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Batman e outros quadrinhos que deram origem a games

Colunista elege seus jogos preferidos protagonizados por personagens originalmente dos HQs. Qual é o seu favorito?

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Existe uma tríplice sagrada dos interesses nerds: cinema, games e histórias em quadrinhos. E embora ocorra uma considerável interseção entre os fãs dos três meios, o mundo das HQs me parece o mais underground dos três.  Geralmente quem é fanático por um costuma ao menos ter um domínio leve no outro, porque ocorre uma certa polinização cruzada entre os três (filme virando game, quadrinho virando filme, e por aí vai).

Isso é curioso porque os quadrinhos são a arte mais antiga entre as três preferidas pelos geeks. Sim, meu caro, quadrinho é arte. “Arte sequencial“, a propósito, é o termo culto, cunhado por Will Eisner (que é considerado até hoje o maior expoente do mundo dos quadrinhos; seu nome é inclusive homônimo do maior prêmio da indústria, o Eisner Award).

O método de contar histórias usando telas em sequência nasceu no século 18. Os primeiros quadrinhos como os conhecemos surgiram no finalzinho do século 19 nos Estados Unidos, e não eram nada além de tirinhas humorísticas em jornais. Daí veio o nome “comics“, que perdura até hoje a despeito da temática dos quadrinhos.

Yellow Kid, o personagem principal de uma espécie de "Turma da Mônica" americana do século XIX

Lembra que eu falei que ocorre uma polinização entre os três gêneros? Os universos de games, cinema e quadrinhos frequentemente colidem. Enquanto filmes baseados em quadrinhos e jogos baseados em filmes geralmente são uma porcaria, os games baseados em quadrinhos são até bem bacanas.

E aqui estão alguns dos meus favoritos.

Comix Zone

É costume meu incluir nestas listas um game que escapa um pouco da definição da mesma. Em senso estrito, Comix Zone não é baseado em um quadrinho específico como os demais jogos dessa lista. Entretanto, ele é uma ode às HQs como método de narração.

No jogo, Sketch Turner é um artista falido que se vê magicamente transportado pra dentro de sua própria composição, o quadrinho que intitula o game: Comix Zone.

O estilo do jogo é o clássico beat em up, conhecido coloquialmente em terras brasileiras como “briga de rua”. Há elementos de quebra-cabeça, mas são tão leves que mal valem a citação.

O que realmente tornou o jogo célebre é a forma como ele quebra a quarta parede do mundo imaginário das HQs. Turner pula de um quadrinho saltando por cima das divisórias — às vezes, melhor ainda, arrebentando-as na porrada mesmo. Também tem uma mão (que presumivelmente existe fora da realidade do jogador) aparece aqui e ali para desenhar inimigos, que tomam vida diante de seus olhos. Chamava muito a atenção até mesmo da turminha que não era lá tão chegada aos quadrinhos.


(Vídeo do YouTube)

Eis um game que merecia um remake.

The Adventures of Batman & Robin

Falando de forma técnica, The Adventures of Batman & Robin é baseado no excelente desenho animado de mesmo nome (na segunda temporada ele tinha esse nome). Preciso ressaltar aqui: este seriado era inúmeros patamares acima de qualquer animação da época.

Entretanto, sendo Batman um famoso personagem de quadrinhos, creio que o game entra no critério da lista.

The Adventures of Batman & Robin era um híbrido de briga de rua com plataforma e alguns elementos de exploração. A arte, a música e ambientação do jogo eram extremamente fieis ao desenho animado, o que conferia um incrível ar de autenticidade ao game.

A despeito do que o nome parece sugerir, na versão do SNES você só joga com o Batman. O Robin aparece no game, mas apenas como personagem coadjuvante.

A versão do Mega Drive, que saiu um pouco mais tarde, dá ao Robin um papel maior e é possível a dois jogadores jogarem simultaneamente, cada um com um dos heróis. O game lançado para o Mega Drive é dramaticamente diferente da versão do SNES, e o consenso é que a versão do console da Nintendo era infinitamente superior.

Não é difícil descobrir o porquê. A versão do SNES foi feita pela Konami. Já a versão do Mega Drive foi desenvolvida pela Clockwork Tortoise. Se você perguntou a si mesmo “desenvolvido por quem?”, você entende o que eu quero dizer — a tal empresa nem artigo na Wikipédia tem. Ela só fez dois jogos: esse Batman para o Mega Drive, e o port para Sega CD.


(Vídeo do YouTube)

Um dos aspectos mais divertidos do game era explorar o arsenal de bugingangas que o Batman tinha a seu dispor. Uma característica do herói que uma vez levou o Coringa a se perguntar, infamemente, onde ele conseguia esses brinquedinhos maravilhosos.

Marvel: Ultimate Alliance 2

O primeiro Marvel: Ultimate Alliance, apesar de bastante subvalorizado, era um jogo excelente. O game recebeu uma respeitável nota 82 do Metacritic, mas nunca chegou perto de ser um megahit como, digamos, os jogos recentes do Cavaleiro das Trevas. Joguei muito a versão para o PSP, que era extremamente competente — e isso é mais do que se pode dizer da maioria dos ports para o portátil da Sony.

Entretanto, elejo Marvel: Ultimate Alliance 2 para a lista em vez de seu antecessor por um motivo: ao contrário do primeiro M:UA, que tinha uma história extremamente genérica, a continuação seguia de perto os eventos das sagas Guerra Secreta (não confunda com Guerras Secretas, no plural) e Guerra Civil, que abalaram o universo Marvel entre 2005 e 2007. São raros os games que seguem um arco narrativo específico dos quadrinhos.

Na trama, Capitão América e Homem de Ferro comandam facções rivais de super-heróis e trocam tapas por causa da recente decisão do governo americano de exigir regularização da comunidade de super-heróis.

Em outras palavras o Homem de Ferro ia precisar tirar um brevê, e o governo de Nova Iorque iria incluir o Homem Aranha em seu sistema de rodízio de trânsito, podendo se balançar pela cidade apenas nas terças e quintas. Ok, não exatamente, mas você entende o que eu quero dizer.

O jogo é (como boa parte dos games baseados em personagens de quadrinhos) um beat em up tático. O jogador escolhe quatro heróis do rico universo Marvel e com eles sai dando tabefes nos inúmeros vilões (e outros heróis, o que é permitido graças ao enredo do jogo) que se metem no seu caminho.

O grande diferencial de M:UA2 em relação a outros jogos similares é que você pode intercambiar livremente o controle de qualquer um dos quatro personagens escolhidos. Ou seja, joga um pouco com o Wolverine, troca para o Homem-Aranha, pula pro Capitão América conforme as habilidades de um deles for mais útil num determinado momento do jogo. Ou o que é mais comum: quando você enjoa do herói da vez.


(Vídeo do YouTube)

Como fã da Marvel em geral e da saga Guerra Civil em particular, é desnecessário dizer que gosto muito de Marvel: Ultimate Alliance 2.

E você, quais os seus jogos favoritos baseados em personagens de quadrinhos?

Comentários

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Muller Alencar
meu Top game é, sem dúvida "Spider-man Maximum Carnage", para o SNES! Cara, era um "Briga de Rua" daqueles que só os anos 90 souberam produzir, além de ter vários elementos adicionais, como as aparições de outros personagens e tudo mais. mas o que chamava a atenção mesmo nesse jogo era a história do jogo, que era beeeem fiel aos quadrinhos. Você inicialmente começava com o homem-aranha, e em dados momentos poderia optar pelo Venom, e seguir outra storyline com ele, que se intercruzava com a original. Sério, o que eu achava mais interessante era exatamente isso, e jogava várias vezes, intercalando de forma diferente as escolhas, para ver se acontecia algo diferente, (sério, acho que eu era o ÚNICO cara na época que queria "ler a historinha" ao invés de ficar freneticamente apertando start para começar logo a nova fase num final fight ou streets of rage da vida) Por fim, tanto gostei desse jogo que foi fundamental para que eu ingressasse nas fileiras dos fans de HQ. A primeira hq que eu comprei foi num sebo e que contava o começo do arco "carnificina total", cuja capa era o homem-aranha e o Venom indo para cima do carnificina. quando folheei ela vi as cenas do jogo, e a partir daí comecei a acompanhar o aranha (que estava no arco "saga do clone) e a partir daí foi só alegria!
Muller Alencar
cara era MUITO BOM esse jogo, mesmo! um dos melhores para SNES, joguei até cansar!
Marcelo
Joguei muitooooooo!
Edu
Nunca fui um grande fã de quadrinhos, apesar de gostar de Batman e X-Men. Sempre preferi as animações e os jogos. Dos jogos, meus preferidos são: The Adventures of Batman and Robin (as duas versões), Arkham City (apesar dos problemas de narrativa), X-men: Mutant Apocalypse, Spawn. PS: "O game lançado para o Mega Drive é dramaticamente diferente da versão do SNES, e o consenso é que a versão do console da Nintendo era infinitamente superior." Oxe, sempre achei o contrário. Inclusive pelas matérias de revistas da época. O único quesito que a versão SNES era melhor é o gráfico.
Darox
Spider Man & X-Men versus Arcade. Mas o maximum carnage foi o mais foda mesmo.
Cássio
Eu gostava para carilhos do "separation anxiety" (mas eu jogava no Mega Drive) era fera demais jogar de 2 com o Venom e o Aranha juntos... http://www.wwgaming.com/games-images/spider-man-and-venom-in-separation-anxiety-(f)-%5B!%5D.jpg
Diones Reis
Ahaha...ainda bem que você deixou frisado que eram os seus games favoritos. Acho que por isto os tópicos falando "Olha, e o jogo X?", "Você não falou do jogo Y?" diminuirem drásticamente. O meu top, que eu descobri tardiamente, foi Batman Arkham Asylum, para PS3. E foi na surpresa, pois comprei este game no começo do ano, porque estava barato (importando), e eu tava meio que consumista. Lembro que não dei muita importância, mas quando coloquei o B-ray e comecei a jogar, não parei mais. Fiquei uns 30 dias pra fechar todo o jogo, e volta e meia coloco ele para quebrar meus tempos nos chalenges. E meus amigos que tem PS3, gostaram tanto dele que me pediram para comprar outros para eles. Realmente é um game que vai ficar comigo, mesmo eu comprando Batman Arkham City.
@carlosassis83
Tópico errado, desculpem galera!!!
@carlosassis83
Muito boa a promoção, pena que o Asfalt 6 não seja compatível com o meu Motorola RAZR. ¬_¬ Será que vale a pena comprar e esperar uma atualização, ou usar em outro cel!!! ¬_¬
@lucasgrabauskas
Nossa, falar de The Adventures of Batman and Robin (o desenho) me arrepia até a alma, foi o desenho que mais me marcou na infância (tirando Tom e Jerry, mas que eu coloco em outra categoria) Pensei em me bater por nunca ter jogado esse jogo, mas achei mais produtivo baixar o emul... quer dizer, arrumar um jeito de jogar :P
C. Emanuel Laguna Jr
Achei DC Universe Online um jogo digno de nota, especialmente pela animação da abertura: depois de eu ver aquilo me perguntei se era mesmo necessário um filme sobre a Liga da Justiça. 8-)
@leozacche
O Arkhan Asylum, eu aluguei perto de casa, joguei uma semaninha só para ver qual é. Joguei pouco, então aí vai minha visão noob do negócio: Achei a idéia central meio fraca, mas muito bem elaborada/explorada. Médio balanço entre estratégia e habilidade (perde para os God of War), mas é um bom entretenimento. E tem as sequencias de porrada que são muito maneiras, onde o morcego parte para dentro dos capangas e o couro come, com golpes detalhados, bem encadeados (não tem aqueles movimentos perdidos, sabe?), câmeras-lentas tipo cinema, e ângulos de visão diferentes. Achei que tinha pouco sangue, principalmente se comparado à quantidade de botinada que se dá na cara dos capangas. Mas em compensação tem bastante ruído de quebra-ossos, e "Uh!!!" (de quem leva golpe), o que dá uma animada extra.
@leozacche
Apesar da péssima qualidade gráfico do nosso querido MSX 1, a adaptação do arcade até que foi bem fiel. Mas ainda fico com o arcade mesmo, e o Murphy girando a pistola "Thank you for your cooperation!"
iambatmatt
Batman: Arkham Asylum, Arkham City e Scott Pilgrim vs. the World são meus preferidos. Arkham City é, inclusive, um dos (senão o) meus jogos preferidos, no geral.
Yangm
Sou o nerd mais overground daqui, não peguei a época do fanatismo por HQs.
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