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Retrospectiva GTA

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8 anos atrás

Existem alguns games que, apesar de não serem os pioneiros em seus gêneros, tornaram-se seminais para a categoria.

Dentre os games de plataforma, por exemplo, o mais influente foi Super Mario World. Se o assunto são os MMOs, dependendo da sua idade o título se dividirá entre Ultima Online ou World of Warcraft. Gran Turismo virou sinônimo absoluto de simuladores de corrida. Counter Strike é o FPS multiplayer que iniciou toda uma revolução.

E Grand Theft Auto é o patriarca de todos os games de mundo aberto, os famosos sandbox.

Sandbox, ou “caixa de areia” (uma referência ao “brinquedo” comum em playgrounds), é uma alusão ao fato de que games desse tipo conferem ao jogador liberdade quase ilimitada pra brincar sem seguir a estrutura narrativa do jogo. E este estilo de jogo nos apresentou dois tipos diferentes de jogadores: aqueles que construirão castelos na areia, e outros que jogarão na cara dos amiguinhos. Se você já passou horas explodindo carros com bazucas e peitando a força policial de Liberty City, você sabe que tipo de jogador você é.

No último dia 21 de outubro, Grand Theft Auto 3 completou 10 anos de existência. De lá pra cá o game foi imitado à exaustão, porém jamais superado em seu gênero. É um atestado sobre a qualidade da sua produtora, a Rockstar Games.

Entretanto, como o título sequencial deixa claro, GTA3 não foi o primeiro game da série. E estes foram os principais jogos da franquia.

Grand Theft Auto

O primeiro GTA foi revolucionário. A ideia de poder andar pela cidade a bel prazer, sem rumo, pilotando qualquer carro e cumprindo qualquer missão sem seguir uma progressão específica era ímpar na época. O gameplay rapidamente desembocava no que acabou se tornando uma tradição na franquia e nos diversos imitadores — ignorar as tarefas do jogo e tocar o terror na cidade virtual.

Hoje em dia é estranho usar este termo pra um jogo cuja melhor resolução usava uma paleta de cores de 32 bits, mas havia bastante realismo em GTA para os padrões da época. As três cidades do primeiro jogo (que em games posteriores exigiriam foco dedicado) eram bastante vivas — transeuntes andavam de lá pra cá (sem rumo, mas isso não importava), a polícia fazia ronda pelas ruas, ambulâncias apareciam para socorrer os feridos e caminhões de bombeiros apagavam carros em chamas.

Era raro ver tanta atividade urbana num jogo antes, e por isso GTA foi memorável. Lembro que entre aquela turma com menos conhecimento, GTA era considerado RPG porque a característica mais emblemática de um RPG para eles (e me refiro aos RPGs de papel e caneta) era a possibilidade de fazer qualquer coisa.

Grand Theft Auto London 69

London 69 não é um jogo propriamente dito. Na realidade, um pacote de expansão para o primeiro GTA. Entretanto, considero o update uma entrada memorável na franquia porque, a meu ver, ele marcou o momento em que a desenvolvedora Rockstar (na época ainda chamada DMA Design) percebeu que a natureza de GTA se presta a inúmeros cenários. E por isso colocaram o jogador não numa cidade fictícia, como em todos os outros games da série, mas na capital do Reino Unido.

Joguei London 69 muito pouco; eu não era muito fã daqueles carros antigos e da cidade de Londres. Liberty City pode ser uma cópia velada de New York, mas me parecia mais interessante que a Londres real.

Uma das características mais memoráveis do jogo pra mim é que, como na Londres real, os carros têm seus volantes no lado direito. Isso significa que, num confronto com a polícia, a manobra clássica de derrapar com o carro e descer dando tiro sempre dava errado para os jogadores do primeiro jogo — você sempre acabava guinando para a esquerda em vez da direita, e aí descia do carro na frente da polícia, sem a proteção do seu carro entre seu personagem e os homens fardados!

Grand Theft Auto 2

GTA2 foi a primeira continuação real de Grand Theft Auto. O jogo tinha uma atmosfera esquisita de retrofuturismo: parecia simultaneamente se passar no futuro e no passado, ou melhor, num futuro em que a arte, arquitetura e design industrial se inspiram nos de eras antigas.

Esse anacronismo me lembrava muito o visual de Batman: The Animated Series, mais conhecido entre nossos conterrãneos como “aquele desenho bacana do Batman que passava no SBT“, em que figuravam elementos de diversas décadas distintas, confundindo o espectador em relação ao período em que as histórias realmente acontecem.

Era assim que eu me sentia jogando GTA2. Isso aqui é o futuro, o presente ou o passado?

A engine gráfica recebeu um update significativo; as explosões e os efeitos de iluminação, particularmente, tinham aparência muito melhor.

Grand Theft Auto 3

“Revolução” é um termo perfeitamente adequado para GTA3. O ambicioso título para o PS2 abandonou a visão aérea que era sua marca registrada e trouxe Liberty City à vida em gloriosas três dimensões.

Quando digo que o game trouxe Liberty City à vida, isso não é um exagero. Além da atividade urbana que já conhecíamos dos outros games, GTA3 permite missões especiais quando você entra em determinados veículos, padrões de dia e noite (além de eventos metereológicos), estações de rádio com anúncios com senso de humor negro — alguns dos quais tem seus próprios sites, aliás — mas definitivamente a característica mais marcante foi poder explorar Liberty City a nível do mar. Nos games anteriores você essencialmente observava a destruição vários metros acima do personagem.

Passear pela Liberty City de GTA3 me deu uma sensação similar à de carregar cidades de SimCity 2000 no SimCopter e passear de helicóptero pela versão tridimensional da Israelândia, a cidade que herdava o nome de seu ilustre prefeito (eu).

Grand Theft Auto Vice City

Vice City (uma cópia de Miami, caso a referência do clássico seriado de TV não tivesse deixado claro o bastante) era a paródia oitentista de Grande Theft Auto. A narrativa do jogo tem clara influência de filmes da época, como Scarface ou O Pagamento Final; a metrópole do jogo pega emprestado tudo aquilo que era mais memóravel na década de 80, desde a música, os carros, a moda e essencialmente todo o estilo de vida americano daquele período — conforme ditado pelos filmes de mafiosos da época.

A adição mais notável de GTA Vice City foram as motos, estranhamente ausentes do jogo anterior.

Grande Theft Auto San Andreas

Lembra que eu mencionei que a molecada mais impressionada com o mundo aberto de GTA comparava o game a um RPG? Pois bem, San Andreas é o mais perto que a série chegou de ser um RPG real. Adicionaram tanta coisa em matéria de personalização do personagem que manter a vida pessoal do personagem principal é quase um jogo à parte.

Além dos elementos de gameplay que a essa altura nem precisam ser descritos (dirigir carros, se envolver em planos criminosos, desafiar a polícia com atos aleatórios de violência), San Andreas dá ao jogador controle sobre uma série de atributos do personagem principal, como perícia em armas, artes marciais e até mesmo preparo físico.

Passando-se durante os anos 90 e inspirando-se na cultura gangsta predominante na época, San Andreas é ainda considerado por muitos o maior GTA em matéria de escopo de possibilidades. Até mesmo minigame de sexo o jogo tinha — e que controvérsia aquilo gerou na época

Grand Theft Auto 4

Ao fazer Grand Theft Auto 4, a Rockstar decidiu que uma das características mais impressionantes de San Andreas — o imenso escopo do jogo — era também uma de suas maiores fraquezas. Na intenção de tornar a série um pouco mais séria e focada no seu aspecto mais forte, vários elementos de gameplay foram cortados. Lembro que na época esta direção diferente causou muita consternação nos fãs da série (“como assim, não haverá aviões em GTA4?” era uma reclamação comum naquele tempo).

Mas o jogo não está tão enxuto assim. GTA4 contém uma quantidade absurda de pequenos minigames e missões secundárias ao desenvolvimento da história. É possível sair com amigos pra jogar sinuca, levar a namorada pra passear, assistir TV… Há até mesmo cybercafes com uma internet interativa no game.

Vem aí: GTA5

Fui um fã de GTA desde o primeiro jogo da série — e passando também pelos games portáteis e os subsequentes ports para consoles “grandes”, que omiti desta retrospectiva porque creio que adicionaram muito pouco à herança história da franquia. Os únicos jogos da série que eu ignorei quase que completamente foram os updates episódicos The Lost and DamnedThe Ballad of Gay Tony, este último inclusive dono do que considero um dos trailers mais bacanas de game por causa da mesclagem de imagens de ação com o estilo glamuroso de vida noturna; essa montagem reaça a aparência cinematográfica da série.

E assim como você estou muito ansioso para o lançamento de GTA5. No momento que este artigo for publicado, o primeiro trailer oficial de GTA5 já estará disponível (nota do editor: trailer devidamente inserido aqui embaixo). Me diz aí: o trailer te deixou mais ansioso pelo novo Grand Theft Auto?

(Vídeo do YouTube)