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Como foi a LinuxCon Brasil 2011

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6 anos atrás
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O maior evento de software livre da América Latina aconteceu nos dias 17 e 18 de novembro, e contou com a presença dos ilustres Linus Torvalds e John Maddog Hall falando sobre os 20 anos do Linux, diversas palestras para os mais variados grupos de profissionais e interessados na filosofia Open Source — além de muitas novidades para os fãs do pinguim.

Primeiramente, é interessante notar que, comparando com a LinuxCon do ano passado, o evento desse ano parecia menor, com menos participantes. Pode ser só impressão (já que o espaço escolhido esse ano é bem maior) ou até mesmo a data escolhida que não foi muito favorável (perto do período de provas e logo depois de um feriado, afastando estudantes e talvez até funcionários de TI). Outra particularidade do evento foi perceber que a presença de executivos e profissionais era bem maior que o normal.

Maddog e Linus Torvalds na LinuxCon Brasil 2011

Abrindo o evento, Linus Torvalds e John “Maddog” Hall fizeram um bate-papo rápido, respondendo perguntas e comentando sobre os 20 anos do Linux, além de como eles veem a importância do software livre no Brasil. John foi enfático ao falar de como o código aberto pode ser importante para países em desenvolvimento:

“O software livre permite o desenvolvimento nacional, o profissional não precisa sair do pais ou apelar para soluções internacionais que beneficiarão empresas de fora do país. O dinheiro e o conhecimento que ele gera fica no país, não importa se é real, dólar, ou outra moeda.” — John Maddog Hall

Já Linus não poupou comentários às tecnologias fechadas e como elas afetam o mercado:

“Tecnologias que ‘travam’ coisas tendem a perder no final das contas. Quando a Apple lançou o iPod e começou a usar DRM em músicas, todos temiam que o mp3 morreria. E hoje vemos que não é isso o que aconteceu. As pessoas querem liberdade (mesmo que elas não tenham noção disso) e o mercado precisa de liberade para crescer”.

Ainda nesse tópico, Linus tem uma opinião simples sobre a polêmica envolvendo o Secure Boot da Microsoft:

“Eu sou um cara bem otimista: dados abertos serão bem sucedidos no final das contas, e o boot seguro é apenas outra dessas modas passageiras.”

Encerrando, ao ser perguntado sobre como ele vê o Linux depois de 20 anos e se ele já se surpreendeu vendo o sistema que ele criou sendo usado em soluções pouco convencionais, Linus foi bem enfático:

“Originalmente, eu queria usar o Linux no meu desktop. É interessante ver outras pessoas usando não só como o desktop deles, mas em diversos outras soluções, como geladeiras. Nada mais me surpreende nesse ponto.”

Após a tietagem básica dos fãs, o ciclo de palestras começou. Focando principalmente em tecnologias de cloud computing, aplicações open source para empresas e Android, havia palestras para todos os gostos e níveis, desde o estudante fã de código até o executivo fã de gráficos e tabelas.

Destaca-se principalmente a apresentação “GNOME 3 – An improved UX from 3.0 to 3.x” que (milagre dos milagres) me convenceu a dar mais uma chance para o GNOME 3.

Na área de estandes, muitas empresas apresentavam seus produtos e soluções baseadas em software livre, em especial o Mandriva, que inclusive mostrava o computador usado no programa “Um computador por Aluno” do governo, um notebook Positivo com um KDE simplificado para os estudantes.

LinuxCon aconteceu em São Paulo

No final, foi um bom evento, com boas apresentações e conteúdo interessante, e a posição do Brasil como uma potência que pode se beneficiar da economia e qualidade do software livre foi ressaltada diversas vezes. Como evento para conhecer novas tecnologias e possibilidades, além de gerar idéias para projetos pessoais e profissionais, o Linuxcon é ótimo.

Mas ainda falta um pouco mais. Não vi casos de sucesso de órgãos públicos e privados ali, e isso é essencial em eventos assim. Espera-se que no LinuxCon Brasil 2012 isso mude, e possamos acompanhar como o Brasil vem adotando o Linux, em vez de só ouvirmos como poderíamos estar adotando o Linux.