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A banda larga é popular, mas compre o modem por conta própria

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7 anos atrás

O Plano Nacional de Banda Larga deu seu primeiro passo nessa terça. Lá em Santo Antônio do Descoberto, em Goiás. A cidadezinha com cerca de 60 mil habitantes é a primeira do país a receber a tão aguardada banda larga popular, desejo da nossa presidente Dilma Rousseff desde que iniciou seu mandato. Os moradores da cidade podem assinar a internet rápida gastando apenas R$ 35 mensais — e a conexão é de 1 Mbps, veja só.

Até aí, tudo maravilhoso. O acordo do provedor local Sadnet com a Telebras, a empresa estatal de telecomunicações, permite oferecer o acesso de internet a muitas pessoas. A própria Telebras esteve na cidade para testar a estrutura antes de dar o pontapé inicial no serviço. 1 Mega por R$ 35. Sensacional.

Esse modem D-Link custa menos de 100 reais em alguns sites

Com uma exceção: o modem de internet não está incluído nesse valor. O assinante gasta trinta e tantos reais por 1 Mega de conexão, mas se não desembolsar o custo do modem, terá apenas um serviço de telecom que chega na sua casa, mas que não pode ser utilizado, visto que falta o equipamento para tal.

Em que lugar do mundo, com exceção do Brasil, esse tipo de coisa acontece? Aqui em São Paulo, onde você assina qualquer serviço de internet em praticamente qualquer ponto da cidade, as empresas de banda larga oferecem mundos, fundos e o que mais o setor de telemarketing permitir, para que o assinante feche o negócio e assine o contrato.

Já tive o Virtua da Net em casa e atualmente tenho a banda larga da TVA. Em ambos os casos, o modem para tecnologia coaxial é fornecido em regime de comodato enquanto eu continuar assinando o serviço. O mesmo vale para o Velox da Oi no Rio de Janeiro, minha terra natal, onde o modem ADSL era garantido.

Lá em Santo Antônio os assinantes têm que pagar pelo modem e pela instalação do aparelho. No fim das contas, ter a banda larga popular fica R$ 300 mais caro — sim, o modem oferecido pelo provedor parceiro da Telebras custa esse preço.

O ministro das Comunicações Paulo Bernardo já sinalizou que o governo quer baratear o preço dos modems. Como assim quer? Já deveria ter feito isso faz tempo, desde que o decreto que dá vida ao PNBL foi assinado. Não, empurraram com a barriga até chegar nessa situação atual.

Queria ver os funcionários do governo explicando para aquela senhorinha humilde que só agora, depois de aproveitar uma oferta de computador mais em conta (graças à Lei do Bem), que a internet rápida não é bem como ela entendeu. “Minha senhora, é isso mesmo, o serviço custa R$ 35. E precisa pagar mais R$ 300 por um aparelho que possibilita que a senhora receba a conexão na sua casa. Posso fechar o plano? Ah, entendi, a senhora recebe apenas um salário mínimo por mês… Nesse caso, melhor deixar de ir ao supermercado, né?” Inconcebível.

Em tempo: gostaria que o provedor local me explicasse que modem é esse que custa trezentos reais. Existem equipamentos por um terço disso, é só fazer uma busca no Google.

Atualização – 23.8.2011 às 22h25 | Depois de uma busca mais apurada no site do provedor, descobri indícios de que se trata de internet transmitida via rádio. De acordo com alguns leitores, isso explica o preço do modem. Ainda assim, devo dizer que o preço de R$ 300 não combina com um serviço propagandeado por aí como “popular”.

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