A internet revolucionou costumes e comportamentos de muitas maneiras. Uma delas é o trato com nosso idioma. As novas gerações possuem certa liberdade com as palavras, dando origem à abreviaturas exóticas e neologismos.

Ao contrário do que muitos poderiam imaginar, não sou contra a linguagem digital.

A linguagem falada, por exemplo, é bem diferente da escrita. Toleramos melhor um “vou pegar ele” falado, mas não o aceitaríamos no lugar de “vou pegá-lo” na escrita, seguindo as normas da língua culta. O mesmo vale para para a web. São contextos diferentes, por causa de necessidades diferentes. Abreviamos as palavras para que tenhamos agilidade nos teclados, principalmente os de dispositivos móveis, que requerem maior destreza manual.

O mesmo vale para os emoticions. Nesta era dos 140 caracteres, temos que ser mais objetivos. Assim, deixamos de lado as sutilezas que uma boa prosa, nos moldes tradicionais, proporciona: transmitir emoções, sensações e sentimentos. As chances de ocorrer um mal-entendido num ambiente virtual, reparem, são muito altas. Frequentemente discussões saudáveis em fóruns, blogs e redes sociais se transformam em banhos de sangue por total inabilidade do emissor em transformar os caracteres de sua mensagem num texto expressivo. Por isso surgiram os emoticons. Eles nos ajudam muito, e o melhor — custam-nos apenas 2 ou 3 caracteres.

Notem que se alguém me contar, por exemplo, uma piadinha machista, um emoticon em minha resposta pode mudar completamente a minha intenção. Se eu responder “seu cretino!!!”, estou zangada. Se eu responder “SEU CRETINO!!!”, estou zangada e gritando. Se eu responder “seu cretino!! ;)” minha piscadinha atesta que posso não ter gostado, mas levei na esportiva. Confesso que sou até meio viciada em emoticons nos finais das sentenças. Certa época tentei cortá-los um pouco, mas desisti. Acho-os até importantes nas redes sociais, afinal, a quantidade de caracteres disponível é tão curta quanto nosso tempo para bate-papos virtuais.

Às vezes alguns desvirtuamentos da sintaxe ocorrem em prol da tão necessária agilidade na comunicação. Confesso que não teria coragem de chegar a alguém dizendo “eu axo” no lugar de “eu acho”, mas não me incomodo quando se dirigem a mim desta maneira em redes sociais.

Os neologismos também ganharam espaço na era digital. Talvez Machado de Assis venha puxar seus pés a noite sempre que você usar o verbo “trollar”. Contudo, por mais bizarros que sejam num primeiro momento, são os neologismos que mantém a língua viva. O problema é quando começam a usar a linguagem virtual fora de contexto. Por exemplo, num exame escolar, ou na comunicação corporativa. Você pode achar natural trocar os “ch” por “x” nos emails da empresa, mas certamente seu “xefe” não verá o excesso de informalidade com bons olhos.

Mas há casos que não consigo tolerar em situação alguma. É o vilipêndio da língua portuguesa. Entrar na seção de comentários dos grandes portais de notícias chega a ser chocante, pois parece que ninguém mais presta atenção no que escreve. Aliás, muitos parecem estar usando um teclado pela primeira vez. Coloco-me a pensar: será que a internet emburreceu as pessoas em massa, ou toda essa gente sempre existiu 3 a web apenas lhes trouxe maior visibilidade?

Alguns “erros” até se transformaram em hashtags no Twitter! Isso é outra coisa que não me conformo. Algum beócio certo dia escreveu “corrão” em vez de “corram”, e até quem sabe disso passa o erro pra frente, e se desculpa dizendo que virou uma expressão padrão no microblog, ou que faz parte da nova cultura digital. Uma ova! É burrice mesmo, ou qual seria a desculpa para se digitar um shift, um til, um “a” e um “o”, no lugar simplesmente de um “a” e um “m”? Papagaios sem miolos.

Sei que muitos podem estar se lixando para o que os outros acham do seu modo de escrever. Pois bem, lembrem-se que meio também é mensagem. Querendo ou não, julgamos as pessoas mais pelo modo como falam ao invés do que falam. E na web, quem maltrata a língua portuguesa fica desacreditado. E acaba sendo julgado, muitas vezes, por aquilo que nem é! Nossa presença na web hoje se tornou importante em todos os aspectos de nossa vida: pessoal, profissional, escolar…

Portanto, antes de emitir uma mensagem, tenha em mente que seu formato também impactará positiva ou negativamente nas pessoas, interferindo no resultado desejado.

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Joshua
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê cnocseguee anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa ltrea szoinha, mas a plravaa cmoo um tdoo. Lgeal, não é msemo?
Mr Hertz
concordo em gênero, número e grau... brasileiro não lê nEIM bula de remédio, e não lê nada mais também fora isso. como é que saberia escreve(R) um te(S)to corretamente? resultado da educação do país. e imitando galvão bueno........ É BRASIIIIIIIIIILLLLLLLLLLL
Agnatos
Eu sou pragmático Bia "Aliás, muitos parecem estar usando um teclado pela primeira vez. Coloco-me a pensar: será que a internet emburreceu as pessoas em massa, ou toda essa gente sempre existiu 3 a web apenas lhes trouxe maior visibilidade?" Tenho certeza que essas pessoas SEMPRE estiveram por aí, apenas não podíamos vê-las.
@isabelacabral
Ótimo texto! Acho bem interessante discutir esse assunto. Aí vão minhas observações e comentários. ;) Inicialmente, não vejo problema no "corrão" não. É apenas uma brincadeira, virou um meme. O real problema reside na possibilidade de algumas pessoas que importam, como seu chefe ou um professor, verem e acharem que você simplesmente matou o português. Por isso que eu evito, apesar de volta e meia ter o impulso de usar essa expressão. Olha, sou muito viciada em emoticons também! Especial o bendito ":P". Também já tentei me livrar deles, mas não consigo. Sendo uma pessoa que preza pela boa escrita, às vezes sinto que usar tanto emoticon pode soar mal, sei lá, mas na verdade penso o mesmo que a Bia sobre eles! Quanto a grafia das palavras, o que admito e uso são dois casos: comer umas letras e fazer umas abreviações para apertar a mensagem nos 140 caracteres do Twitter; e fazer as abreviações e dispensar acentos que não comprometem o sentido para agilizar a comunicação via IMs, especialmente no smartphone, que é mais chatinho de digitar. Outra coisa é que tudo depende do local onde se escreve. No Twitter, por exemplo, em boa parte das vezes sinto como se estivesse conversando verbalmente, portanto, até pra transmitir isso, escrevo "de um jeito falado". Por exemplo: "Tô aqui no BlogCamp. Cês querem fotos? :)" Ufa, chega de tagarelar... Enfim, parabéns pela coluna! :D
al_maia
Pequeno erro de digitação, não vá confundir com as asneiras que ela denunciou.
Wolner Bergamaschine
Também concordo com o texto. Já fui muito viciado em encurtar as palavras, mas acabei percebendo que isso era ruim, pois causava vários entendimentos errados. Dessa forma, fui me corrigindo, e sempre escrevo em qualquer lugar, inclusive em mensageiros instantâneos, da mesma forma que eu escreveria na vida real. Isso me ajudou na escola e nos meios de comunicação, além de que também me evoluiu. Prefiro a gramática culta, só isso... rsrsrs
Fer
Não gostei de falarem que parece um bando de adolescentes falando! Eu sou adolescente e detesto as "criaturas" (para não dar adjetivos piores) que falam errado. Eu detesto ter que ficar decifrando o que falam! Fora que não são só abreviações e coisas assim, tem também aquela maldita falta de lógica. Ou então e ao invés de "é" ou "eh", como quer que eu adivinhe que é um "é"? Além da falta de virgulas, que me irritam profundamente. Sem comentários sobre emoticons! As vezes a pessoa poderia escrever frases lindas, mais por escrever com "e"s que são "é"s, acabam escrevendo sem sentido! Bom, melhor eu parar aqui, pois se não ficarei aqui por tempo indeterminado! //Você, editora, é viciada em emoticons no fim das frases e eu em exclamações! XP //Aff, desisto de ler os comentários com a pagina atualizando toda hora!
@jessizanelato
Que exagero Bia, o "Corrão" é um meme como tantos outros. Eu vejo da mesma maneira que os emoticons que você tanto gosta. É só uma forma de se expressar, de ser irônico.
@evilmagus
Enquanto nos preocupamos com quem escreve errado, tem um monte de gente que escreve coisas erradas de maneira correta, e que ninguém sequer reclama. Ou pior, ainda acham legal/engraçado/culto.
C. Emanuel Laguna Jr
Erro de digitação? No caso da vírgula como separador decimal, não creio: é um mau costume legado por alguns editores. Eu acho que tem tem obrigação ainda maior com o português (técnico ou não) são aqueles portais que lidam com um público mais leigo… O problema que vejo é quando os editores desses veículos acham que manjam de algum idioma estrangeiro e acabam por não adaptar os dados à nossa realidade ao repassar matérias tecnológicas do exterior. Mas ao menos os veículos de maior circulação parecem contar com algum revisor pago para fazer tais correções. Eu mesmo prefiro tentar escrever textos originais para um público que sei que vai contestar meus dados a escrever textos para leigos, justamente porque acho que no caso de um erro meu, dificilmente esse pessoal vai contestá-lo e passar adiante a correção.
@almydf
Como disse o saramago antes de morrer: estamos cada vez abreviando mais,na internet, emails, e agora com essa de 140 caracteres, breve chegaremos novamente ao grunhido.
Alexandre
A internetizacao da linguagem e a inclusao digital sao fortes pressoes para a destruicao da linguagem formal, ou seja, o bom e velho portugues. Mas tambem, nem precisa de internet pra isso, quantas centenas de milhares de placas jah se foram fotografadas e distribuidas na net onde as pessoas assassinam a lingua com requintes de crueldade, ehehehe. Cabe aos meios, blogs, jornais, portais, garantir que seu material saia impecavel.
Livia
Concordo totalmente com vc Bia! Aliás, adoro seus artigos, sempre muito bem escritos e sensatos! Parabéns!
Alexandre
Creio que determinados blogs ou veiculos de midia tem o dever de dispor de um portugues no minimo 100% correto! Eu pego bastante erros, mas percebe-se que na maioria dos casos foi erro de digitacao.
Igor Pamplona
Devo tentar responder quem não quer entender?
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