais parecido com o iTunes, da Apple. Mas ao invés de copiar as coisas boas, a Samsung copiou as ruins também.

Tanto em termos de design quanto em termos de lentidão, o Samsung Kies é um monstro. Por vezes o programa travou ou me deixou esperando mais do que o normal para reconhecer o celular, mesmo com os drivers já instalados. Mas é um mal necessário se você quiser assistir filmes ou ouvir música no aparelho.

Felizmente, existe uma alternativa à ele, que é oferecida até pela própria Samsung. Trata-se do Kies Air, um aplicativo que vem no Galaxy S II e que permite a transferência de arquivos direto via WiFi. Não é tão rápida quanto a conexão à cabo e ainda exige a instalação de um aplicativo java, mas ao menos é alguma coisa.

Além dos dois, existe a possibilidade de conectar o aparelho como modo de armazenamento USB, o que é o ideal para quem curte organizar suas próprias pastas dentro do próprio aparelho. Basta alterar uma configuração no menu de configurações e ativar o modo sempre que plugar o aparelho.

Dentro da caixa do Galaxy S II estão incluídos um cabo USB para conexão com o computador e fones de ouvido, que já disse aí em cima que não são exatamente os ideais. Mas a Samsung também vai vender um dock para conexão com TVs, um cabo adaptador para HDMI e até capas de couro para o aparelho.

Aplicativos e jogos

Uma plataforma móvel só é tão boa quanto os aplicativos que tem disponíveis nela. E para não deixar novos donos do Galaxy S II esperando, a Samsung incluiu alguns programas no aparelho. Dentre eles estão o aplicativo de leitor de livros da livraria cultura, o aplicativo da Folha e um aplicativo da Samsung de notícias e clima.

Outros dois programas, que a meu ver são consideravelmente mais úteis do que os citados acima, são o editor de imagens e o editor de vídeo. Eles são até bem simples de usar, só não espere uma edição profissional de qualquer um dos dois.

Já em termos de jogos, o Galaxy S II poderia estar mais bem-servido. O Game Hub que serviria como centralizador desses jogos ainda oferece poucas opções para o dispositivo, então é melhor recorrer ao Android Market mesmo.

Uma versão demo de Hero of Sparta vem instalado no aparelho e os gráficos são bem decentes, mas a demora para carregar um novo jogo pode deixar alguns usuários impacientes. Como o processador usado no Galaxy S II é um proprietário da Samsung, não espere ver jogos otimizados para o Tegra 2, da Nvidia, rodando nesse aparelho.

Bateria

Se existe um ponto de perfeição em termos de vida de bateria, eu posso dizer que com o Galaxy S II a Samsung chegou o mais perto dele possível. A bateria do aparelho não é nada menos do que excepcional, algo que meio me surpreendeu por causa da sua tela nada gigante e seu processador poderoso.

Com uso moderado de rede WiFi e 3G, poucas ligações e ocasionalmente uma mensagem SMS ou outra, o Galaxy S II conseguiu sobreviver durante dois dias seguidos antes de precisar ser plugado na tomada, com ainda 10% de bateria sobrando.

Com um pouco de pesquisa descobri porque disso: a Samsung otimizou o processador do aparelho para funcionar a toda a potência quando está executando várias tarefas enquanto que em modo standby ele é downclockeado. Além disso, o sensor de luz ambiente dele também regula o brilho da tela com bastante eficiência.

Já no outro lado do espectro, o resultado foi bastante diferente mas não deixou de impressionar. Usando o Galaxy S II com atividades intensas dos chips de 3G, GPS, BlueTooth e ainda tocando música nos fones, a bateria durou quase 6h antes de precisar ser recarregada. Uma performance que o distancia bastante esse modelo dos demais Androids.

Pontos negativos

  • Preço alto;
  • Câmera ruim para fotos noturnas;
  • Fones de ouvido que deixam a desejar.

Pontos positivos

  • Câmera boa para fotos e vídeos com luz;
  • Tela espetacular;
  • Bateria de alta duração.

Conclusão

Custando R$ 1,8 mil em média nas operadoras brasileiras e R$ 2 mil em lojas online, o Galaxy S II ainda está um pouco fora da realidade financeira dos brasileiros, por mais que as opções de financiamento existam. Mas existem opções para quem quer fugir desse alto valor, que envolve vender sua alma assinar um contrato com uma operadora por 12 meses e ter um desconto no preço.

No começo do review eu disse que o Galaxy S II precisa se destacar da multidão de aparelhos com Android. E sua combinação de tela, câmera e vida de bateria faz com que ele consiga exatamente isso. Além do mais, ele prova que a Samsung está aprendendo com os erros e oferecendo aparelhos Android cada vez mais poderosos sem esquecer que eles precisam durar bastante tempo ligados.

O Galaxy S II não é perfeito, tem falhas e um espaço para melhorias. Mas quem optar por pagar o preço nesse Android, está levando sem sombra de dúvida o melhor do mercado brasileiro atualmente.